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Mapa regulamenta classificação de áreas agrícolas por nível de manejo no Zarc
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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, nesta quarta-feira (9), a Instrução Normativa nº 2, que regulamenta os critérios e procedimentos para a classificação de áreas de produção agropecuária em Níveis de Manejo, no âmbito do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
A medida consolida o marco normativo do projeto Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM), que considera o manejo adotado em cada talhão de cultivo para avaliar o risco climático. A nova norma define parâmetros técnicos e metodológicos para essa avaliação e detalha o funcionamento do Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SINM), plataforma digital desenvolvida pela Embrapa para registrar e analisar os dados.
A classificação das áreas será feita com base em seis indicadores, como teor de cálcio no solo, tempo sem revolvimento do solo, cobertura com palhada e diversidade de cultivos. Serão atribuídos quatro níveis (NM1 a NM4), com o objetivo de diferenciar o risco climático em áreas que adotam práticas agrícolas mais sustentáveis e eficientes.
Para que uma área seja classificada, é necessário reunir três conjuntos de dados: cadastro do produtor e da área, incluindo geolocalização e histórico de uso; informações obtidas por sensoriamento remoto e geoprocessamento; e análises físicas e químicas do solo com amostras georreferenciadas. Todos os dados devem ser registrados no SINM para validação da classificação.
A operação do sistema será feita por usuários previamente credenciados, entre os quais cooperativas, empresas privadas de geotecnologia, instituições de assistência técnica e extensão rural (ATER), seguradoras, instituições financeiras e órgãos públicos. Esses operadores são divididos em três categorias: operador de contrato (registro da área e histórico), operador de geoprocessamento (imagens de satélite) e operador de análise de solo (dados laboratoriais). Suboperadores vinculados formalmente também poderão atuar para ampliar a abrangência do sistema.
“O ZarcNM marca uma nova fase na gestão de risco agropecuário ao valorizar produtores que adotam boas práticas de manejo, permitindo que tenham acesso a benefícios diretos em políticas públicas como o seguro rural”, afirmou o coordenador-geral de Risco Agropecuário do Mapa, Hugo Rodrigues.
A metodologia foi desenvolvida pela Embrapa e será aplicada inicialmente na cultura da soja, em áreas-piloto no Paraná. A aplicação já está regulamentada por resolução do Comitê Gestor do Seguro Rural (CGSR) e entrará em vigor nas apólices do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) a partir da safra 2025/2026.
Os produtores que participarem do projeto terão acesso a percentuais adicionais de subvenção no PSR, de acordo com o nível de manejo adotado: 20% (NM1), 25% (NM2), 30% (NM3) e 35% (NM4). Para a fase inicial do projeto, o Mapa destinou R$ 8 milhões.
Informação à imprensa
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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