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Preços da carne suína recuam em julho com cautela da indústria e concorrência do frango
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Indústria adota cautela na compra de animais
O mês de julho registrou queda nos preços da carne suína no Brasil, refletindo um cenário de cautela por parte da indústria na aquisição de animais. De acordo com Allan Maia, analista e consultor da Safras & Mercado, a retração foi motivada por dificuldades no escoamento da carne no atacado.
“Primeiro, houve dificuldades nos repasses de preços, seguidas por uma lentidão maior entre atacado e varejo”, explicou Maia.
Competitividade da carne de frango pressiona o mercado
Outro fator que influenciou negativamente os preços foi a maior competitividade da carne de frango, considerada uma substituta direta da suína. Os valores mais acessíveis do frango reduziram a atratividade da carne suína no mercado doméstico.
Apesar disso, Maia destaca dois pontos positivos: o bom desempenho das exportações brasileiras de carne suína e a estabilidade nos custos com nutrição animal, que apresentaram sinais de acomodação ao longo do mês.
Quedas generalizadas nos preços do suíno vivo e cortes no atacado
Levantamento da Safras & Mercado apontou recuos nos preços do suíno vivo em diversas regiões do país ao longo de julho. A média do Centro-Sul caiu 5,97%, passando de R$ 7,78 para R$ 7,31 por quilo.
- Cortes de pernil no atacado: recuo de 6,88%, de R$ 13,91 para R$ 12,96
- Carcaça suína: queda de 7,11%, de R$ 12,66 para R$ 11,76
- Arroba suína em São Paulo: de R$ 164,00 para R$ 150,00
Preços regionais do suíno vivo
A retração também foi observada em diversas praças regionais:
- Rio Grande do Sul:
- Integração: R$ 6,60 (estável)
- Interior: R$ 8,20 → R$ 7,60
- Santa Catarina:
- Integração: R$ 6,60 (estável)
- Interior: R$ 8,10 → R$ 7,50
- Paraná:
- Integração: R$ 6,65 (estável)
- Mercado livre: R$ 8,20 → R$ 7,60
- Mato Grosso do Sul:
- Integração: R$ 6,60 (estável)
- Campo Grande: R$ 7,80 → R$ 7,25
- Goiás (Goiânia):
- R$ 8,30 → R$ 7,40
- Minas Gerais (interior):
- Mercado livre: R$ 8,50 → R$ 7,75
- Independente: R$ 8,70 → R$ 7,90
- Mato Grosso (Rondonópolis):
- Integração: R$ 7,05 (estável)
- Mercado livre: R$ 7,85 → R$ 7,30
Exportações seguem firmes apesar da retração no mercado interno
Mesmo com o cenário doméstico desafiador, as exportações brasileiras de carne suína “in natura” mantiveram um bom desempenho em julho. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, o país exportou:
- US$ 241,395 milhões (em 19 dias úteis)
- Média diária: US$ 12,705 milhões
- Volume total: 91,783 mil toneladas
- Média diária: 4,830 mil toneladas
- Preço médio: US$ 2.630,10 por tonelada
Comparando com julho de 2024:
- Valor médio diário: alta de 1,7%
- Quantidade média diária: queda de 6,8%
- Preço médio: aumento de 9,1%
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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