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Alta no mercado de algodão é impulsionada por demanda firme e oferta global ajustada, aponta Itaú BBA

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Cotação internacional avança, mas segue abaixo do ano anterior

O preço do algodão registrou valorização em maio na Bolsa de Nova Iorque, com alta de 1,7% frente a abril, atingindo US$ 66,7 cents por libra-peso. Apesar do avanço mensal, a cotação ainda está 14,3% abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2023. Já na primeira quinzena de junho, houve recuo de 1,8%, com o preço ficando em US$ 65,5 cents/lb.

O plantio da safra nos Estados Unidos caminha para a conclusão, embora o ritmo permaneça ligeiramente abaixo da média histórica. As condições climáticas são mais favoráveis do que no ano passado, com apenas 6% das lavouras em áreas de seca, contra 7% no mesmo período de 2024.

Preços internos seguem em alta no Brasil

No mercado doméstico, os preços da pluma mantiveram a trajetória de valorização, influenciados pela alta internacional e por prêmios positivos na fibra. Em Rondonópolis (MT), a cotação subiu 3% em maio, alcançando R$ 4,13/lb. Na primeira metade de junho, o preço avançou mais 0,6%, chegando a R$ 4,15/lb.

Essa valorização foi sustentada pela sólida demanda internacional pelo algodão brasileiro e pela oferta limitada de outras origens, o que manteve o basis (diferença entre preços internos e externos) em níveis elevados. Esse diferencial tem favorecido os produtores nacionais, mesmo diante de preços internacionais mais baixos.

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Caroço de algodão também registra forte valorização

O caroço de algodão acompanhou o movimento de alta da pluma, com preços girando em torno de R$ 1.600 por tonelada no Mato Grosso. A menor oferta sazonal e a demanda aquecida abriram espaço para negociações com valores mais altos, elevando a rentabilidade dos produtores.

Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), mais de 50% do caroço da temporada 2024/25 já foi comercializado no estado, índice 14 pontos percentuais acima do registrado na safra passada.

USDA revisa para baixo safra e estoques globais de 2025/26

O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para baixo as projeções da safra americana de algodão em 2025/26, com a produção estimada caindo de 3,2 para 3 milhões de toneladas. A redução está atrelada à menor produtividade esperada, o que também impactou negativamente os estoques finais dos EUA.

Na China, o USDA elevou a projeção de produção de 6,3 para 6,5 milhões de toneladas e reduziu a estimativa de importação de 1,5 para 1,4 milhão de toneladas. No consolidado global, a produção e os estoques finais caíram frente às estimativas anteriores — de 17,1 para 16,7 milhões de toneladas.

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Monções antecipadas na Ásia e impacto no mercado global

A temporada de monções começou mais cedo do que o habitual na Índia e no Paquistão, com previsão de chuvas acima da média. Caso essa condição se mantenha, esses países podem ter ganhos de produtividade, o que elevaria a oferta global de algodão.

Perspectivas para o produtor brasileiro

Com basis elevados e preços firmes do caroço, os produtores brasileiros têm obtido rentabilidade positiva. Esse cenário favorável pode estimular o aumento de área plantada para a temporada 2025/26, ainda que de forma mais moderada. A evolução climática nos EUA nos próximos meses será fator-chave para a definição do mercado global da pluma.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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