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Dólar sobe à espera de resposta brasileira ao tarifaço de Trump; Lula critica medida e mercado acompanha tensões

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Dólar inicia o dia em alta

O dólar abriu esta sexta-feira (18) com valorização de 0,37%, sendo negociado a R$ 5,5655 por volta das 9h. A movimentação reflete a tensão crescente entre Brasil e Estados Unidos após o anúncio de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

Na véspera, a moeda norte-americana havia registrado queda de 0,26%, encerrando cotada a R$ 5,5467. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou com leve alta de 0,04%, aos 135.565 pontos.

Tarifas impostas pelos EUA elevam tensão diplomática

O mercado acompanha com atenção o embate diplomático entre os dois países. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o que gerou reação imediata do governo brasileiro.

Lula classifica tarifa como “chantagem” e reforça soberania nacional

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou a medida adotada por Trump, chamando-a de “chantagem inaceitável”. Lula também criticou duramente políticos brasileiros que apoiaram a decisão do governo norte-americano.

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria”, afirmou o presidente.

Em entrevista à CNN Internacional, Lula reforçou que o Brasil busca liberdade para o comércio exterior e não quer ser refém dos EUA. “Trump não foi eleito para ser o imperador do mundo”, declarou.

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Casa Branca responde críticas de Lula

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rebateu as declarações do presidente brasileiro, afirmando que Trump “não está tentando ser imperador do mundo”, mas sim é um “presidente forte e líder do mundo livre”.

Alckmin articula resposta do governo com setor produtivo

Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin está em articulações com representantes da indústria nacional para formular a resposta brasileira ao aumento tarifário. Nesta sexta-feira, ele se reúne com Raul Jungmann, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Trump ataca presidente do Fed e defende corte de juros

Além das tensões comerciais, Donald Trump voltou a criticar as autoridades do Federal Reserve (Fed), especialmente o presidente da instituição, Jerome Powell.

“Os EUA estão com tudo — a inflação está MUITO BAIXA, e merecemos estar com uma taxa de 1%”, escreveu Trump em sua rede social, defendendo cortes mais agressivos nos juros americanos.

Mercado monitora dados econômicos dos EUA

Com a agenda internacional esvaziada, analistas acompanham nesta sexta os dados de expectativas de inflação e o índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos, que podem influenciar os próximos movimentos do mercado.

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Resumo dos indicadores econômicos
  • Dólar:
    • Semana: -0,02%
    • Mês: +2,08%
    • Ano: -10,24%
  • Ibovespa:
    • Semana: -0,46%
    • Mês: -2,37%
    • Ano: +12,70%

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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