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Empresas e ONGs alertam para retrocessos no Código Florestal com tramitação de projeto na Câmara

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Organizações da sociedade civil e do setor privado se uniram para alertar sobre os riscos associados ao Projeto de Lei 36/2021, em tramitação na Câmara dos Deputados. Segundo nota divulgada pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a proposta representa sérios retrocessos na proteção das florestas e ecossistemas naturais do país, além de comprometer a segurança jurídica e dificultar a regularização ambiental dos produtores rurais.

Projeto avança sem debate público

A proposta, de autoria do deputado Zé Vitor (PL/MG), altera dispositivos do Código Florestal (Lei 12.651/2012) e da Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei 9.985/2000). Em regime de urgência, o projeto foi modificado de forma substancial na Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, sem que houvesse um debate público amplo e transparente.

A relatora do PL no Plenário, deputada Caroline de Toni (PL/SC), ainda não apresentou parecer atualizado sobre o texto.

Riscos à proteção ambiental e à produção rural

Para Beto Mesquita, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e codiretor da Força-Tarefa Código Florestal da rede, as alterações propostas vão na contramão da conservação ambiental e da segurança jurídica para o setor produtivo.

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“O Código Florestal, sancionado em 2012, foi fruto de mais de uma década de negociações, sendo uma das legislações mais debatidas no Congresso Nacional após a Constituição de 1988. Apesar disso, dezenas de projetos tramitam com a intenção de flexibilizar as regras ambientais, o que compromete a sustentabilidade e a resiliência climática da agropecuária brasileira”, afirmou Mesquita.

Anistias e acesso irrestrito ao PRA preocupam especialistas

Entre os pontos mais preocupantes do texto, destaca-se a previsão de anistia a desmatamentos irregulares ocorridos entre 2008 e 2020. Além disso, o projeto permite que produtores que desmataram após a aprovação do Código Florestal tenham acesso por tempo indeterminado ao Programa de Regularização Ambiental (PRA).

“Há uma diferença significativa entre estender o prazo para que pequenos agricultores possam aderir ao PRA e conceder benefícios a desmatamentos ilegais ocorridos fora dos marcos legais estabelecidos. Isso fragiliza os princípios da lei e incentiva novas irregularidades”, ressalta Mesquita, que também é diretor de Paisagens Sustentáveis da Conservação Internacional no Brasil (CI Brasil) e representante do Diálogo Florestal.

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Insegurança jurídica e risco de judicialização

Um estudo técnico elaborado pelo Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio) corrobora as preocupações da Coalizão. A análise aponta que as mudanças propostas no PL 36/2021 podem reabrir disputas judiciais e gerar insegurança jurídica, prejudicando tanto a produção agrícola quanto a proteção das áreas de vegetação nativa e unidades de conservação.

Coalizão defende debate transparente e técnico

Na nota pública divulgada no final de abril, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura defende que o PL e quaisquer substitutivos sejam discutidos de forma transparente, com ampla participação de todos os setores envolvidos.

A rede também se colocou à disposição para contribuir com análises técnicas qualificadas, reforçando a necessidade de um pacto nacional pela plena implementação do Código Florestal, respeitando os instrumentos previstos e as conquistas ambientais já estabelecidas.

Leia o posicionamento

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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