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Fundos mantêm apostas otimistas no milho antes do impacto das tarifas dos EUA
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Fundos de investimento mantiveram uma postura otimista em relação ao milho negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) nos dias que antecederam o anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, ocorrido na última quarta-feira. No entanto, mesmo diante de fundamentos positivos, o cenário geopolítico incerto fez com que os especuladores completassem a sexta semana consecutiva como vendedores líquidos do grão.
Na semana encerrada em 1º de abril, os gestores de fundos reduziram suas posições líquidas compradas em futuros e opções de milho da CBOT para 56.757 contratos — o menor nível em 21 semanas. Na semana anterior, essa posição era de 74.607 contratos, queda explicada exclusivamente pela liquidação de posições longas.
Apesar da retirada de investimentos, os contratos futuros mais ativos de milho na CBOT registraram valorização de 1% no período. O movimento, segundo analistas, reflete uma antecipação dos traders frente aos riscos associados ao que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou de “Dia da Libertação”.
No mesmo intervalo, os fundos também adotaram posições líquidas vendedoras para o trigo e o farelo de soja negociados na CBOT, motivados principalmente pela abertura de novas apostas na queda dos preços. Com isso, o farelo de soja atingiu um recorde de posições vendidas líquidas, com 100.733 contratos, contra 84.050 na semana anterior.
No caso do trigo, as posições vendidas líquidas dos fundos avançaram para 112.040 contratos, a maior marca em 16 meses, ante os 92.587 contratos registrados na semana anterior. Ainda assim, tanto os contratos de trigo quanto os de farelo recuaram menos de 1% ao longo da semana.
Já os futuros de óleo de soja da CBOT apresentaram forte alta de mais de 12% na mesma semana, impulsionados por expectativas de mudanças na política de biocombustíveis dos EUA. Essa valorização também influenciou o grão de soja, que subiu 3,2%.
Diante desse cenário, os fundos reduziram significativamente suas posições vendidas líquidas em futuros e opções de óleo de soja, que caíram para 5.762 contratos — um dos maiores movimentos de compra líquida recente — frente aos 44.618 contratos da semana anterior. Esse movimento foi motivado sobretudo por uma ampla cobertura de posições vendidas.
A mesma dinâmica contribuiu para a queda nas posições vendidas líquidas em soja, que recuaram para 29.847 contratos, comparado aos 42.959 da semana anterior. Um ano atrás, essa posição era próxima de 140 mil contratos.
Tarifas surpreendem e pressionam os mercados
As novas tarifas anunciadas por Washington na quarta-feira impactaram diretamente os mercados financeiros e de commodities. Nos três dias seguintes, a soja da CBOT caiu 5,5%, atingindo na sexta-feira seu menor valor desde dezembro, após a China impor tarifas adicionais a produtos norte-americanos, incluindo a oleaginosa.
Farelo e óleo de soja também recuaram mais de 3%, enquanto o trigo registrou queda de 2%. O milho, por sua vez, apresentou a menor oscilação, com recuo de apenas 0,3% entre quarta e sexta-feira.
As tarifas foram consideradas mais severas do que o esperado. Desde o anúncio, o índice S&P 500 já perdeu cerca de US$ 5 trilhões em valor de mercado, enquanto o Nasdaq entrou oficialmente em território de mercado em baixa.
Apresentadas como tarifas “recíprocas”, as medidas adotadas por Trump foram baseadas nos déficits comerciais bilaterais dos EUA com seus parceiros, resultando em alíquotas significativamente mais altas do que as previstas para a maioria dos países.
Os principais parceiros comerciais agrícolas dos EUA, como Canadá e México, foram excluídos desta rodada de tarifas, e muitos produtos seguem isentos por enquanto, conforme prevê o mais recente acordo comercial norte-americano.
Contudo, aumentam as preocupações em relação a importantes destinos de exportações agrícolas dos EUA, como países da Europa e da Ásia — incluindo Taiwan e Vietnã. Japão e Coreia do Sul, respectivamente o quarto e o quinto principais destinos de produtos agrícolas norte-americanos em 2024, também estão no radar dos analistas.
Enquanto o mercado continua atento às repercussões das tarifas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará nesta quinta-feira seu relatório mensal de oferta e demanda, que pode trazer um alívio momentâneo aos traders diante do clima tenso nas relações comerciais globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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