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Juros bancários atingem maior nível em oito anos e inadimplência de famílias bate recorde no Brasil
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A taxa média de juros cobrada pelos bancos brasileiros voltou a subir em outubro, alcançando 46,3% ao ano, o maior nível desde 2017. O aumento reflete o cenário de Selic em 15% ao ano, mantida pelo Banco Central como parte da estratégia de combate à inflação. Esse é o patamar mais alto da taxa básica em quase duas décadas.
De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC), os juros médios das operações com empresas subiram de 24,2% ao ano em setembro para 25,2% em outubro, enquanto os custos do crédito para pessoas físicas avançaram de 58,3% para 58,7% no mesmo período.
O levantamento considera operações com recursos livres, ou seja, não inclui financiamentos habitacionais, crédito rural e operações via BNDES.
Cartão de crédito e cheque especial continuam entre as linhas mais caras
Apesar de pequenas reduções, o custo das principais modalidades de crédito de consumo segue elevado.
No cheque especial, a taxa de juros caiu de 140,7% para 139,3% ao ano. Já no rotativo do cartão de crédito, o recuo foi de 443,7% para 439,8% ao ano.
Mesmo com essa leve queda, o crédito rotativo continua sendo o mais caro do mercado, superando os 400% ao ano. Desde janeiro de 2024, o Conselho Monetário Nacional (CMN) limitou o valor total da dívida nessa modalidade, que não pode ultrapassar 100% da dívida original. Ainda assim, o juro altíssimo continua sendo um desafio para consumidores endividados.
Especialistas reforçam a recomendação de evitar o uso do rotativo e pagar o valor integral da fatura mensalmente para escapar do acúmulo de encargos.
Crédito bancário cresce e chega a R$ 6,9 trilhões
Mesmo com o encarecimento do crédito, o volume total de operações no sistema financeiro cresceu 0,9% em outubro, somando R$ 6,9 trilhões.
Segundo o Banco Central, o crédito às empresas teve alta de 0,3%, atingindo R$ 2,6 trilhões, enquanto o crédito para pessoas físicas aumentou 1,3%, totalizando R$ 4,3 trilhões.
Entre as modalidades que mais cresceram, destacam-se:
- Cartão de crédito total: +2,2%;
- Crédito pessoal não consignado: +2,1%;
- Crédito consignado para trabalhadores do setor privado: +9,6%;
- Financiamento para veículos: +1,4%.
Inadimplência atinge maior nível da série histórica
O avanço dos juros e o alto custo do crédito se refletem diretamente no aumento da inadimplência. Em outubro, a taxa média de calotes no sistema financeiro subiu para 4%, o maior valor desde o início da série histórica do Banco Central, em 2011.
Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência passou de 4,8% para 4,9%, alcançando o maior patamar desde 2013. Já entre as empresas, o índice ficou em 2,5%, mantendo-se próximo do pico registrado em agosto.
Em nota, o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) destacou que os ativos problemáticos continuam em alta, especialmente no crédito rural, que apresenta perspectiva negativa.
Endividamento das famílias cresce e preocupa
Outro ponto de alerta é o endividamento das famílias brasileiras. O Banco Central informou que o comprometimento da renda com dívidas bancárias chegou a 49,1% da renda acumulada nos últimos 12 meses até setembro — o maior nível desde novembro de 2022, período ainda afetado pelos impactos da pandemia da Covid-19.
Segundo a autoridade monetária, o endividamento segue em um patamar historicamente elevado, e a tendência é de alta, pressionada pelos juros elevados e pelo crescimento das modalidades de crédito mais caras, como o cartão de crédito e o crédito pessoal.
Cenário desafia consumidores e o agronegócio
O ambiente de crédito restritivo afeta não apenas o consumo das famílias, mas também empresas do agronegócio, que dependem de financiamentos para custeio e investimentos.
Com a Selic em 15%, o custo das linhas de crédito privadas segue elevado, reduzindo a margem de lucro e dificultando o acesso a novos recursos — especialmente para produtores de pequeno e médio porte.
Para analistas do setor, a combinação entre juros altos, inflação persistente e inadimplência recorde mantém o sistema financeiro sob pressão e limita a expansão do crédito produtivo, essencial para a retomada do crescimento econômico.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


