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Mercado de café no Brasil registra cautela com preços voláteis e clima desfavorável
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O mercado físico brasileiro de café inicia esta terça-feira (16) com negociações mais cautelosas, após fortes ganhos na sessão anterior. A Bolsa de Nova York (ICE Futures US) opera com preços elevados, enquanto o dólar recua frente ao real, criando um cenário de incerteza para produtores e traders que aguardam uma melhor definição das cotações de referência.
Segundo a Safras Consultoria, o mercado brasileiro registrou maior atividade na segunda-feira (15), mas as negociações continuam regionalizadas. Nas praças maiores houve bom volume de negócios, enquanto em localidades menores as transações foram esparsas. Cafés de qualidade inferior, como “rio” e “duro riado rio”, tiveram menor demanda, enquanto o conilon não acompanhou totalmente a alta registrada em Londres devido à valorização do real frente ao dólar.
Preços em diferentes regiões
- Sul de Minas Gerais: arábica bebida boa com 15% de catação – R$ 2.520,00/2.525,00 a saca (antes R$ 2.440,00/2.450,00)
- Cerrado mineiro: arábica bebida dura com 15% de catação – R$ 2.540,00/2.545,00 a saca (antes R$ 2.460,00/2.470,00)
- Zona da Mata de Minas Gerais: arábica “rio” tipo 7, 20% de catação – R$ 1.860,00/1.880,00 (antes R$ 1.810,00/1.815,00)
- Vitória (ES): conilon tipo 7 – R$ 1.470,00/1.480,00 (antes R$ 1.415,00/1.420,00); tipo 7/8 – R$ 1.465,00/1.470,00 (antes R$ 1.410,00/1.415,00)
Estoques certificados e cenário internacional
Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da Bolsa de Nova York somavam 666.337 sacas de 60 quilos em 15 de setembro de 2025, uma queda de 2.888 sacas em relação ao dia anterior, conforme dados da ICE Futures.
No mercado futuro, o contrato de dezembro de 2025 do arábica avançava 0,67%, cotado a 420,45 centavos de dólar por libra-peso. Na segunda-feira, o mesmo contrato fechou a 417,65 centavos, alta de 20,80 centavos (5,2%).
No câmbio, o dólar comercial recuava 0,20%, cotado a R$ 5,3097, enquanto o Dollar Index caía 0,26% a 97,041 pontos.
Indicadores globais
- Bolsas asiáticas: Xangai +0,04%, Japão +0,30%
- Bolsas europeias: Paris -0,19%, Frankfurt -0,62%, Londres -0,27%
- Petróleo: WTI outubro em NY a US$ 63,87 o barril (+0,90%)
Realização de lucros e fundamentos do mercado
Após os ganhos recentes, o mercado cafeeiro brasileiro realiza lucros nesta terça-feira, com preços pressionados pelos fundamentos. Segundo o Escritório Carvalhaes, os estoques de café permanecem baixos, a quebra da safra 2025 de arábica foi confirmada e o clima irregular nas principais regiões produtoras eleva as preocupações sobre o tamanho da próxima safra.
Além disso, a desorganização do comércio mundial de café, impactada por tarifas de 50% impostas pelo presidente Trump sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, contribui para a volatilidade das cotações em Nova York e Londres.
O Barchart aponta que a falta de chuvas nas regiões produtoras antes do período crítico de floração tem pressionado os preços. Segundo o Climatempo, Minas Gerais não registrou precipitação na semana encerrada em 13 de setembro, intensificando o alerta sobre a próxima safra.
Preços futuros do café
- Arábica (cents/lbp):
- Setembro/25: 431,30 (queda de 105 pontos)
- Dezembro/25: 418,30 (ganho de 65 pontos)
- Março/26: 400,55 (perda de 55 pontos)
- Robusta (US$/tonelada):
- Setembro/25: 5.042 (+225)
- Novembro/25: 4.819 (-23)
- Janeiro/26: 4.750 (-24)
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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