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Mudanças climáticas aumentam riscos contratuais no agro e tornam seguro agrícola essencial

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Clima extremo agrava riscos para o agronegócio

Eventos climáticos severos, como enchentes, ventanias intensas, geadas e neve fora de época, vêm causando prejuízos diretos ao setor agropecuário, além de ampliar significativamente os riscos contratuais e jurídicos para produtores rurais. Neste contexto, o seguro agrícola deixa de ser uma opção e passa a ser uma ferramenta estratégica para mitigar esses riscos.

Cenário recente de impactos climáticos no Brasil

Entre janeiro e maio de 2025, várias regiões foram afetadas: no Sudeste, o Vale do Aço (MG) enfrentou enchentes e deslizamentos; no Rio Grande do Sul, ventos de até 141 km/h (fenômeno bow-echo) e neve incomum na serra gaúcha e catarinense marcaram o período, acompanhado de chuvas acima da média. O Met Office, Centro Nacional de Meteorologia do Reino Unido, alerta para uma estiagem severa nos próximos meses, que traz insegurança para produtores de grãos e pecuaristas.

Seguro rural como ferramenta de proteção e segurança jurídica

O aumento na procura pelo seguro rural reflete essa preocupação crescente. Programas governamentais, como o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), têm facilitado o acesso, especialmente para pequenos e médios produtores.

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A advogada Rúbia Soares destaca que o seguro deve ser visto como investimento, não despesa, diante do novo padrão climático muitas vezes imprevisível. “Isso gera insegurança, sobretudo em contratos de venda futura”, explica.

Consequências jurídicas da perda de safra

Rúbia alerta que os impactos legais vão além das perdas financeiras imediatas. “A perda da produção compromete o cumprimento de contratos de venda futura, gerando riscos de notificações, execuções e ações judiciais por inadimplemento”, afirma.

Além disso, quando a produção é usada como garantia em operações de crédito rural, a perda da safra pode levar à execução de garantias, penhora de bens e outros desdobramentos legais, aumentando a vulnerabilidade do produtor.

Crescimento dos litígios relacionados a seguros

Outro ponto crítico é o aumento dos conflitos entre produtores e seguradoras. “Muitos produtores enfrentam negativas de cobertura baseadas em cláusulas técnicas, interpretações restritivas ou falhas na declaração do risco”, explica Rúbia. Por isso, ela recomenda acompanhamento jurídico na contratação para entender cláusulas, exclusões e critérios de acionamento do seguro.

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Seguro agrícola como parte da governança jurídica no campo

Por fim, a advogada reforça que, no cenário atual, a ausência do seguro não só expõe o produtor a riscos financeiros, mas também amplia sua vulnerabilidade jurídica. “As mudanças climáticas deixaram de ser exceção para se tornar regra. O seguro agrícola precisa ser um elemento central na governança jurídica do produtor para evitar prejuízos econômicos e legais”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Inadimplência avança no agro e recuperações judiciais atingem pico histórico

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A inadimplência no crédito rural mais que dobrou em 12 meses e os pedidos de recuperação judicial (RJ) atingiram o maior nível da série histórica, refletindo o aperto financeiro no campo. Dados do Banco Central mostram que, em janeiro último, o índice de atrasos acima de 90 dias entre produtores pessoas físicas chegou a 7,3%, ante 2,7% no mesmo período do ano passado. Já as recuperações judiciais somaram 1.990 pedidos em 2025, alta de 56,4% em relação a 2024, segundo a Serasa Experian.

O avanço ocorre em um cenário de margens mais estreitas, sobretudo em culturas como soja e milho, combinado com juros elevados e maior rigor na cobrança por parte de credores. Bancos, tradings e empresas da cadeia têm reduzido a tolerância com atrasos, o que tem levado mais produtores a buscar a recuperação judicial como forma de reorganizar dívidas.

Ao mesmo tempo, cresce no campo a atuação de escritórios especializados que passaram a oferecer a RJ como solução para o endividamento. Na prática, produtores com dificuldade de caixa são abordados e orientados a ingressar com o pedido, muitas vezes sem uma avaliação completa dos impactos sobre a continuidade da atividade.

Apesar de aliviar a pressão no curto prazo, a recuperação judicial tem trazido efeitos colaterais relevantes. O principal deles é a perda de acesso ao crédito, fator decisivo para o financiamento da safra. Sem capital para plantar, parte dos produtores reduz a área cultivada ou recorre ao arrendamento de terras como forma de manter alguma geração de renda.

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O movimento atual está ligado, em grande parte, às decisões tomadas no ciclo de alta das commodities entre 2021 e 2023. Com preços elevados e crédito mais acessível, houve expansão da produção e aumento do endividamento. Com a reversão do cenário, juros mais altos e queda nas cotações, produtores mais alavancados perderam liquidez.

A recuperação judicial, que ganhou força no agro a partir de 2021, passou a ser utilizada tanto por produtores em dificuldade real quanto por aqueles que buscaram o instrumento como estratégia para renegociar dívidas. Esse uso mais amplo começa a gerar distorções e tende a perder força à medida que os efeitos práticos se tornam mais evidentes.

Apesar da alta recente, o número de RJs ainda é pequeno frente ao universo do setor. O Brasil tem cerca de 5 milhões de produtores rurais, sendo que aproximadamente 1,1 milhão acessam crédito. Ainda assim, o aumento da inadimplência já pressiona o sistema financeiro, encarece o crédito e eleva a seletividade para novos financiamentos.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o cenário atual é resultado de uma combinação de fatores de mercado com falhas de política agrícola. “O produtor está pagando a conta de um ciclo mal calibrado. Tivemos incentivo à expansão em um momento de crédito farto, mas sem instrumentos suficientes de proteção quando o cenário virou. Faltou previsibilidade e gestão de risco na política pública”, afirma.

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Segundo ele, a forma como a recuperação judicial vem sendo difundida no campo também preocupa. “Criou-se um ambiente em que a RJ é apresentada como solução fácil. Muitos produtores entram sem ter clareza de que vão perder acesso ao crédito e comprometer a próxima safra. Isso precisa ser tratado com mais responsabilidade”.

Rezende avalia que o problema tende a persistir ao longo de 2026, mas não caracteriza uma crise estrutural do agro. “O setor continua forte, competitivo, mas passa por um ajuste. O risco é esse ajuste ser agravado por decisões equivocadas, tanto no campo quanto fora dele. Sem crédito acessível e com custo elevado, o produtor perde capacidade de reagir”.

Fonte: Pensar Agro

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