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Produtores de café arábica no Cerrado Mineiro começam a testar variedades de canéfora diante das mudanças climáticas
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Tradicionalmente voltado para o cultivo de café arábica, o Cerrado Mineiro — uma das principais regiões produtoras do Brasil — começa a experimentar a produção de grãos canéfora (como conilon e robusta). A informação foi confirmada por Rodolfo Climaco, gerente de agricultura da Nestlé, durante entrevista concedida na quarta-feira (11).
Adaptação climática é um dos principais fatores da mudança
O café arábica, embora valorizado por sua qualidade, é mais sensível às variações climáticas e demanda temperaturas mais amenas para se desenvolver. Já os grãos canéfora são mais resistentes ao calor e à seca, o que os torna uma alternativa viável frente aos impactos cada vez mais evidentes das mudanças climáticas.
“Recentemente, eu visitei o Cerrado, e já tem produtores, grandes produtores de arábica, fazendo testes com café canéfora, conilon, no Cerrado Mineiro”, relatou Climaco.
Região 100% arábica pode passar por transformação histórica
A possível adoção do conilon no Cerrado Mineiro representa uma mudança significativa na tradição da região. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 100% da produção atual da área é composta por café arábica. Caso a tendência se consolide, o perfil agrícola do Cerrado poderá passar por redefinições importantes nos próximos anos.
Alta no preço do conilon também impulsiona testes com novas variedades
Em setembro do ano passado, a agência Reuters já havia apontado que os preços recordes do canéfora estavam incentivando sua expansão em áreas que, historicamente, produziam apenas arábica. Esse fator econômico se soma às preocupações climáticas, influenciando as decisões dos cafeicultores.
Decisão dos produtores será influenciada por clima, produtividade e rentabilidade
Embora a produtividade e lucratividade ainda sejam pontos centrais na escolha das variedades a serem cultivadas, Climaco destaca que as mudanças climáticas devem se tornar o principal fator de decisão para os produtores.
“O grande fator que vai pesar na escolha entre arábica ou não será, de fato, o clima. O canéfora é um café mais resistente e menos suscetível a essas mudanças”, afirmou o gerente da Nestlé.
Perspectivas para o futuro do cultivo no Cerrado
A introdução de novas variedades de café no Cerrado Mineiro reflete uma estratégia de adaptação do setor agrícola às condições ambientais e econômicas atuais. Com isso, os produtores da região buscam garantir a sustentabilidade da produção e a resiliência frente às mudanças climáticas, que já começam a redesenhar o mapa cafeeiro do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mercado de arroz segue travado em abril, com preços firmes e baixa liquidez no Brasil
A primeira quinzena de abril consolidou um cenário de baixa liquidez no mercado de arroz, marcado pelo desalinhamento entre a oferta potencial e a disponibilidade efetiva do produto. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a formação de preços segue descolada do fluxo de negociações.
De acordo com ele, o comportamento do produtor tem sido determinante nesse contexto. A retenção estratégica dos estoques, motivada por margens abaixo do custo de produção, limita a oferta no mercado e reduz o volume de negócios.
Intervalo de preços indica estabilidade artificial no mercado
Durante o período, as cotações oscilaram dentro de uma faixa entre R$ 61 e R$ 68 por saca de 50 quilos, configurando um piso no curto prazo. No entanto, essa estabilidade não reflete um mercado ativo.
Segundo o analista, trata-se de uma estabilidade artificial, com preços ofertados, mas sem efetivação de negociações, em um ambiente de baixa profundidade no mercado spot.
Indústria compra apenas para reposição imediata
Do lado da demanda, a indústria manteve uma postura cautelosa, realizando aquisições pontuais e voltadas exclusivamente à reposição de curto prazo. Esse comportamento reforça o cenário de poucos negócios e contribui para a manutenção do mercado travado.
Exportações perdem competitividade com queda do dólar
No mercado externo, a competitividade do arroz brasileiro apresentou deterioração significativa ao longo da quinzena. O principal fator foi a valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando abaixo de R$ 5,00.
Esse movimento reduziu as margens de exportação (FOB), tornando inviável a participação do Brasil em mercados internacionais. Como consequência, o país atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o diferencial competitivo necessário para exportações nas Américas.
Queda na demanda externa reduz ritmo de embarques
Após um início de ano com volumes expressivos, superiores a 600 mil toneladas no trimestre, o mercado registrou desaceleração nas exportações. A redução da atratividade do produto brasileiro resultou em retração da demanda internacional.
Com isso, as exportações deixaram de cumprir o papel de escoamento da produção, ampliando a pressão sobre o mercado interno.
Entrada da nova safra amplia oferta e pressiona dinâmica do mercado
O período também foi marcado pela transição entre o fim da entressafra e a chegada da nova safra, com avanço da colheita e consolidação de uma produção volumosa, com boa produtividade.
Esse aumento na oferta potencial, somado à retração das exportações e à baixa liquidez interna, reforça o cenário de desequilíbrio entre produção e comercialização.
Cotação do arroz registra leve alta na semana, mas segue abaixo de 2025
No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a média da saca de 50 quilos (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,14 na quinta-feira (16), registrando alta de 0,77% em relação à semana anterior.
Na comparação mensal, o avanço foi de 7,12%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda acumula queda de 18,14%, evidenciando o cenário desafiador para o setor orizícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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