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Produtores rurais podem transformar créditos de ICMS em capital de giro e reduzir dependência de empréstimos
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Mesmo com respaldo legal no Estado de São Paulo, muitos produtores rurais desconhecem a possibilidade de converter créditos acumulados de ICMS em capital de giro. A medida, prevista na Portaria CAT 153/2011, pode reforçar o caixa sem necessidade de recorrer a financiamentos bancários, mas a falta de orientação técnica ainda mantém milhões de reais parados.
Segundo Altair Heitor, contador, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio, a ausência de conhecimento e assessoria especializada é o principal entrave. “O ICMS impacta diretamente o fluxo de caixa do produtor. Poucos sabem que é possível transformá-lo em recurso disponível para reinvestimento, de forma legal e segura”, afirma o especialista, que atua há mais de 20 anos no setor.
Valores acumulados podem chegar a milhões de reais
Os créditos de ICMS resultam das operações agropecuárias e, quando corretamente apurados, podem atingir cifras expressivas. Heitor relata casos de produtores que movimentaram mais de R$ 70 milhões por meio desse mecanismo. Em muitos casos, os recursos ficaram indisponíveis devido a falhas documentais simples ou à ausência de processos administrativos adequados.
Para que o crédito seja liberado, é necessário credenciamento e solicitação formal, tanto para créditos extemporâneos quanto mensais. Sem o atendimento aos critérios da Secretaria da Fazenda, o pedido pode ser indeferido.
Revisão fiscal é passo estratégico no segundo semestre
O especialista recomenda que produtores realizem uma revisão fiscal dos últimos cinco anos para identificar créditos não utilizados. Ele ressalta que o segundo semestre é um período oportuno para essa análise, já que coincide com o planejamento da segunda safra. “Em vez de contrair novos financiamentos com juros altos, o produtor pode utilizar um valor que já é seu por direito, desde que tenha a devida habilitação técnica”, destaca.
Habilitação deve ser feita pelo e-CredRural
A solicitação dos créditos de ICMS deve ser realizada pelo sistema e-CredRural da Secretaria da Fazenda paulista. O processo exige organização documental rigorosa e acompanhamento profissional para garantir conformidade e evitar perdas financeiras por inconsistências formais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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