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STOXX 600 despenca e tem pior semana em três anos após tarifas impostas pelos EUA
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O principal índice acionário da Europa registrava forte queda nesta sexta-feira (XX), encaminhando-se para sua maior desvalorização semanal em três anos. O movimento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar novas tarifas comerciais abrangentes, intensificando os temores de uma recessão global.
O índice STOXX 600 recuava 3,05%, alcançando 507,17 pontos, acumulando perdas de 5% na semana – sua pior performance semanal desde fevereiro de 2022. A decisão dos EUA de impor tarifas efetivas de 20% sobre produtos europeus afetou diretamente o mercado, levando investidores a aumentar as expectativas de cortes na taxa de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) como forma de impulsionar o crescimento econômico.
Diante desse cenário, operadores do mercado agora projetam uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros pelo BCE ainda neste mês, além de outras duas possíveis reduções até o final de 2025.
“A União Europeia provavelmente adotará medidas de retaliação, embora o processo de resposta seja gradual. O impacto líquido dessas tarifas sobre a inflação na zona do euro ainda é incerto, mas os riscos podem ser inclinados para uma desaceleração”, afirmaram economistas do Deutsche Bank. Segundo estimativas do banco, as tarifas dos EUA podem reduzir entre 0,4 e 0,7 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro.
O governo francês, em alinhamento com a União Europeia, deve responder às medidas tarifárias dos EUA com ações recíprocas, previstas inicialmente para meados de abril e novamente no fim do mês, segundo um porta-voz do governo da França.
Setor bancário lidera perdas no mercado europeu
Os bancos europeus, mais sensíveis às perspectivas econômicas, lideraram as quedas no mercado, acumulando desvalorização de 11% em apenas duas sessões – a pior desde março de 2020.
A forte valorização do STOXX 600 no início do ano foi impulsionada por expectativas de estímulos fiscais na Alemanha. No entanto, os receios em torno das tarifas impostas pelos EUA e seus impactos sobre o comércio global reduziram o apetite dos investidores por risco, levando o índice a recuar 9,1% em relação ao pico alcançado no mês anterior.
Confira o desempenho dos principais índices acionários da Europa no fechamento desta sexta-feira:
- Londres (FTSE 100): -2,35%, a 8.275 pontos
- Frankfurt (DAX): -3,17%, a 21.028 pontos
- Paris (CAC 40): -2,68%, a 7.395 pontos
- Milão (FTSE MIB): -5,48%, a 35.038 pontos
- Madri (Ibex 35): -4,47%, a 1.601 pontos
- Lisboa (PSI 20): -2,03%, a 6.825 pontos
O cenário segue instável, com os mercados atentos aos desdobramentos das medidas tarifárias dos EUA e à resposta da União Europeia nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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