TECNOLOGIA
Grupo de trabalho debate aprimoramento nas estimativas de emissões para os setores Energia e Processos Industriais
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O Grupo Técnico sobre o Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE), estabelecido no âmbito do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), debateu, nesta quarta-feira (9), as lacunas de dados e as oportunidades de aprimoramento das estimativas de emissões para os setores Energia e Processos Industriais e Uso de Produtos (IPPU, na sigla em inglês). Participaram do evento online cerca de 30 pessoas, incluindo representantes de pastas ministeriais envolvidas, como o Ministério de Minas e Energia (MME), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Os trabalhos são conduzidos pela Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Secretaria Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
O setor Energia estima as emissões de GEE oriundas de queima de combustíveis fósseis, como diesel e gasolina, e as chamadas emissões fugitivas, que são as perdas de gases do processo de produção de energia, como os que ocorrem na extração e processamento de petróleo e gás natural. O setor IPPU estima as emissões decorrentes de processos produtivos nas indústrias, como os processos químicos que ocorrem na produção de cimento, vidro, calcário, entre muitos outros, e das emissões fugitivas de GEE utilizados em produtos, como os gases utilizados na indústria de refrigeração, equipamentos elétricos e eletrônicos.
Em 2022, o setor Energia contribuiu com 20,5% do total de emissões de GEE do Brasil e IPPU com 5%. “Mesmo tendo uma participação menor, comparado a outros setores do Inventário Nacional, Energia e IPPU são setores são relevantes para a economia. É muito importante ter acurácia dos dados, principalmente, por conta dos efeitos que os resultados das emissões podem ter sobre a competitividade, em especial considerando um futuro mercado de carbono”, explicou o supervisor do Inventário Nacional, Régis Rathmann, durante a apresentação.
Aumentar a acurácia do Inventário Nacional de GEE passa por aprimorar, sistematizar e atualizar as bases de dados primários utilizadas para estimar as emissões.
Para Energia, uma das oportunidades de aprimoramento mencionadas é a inclusão da categoria de veículos eletrificados, que recentemente cresceu no país. Segundo dados da Anfavea, cerca de 5% de veículos leves vendidos em 2023 foram a bateria e híbridos. Outro aspecto que pode ser melhorado é suprir a lacuna de informações sobre captura de carbono e a contabilização de emissões fugitivas associadas à exploração, produção, refino e transporte de petróleo e gás natural por outras empresas que não a Petrobras.
O cálculo das estimativas de emissões de IPPU dependem de dados de atividade que são providos por instituições públicas e por associações, como os anuários estatísticos de setores industriais. Entre os obstáculos enfrentados para manter a acurácia dos resultados está a descontinuidade de publicação de alguns dados como os anuários do Setor de Transformação de Não Metálicos e Setor Metalúrgico. O supervisor destacou que essas são informações fundamentais e que o Grupo de Trabalho pode colaborar para avançar na mobilização setorial para disponibilizar dados. “O setor de cimento brasileiro é melhor que a média mundial, alguns setores de ferro e aço também. É importante utilizar fatores nacionais para reportar resultados que melhor representam a realidade local. O envolvimento da inciativa privada é muito relevante”, analisou sobre relação entre emissões e competitividade.
Participação de especialistas – Dois especialistas nos setores de Energia e IPPU participaram da reunião. A pesquisadora da COPPE/UFRJ especialista em energia, Carolina Dubeaux, destacou que o setor Energia do Inventário Nacional já é bastante acurado, pois utiliza banco de dados é sólido, como o Balanço Energético Nacional (BEN), que contempla grande parte das emissões do setor. Segundo Dubeaux, a utilização do guia da EPE poderia facilitar a transposição das categorias do Inventário Nacional, preconizadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). Com a Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE). “Conseguimos ter mais acurácia para a transposição das categorias”, disse.
O especialista e revisor de inventários no âmbito da Convenção do Clima, Mauro Meirelles, afirmou que para IPPU, a categoria mais relevante é ferro e aço. Ele reiterou a importância de colaboração das associações industriais e da iniciativa privada no fornecimento de dados. “É necessário caminharmos todos juntos”, alertou.
GT Inventário Nacional – Essa foi a quarta reunião do grupo técnico. A primeira foi realizada em novembro de 2024, quando foi definido o cronograma de trabalho. Em fevereiro, discutiu o Setor Agropecuária, e em março o Setor Uso da Terra (LULUCF). A próxima reunião vai abordar o Setor Resíduos.
Entre as metas do GT está a elaboração de um plano de ação com tarefas, prazos e responsáveis, contemplando as sugestões de aprimoramento apresentadas, discutidas, validadas e com análise de viabilidade de implementação. Os aprimoramentos coletados no grupo de trabalho para o Inventário Nacional visam propor subsídios para o monitoramento do Plano Clima Mitigação e da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, ou seja, uma ferramenta para a gestão da política climática no âmbito nacional.
Acesse o Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil e o Relatório do Inventário Nacional, que reúne o detalhamento metodológico. Acesse a cartilha Entenda o Inventário Nacional de GEE.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

