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Exportações de sorgo para a China desabam com guerra comercial, mas produtores dos EUA apostam em aumento do plantio
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Impacto direto da guerra comercial
A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, intensificada pelo governo do então presidente Donald Trump, atingiu em cheio os produtores de sorgo norte-americanos. Um dos casos é o de Dan Atkisson, agricultor no Kansas, que se prepara para ampliar o plantio da cultura em 25% nesta primavera, mesmo diante do cenário adverso.
A China, principal compradora do sorgo dos EUA, respondeu por quase 90% das exportações americanas do grão no ano anterior, com uso destinado à alimentação animal e à produção do tradicional licor baijiu. Entretanto, as tarifas retaliatórias entre as duas potências econômicas praticamente estagnaram esse comércio.
Queda drástica nas exportações
Segundo dados do governo dos EUA, as exportações de sorgo para a China despencaram de mais de 1,4 milhão de toneladas métricas nos primeiros dois meses do ano anterior para apenas 78.316 toneladas métricas em janeiro e fevereiro deste ano — uma retração de 95%. Na semana encerrada em 3 de abril, a China comprou apenas 244 toneladas métricas do grão, após três semanas sem qualquer aquisição.
Essa redução representa um duro golpe para agricultores que, em sua maioria, apoiaram Trump nas eleições. Diante da incerteza do mercado, muitos cogitam abandonar a cultura, enquanto outros, com poucas opções viáveis, optam por aumentar o plantio. Há também quem reveja o apoio às políticas comerciais do ex-presidente.
Aposta na resiliência da cultura
Mesmo com o cenário adverso, Atkisson projeta cultivar aproximadamente 405 hectares de sorgo em Stockton, Kansas — um incremento de 80 hectares em relação ao ano passado — como parte de sua estratégia de rotação de culturas. Em todo o país, a expectativa é de que o plantio cresça 4% este ano, atingindo o maior nível desde 2023, conforme projeção do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Ao mesmo tempo, o USDA prevê uma redução significativa nas áreas destinadas à soja, que deve alcançar o menor nível em cinco anos, e ao trigo de primavera, com estimativa de menor área plantada desde 1970.
Esperança de ajuda governamental
A resiliência à seca e o custo mais baixo das sementes em relação ao milho também são fatores que mantêm o sorgo como alternativa viável. Muitos produtores apostam ainda em uma possível resolução da guerra comercial ou em programas de ajuda federal para compensar perdas.
Contudo, segundo economistas, uma solução rápida para o impasse comercial permanece incerta. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, declarou que o governo pode levar meses para anunciar um novo plano de apoio aos agricultores.
Em nota, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que o governo Trump está comprometido em ampliar os mercados para o setor agrícola e “garantir que os agricultores tenham o suporte necessário para alimentar o mundo”.
Estoques elevados e preços em queda
Com a redução da demanda chinesa, os preços pagos pelo sorgo destinado à produção interna de etanol ou ração animal caíram significativamente, segundo relatos de produtores. Os estoques do grão aumentaram 42% em comparação ao ano anterior, alcançando 150 milhões de bushels em 1º de março, conforme dados do USDA.
“Se o preço cair o suficiente, alguém acaba utilizando”, avaliou Atkisson, acrescentando que não possui mais estoques da colheita anterior. “Mas esse é o problema: será necessário reduzir o valor do grão armazenado para viabilizar sua comercialização”.
Exportações atingem o menor nível desde 2018
A pressão sobre os produtores também vem da concorrência internacional, especialmente do Brasil, que tem aumentado sua participação nas exportações globais de soja e milho. A China, maior importadora de soja do mundo, vem diversificando suas compras desde a guerra comercial iniciada em 2018.
O USDA projeta que as exportações totais de sorgo dos EUA recuarão 58% na safra 2024/25, somando 2,54 milhões de toneladas métricas — o menor volume desde 2018/19.
Cautela e mudança de planos
Apesar da queda no mercado externo, alguns produtores permanecem fiéis ao sorgo. Don Bloss, de Pawnee City, Nebraska, planeja plantar 200 hectares do grão em maio. Embora tenha votado em Trump, ele demonstra preocupação com os impactos da política tarifária. “Levamos anos para construir mercados para nossos grãos, e agora tudo pode ser desfeito rapidamente”, lamentou.
Outros, como Glenn Brunkow, de Wamego, Kansas, decidiram migrar para o cultivo de milho, que tem se mantido valorizado graças às exportações aquecidas. O USDA estima um crescimento de 5% na área de milho em 2025, alcançando o maior patamar em 12 anos. “O preço do sorgo já chegou a ser igual ou até superior ao do milho. Agora, isso mudou”, afirmou Brunkow.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mapa debate agricultura regenerativa durante a Rio Nature & Climate Week
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou, no dia 2 de junho, do III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, um dos eventos-âncora da Rio Nature & Climate Week (RNCW), realizada no Rio de Janeiro (RJ). O encontro reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir o papel do sistema financeiro global como catalisador de um desenvolvimento econômico alinhado à agenda climática, à natureza e à prosperidade global.
Representando o Mapa, o assessor especial do ministro e coordenador do Programa Caminho Verde Brasil, Pedro Cunto, participou do painel “Segurança alimentar e adaptação climática”, que abordou temas diretamente relacionados à iniciativa coordenada pela Pasta.
Durante o debate, Cunto destacou que os produtores rurais estão cada vez mais conscientes da importância da sustentabilidade para o setor agropecuário. Ele também apresentou os próximos passos do Programa Caminho Verde Brasil e as ações voltadas à ampliação do acesso ao financiamento.
“Ano que vem vamos fazer um novo leilão pelo Eco Invest Brasil, com US$ 500 milhões da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), para atender pequenos e médios produtores. Estamos negociando para que empresas japonesas participem como empresas-âncoras para dar apoio aos produtores e garantias aos bancos e vamos ter uma empresa para fornecer assistência técnica e monitoramento dos projetos, reduzindo os custos operacionais do programa”, afirmou.
Também participante do painel, o sócio-diretor da Agroícone, Rodrigo Lima, destacou a importância da agricultura regenerativa e da recuperação da fertilidade dos solos. “Um elemento inerente a qualquer agricultura regenerativa é solo fértil. E solo em processo de degradação é sempre um problema e pode chegar a ser improdutivo. O Caminho Verde tem R$ 30 bilhões para financiar, é super importante, mas é preciso ampliar o financiamento para restauração e facilitar o acesso ao crédito para as diferentes agriculturas que o mundo tem. Estes são desafios muito importantes para a COP31”, disse.
Ao tratar dos desafios para ampliar os investimentos destinados ao programa, Pedro Cunto ressaltou os obstáculos para atrair capital estrangeiro ao país. “Trazer capital estrangeiro para o Brasil fica inviável por causa do hedge cambial e da taxa de juros. Precisamos de mecanismos de garantia e de redução de risco mais baratos que tornem viável esse fluxo de capital internacional”, observou.
O Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza é um espaço global de articulação entre finanças, clima e natureza, com foco na implementação. Realizado por sete organizações da sociedade civil, o fórum lidera, desde 2024, debates estratégicos que reúnem lideranças dos setores público, privado e social, além de organizações multilaterais do Brasil e do mundo.
A terceira edição do evento foi organizada pelo Instituto Igarapé, Aya Institute, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Arapyaú, Instituto Itaúsa, Open Society Foundations e Uma Concertação pela Amazônia, instituições parceiras da Rio Nature & Climate Week.
Compromisso com o desenvolvimento sustentável
Coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o Programa Caminho Verde Brasil promove a restauração de terras degradadas em todo o país para que sejam utilizadas em sistemas produtivos sustentáveis.
A iniciativa tem como objetivo restaurar 40 milhões de hectares de terras degradadas ao longo de dez anos, promovendo a segurança alimentar, apoiando a transição energética e contribuindo para que o Brasil cumpra suas metas ambientais, consolidando o protagonismo do país na agenda da agricultura sustentável.
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