CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Parlamentares pressionam governo por ações urgentes em apoio aos produtores rurais do Rio Grande do Sul

Publicados

AGRONEGOCIOS

Situação crítica no campo gaúcho é debatida na Câmara

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados promoveu, na terça-feira (22), uma audiência pública para discutir os efeitos da estiagem e das recentes enchentes no Rio Grande do Sul, bem como soluções para as dívidas acumuladas pelos produtores. A iniciativa partiu do deputado Afonso Hamm (PP-RS), que alertou para a gravidade do cenário rural no estado: “Estamos diante de uma sequência trágica de eventos climáticos, e o produtor está no limite. Vamos precisar do governo. Se o governo não nos ajudar, nós não sairemos dessa.”

Desde 2018, o estado já foi impactado por cinco secas e duas enchentes, sendo a mais severa registrada em 2024, afetando aproximadamente 90% do território gaúcho. Atualmente, ao menos 50 municípios – cerca de 10% do total – decretaram situação de emergência devido à escassez de chuvas. A estiagem compromete a produção agrícola, gera prejuízos econômicos e agrava a falta de crédito, colocando em risco a continuidade das atividades no campo.

Irrigação, crédito e seguro rural dominam os debates

Durante a audiência, o deputado Afonso Hamm agradeceu o apoio do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, e defendeu a necessidade de interlocução direta com o governo federal. “Precisamos de suporte governamental para chegar aos agentes financeiros, fornecedores e agroindústrias. O produtor precisa de apoio para continuar colocando comida na mesa dos brasileiros”, declarou.

Augusto Nardes, por sua vez, enfatizou a urgência de investimentos em infraestrutura hídrica. “Visitei 40 municípios recentemente e o que vejo é um estado à beira de uma calamidade. É preciso coragem política para estabelecer uma política de irrigação robusta. O governo precisa reconhecer o que o Rio Grande do Sul já fez pelo país e retribuir com ações concretas.”

Leia Também:  Preparativos para a Safra 2025/26 de Uvas no Sul do Brasil Avançam no Paraná

O secretário de Desenvolvimento Rural do estado, Vilson Luiz Covatti, destacou que cerca de R$ 28 bilhões em dívidas vencem em 2025 e ressaltou a importância de uma ação conjunta entre Executivo e Legislativo. “Temos que focar nos produtores que mais precisam e viabilizar soluções de curto, médio e longo prazo”, disse.

O Banco Central, por meio do chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações de Crédito Rural e do Proagro, Claudio Filgueiras, reconheceu o acúmulo de prejuízos no setor agrícola gaúcho. “Nos últimos cinco anos, a agricultura do estado vem enfrentando perdas consecutivas. Mitigação de riscos e readequação são urgentes; mudanças não acontecem da noite para o dia, mas precisamos começar.”

FPA critica lentidão do governo federal

O presidente da Comissão de Agricultura, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), alertou para o risco de colapso do setor agropecuário no estado caso o Congresso Nacional não ofereça o apoio necessário. Para o deputado Pedro Westphalen (PP-RS), é preciso união e ação imediata, com medidas estruturadas que possam ser replicadas em outras regiões.

O deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) defendeu a liberação célere de recursos e sugeriu a adoção de um modelo de securitização de dívidas semelhante ao aplicado no governo Fernando Henrique. Em participação remota, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) cobrou mais transparência e respostas concretas do governo federal, com a reabilitação urgente do crédito rural.

O deputado Zucco (PL-RS) destacou que o endividamento dos produtores ultrapassou os limites do aceitável, colocando o setor em risco. Já o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) reforçou a necessidade de medidas estruturantes, como renegociação de dívidas, investimentos em irrigação e adoção de novas tecnologias.

Leia Também:  Safra recorde de soja contrasta com queda nas margens e pressiona produtores no Brasil

Encerrando a audiência, Afonso Hamm recordou que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em parceria com a Farsul e a Fetag, já havia promovido, no início do ano, uma audiência para tratar da situação do estado. “Naquela ocasião, os dados apresentados por Antônio da Luz já indicavam um cenário grave. Hoje, esses números estão ainda piores, e os dados de 2025 devem evidenciar a urgência de um apoio robusto.”

Participaram também da audiência os deputados Sanderson (PL-RS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Pompeu de Mattos (PDT-RS).

Atuação da FPA em apoio aos produtores gaúchos

Diante das enchentes de 2024, a Frente Parlamentar da Agropecuária atuou de forma emergencial, oferecendo suporte aos produtores rurais e à população atingida. A bancada divulgou nota oficial em solidariedade às vítimas e reafirmou seu compromisso com políticas públicas eficazes, que garantam segurança, dignidade e condições adequadas de trabalho no campo.

Entre as ações da FPA, destaca-se a articulação de uma audiência pública conjunta entre a Comissão de Agricultura e a Comissão Externa sobre Danos Causados pelas Enchentes, com foco na reconstrução dos municípios afetados e na recuperação econômica. A iniciativa foi conduzida pelo deputado Afonso Hamm, com a participação de parlamentares como Marcel van Hattem (Novo-RS) e Lucas Redecker (PSDB-RS).

A bancada também criticou a Medida Provisória 1247/24, por entender que a proposta não atende de forma satisfatória os produtores prejudicados. Além disso, manifestou-se contrária ao veto presidencial à prorrogação das dívidas rurais e apoiou o Projeto de Lei 2764/2024, que autoriza a compra emergencial de alimentos para recomposição de estoques públicos em situações de calamidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

Publicados

em

A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

Leia Também:  Inoculante inovador da Biosphera potencializa Fixação Biológica de Nitrogênio na soja com fórmula bifásica

No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

Leia Também:  Na AgriZone, Mapa apresenta o Projeto Castanha Sustentável

A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA