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Grão Mogol se consolida na produção de vinhos e conquista prêmio nacional com uvas cultivadas no semiárido mineiro

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Produção de uvas no semiárido surpreende com alta produtividade

Localizado ao pé da Cordilheira do Espinhaço, no Norte de Minas, o município de Grão Mogol tem desafiado as expectativas em relação à produção de frutas de clima temperado em regiões semiáridas. Apesar das chuvas escassas — cerca de 900 mm por ano — e do clima quente e seco, produtores locais têm alcançado resultados expressivos no cultivo de uvas para consumo in natura e produção de vinhos.

Tecnologia, irrigação e manejo correto impulsionam vitivinicultura

O sucesso da vitivinicultura local é atribuído ao uso da fertirrigação, a adoção de boas práticas agrícolas, o intercâmbio de informações entre produtores e o suporte técnico da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A variedade francesa Merlot, por exemplo, vem apresentando produtividade média de 4 kg por planta, com duas safras anuais. O resultado é a produção de vinhos variados, como espumantes, vinhos brancos, licorosos, jovens e tintos de guarda — estes últimos com potencial de envelhecimento de até 20 anos em adega.

Reconhecimento nacional e premiação no setor vinícola

O trabalho iniciado em 2017 já se tornou referência. Em 2023, o vinho Casa Velha, produzido pela vinícola Vale do Gongo, dos empresários e irmãos Alexandre e Gésio Damasceno, ao lado do sócio Guilherme Saege, conquistou a medalha Grande Ouro no Concurso Nacional de Vinhos de Mesa, realizado em Bento Gonçalves (RS), cidade reconhecida nacionalmente pela excelência na produção vinícola. Foi a primeira vez que o Norte de Minas obteve destaque em uma premiação nacional do setor. “Comprovamos o potencial do terroir do sertão mineiro”, declarou Alexandre Damasceno, com orgulho.

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Potencial agrícola e enoturismo atraem atenção do governo estadual

Durante visita ao município, o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, elogiou o desempenho da região. Para ele, o vinho representa um produto de alto valor agregado, com forte apelo ao agroturismo. “Além disso, a topografia local, com altitudes entre 800 e 1.100 metros, também é favorável ao cultivo de café. A parceria entre Epamig e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) tem sido fundamental para impulsionar o desenvolvimento local. Grão Mogol é um novo Eldorado”, afirmou.

Início experimental e aprendizado durante a pandemia

A trajetória da Vale do Gongo começou de forma experimental, com o plantio de apenas 46 mudas da variedade Merlot, voltado inicialmente ao consumo próprio. Durante a pandemia da Covid-19, os produtores ampliaram seus conhecimentos por meio de cursos online e lives da Epamig. “Foi assim que tomamos conhecimento sobre as pesquisas com novas cultivares e a técnica da poda invertida ou dupla poda”, relatou Alexandre.

Pesquisa acadêmica e adaptação do manejo ao clima local

A coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Vitivinicultura da Epamig, Renata Vieira, explicou que, devido às particularidades climáticas e de solo do Norte de Minas, é possível realizar duas colheitas anuais apenas com manejo de irrigação e poda, sem necessidade da técnica da dupla poda, comum no Sul de Minas. A Epamig, inclusive, participa de uma tese de doutorado que analisa diferentes manejos da variedade Merlot na vinícola Vale do Gongo. Os resultados da pesquisa ainda não foram publicados.

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Alta produção e qualidade das uvas

Atualmente, a vinícola produz cerca de 60 toneladas de uvas por ano. Parte da safra é destinada ao consumo in natura, enquanto outra parcela é utilizada na produção de aproximadamente 15 mil litros de vinho ao ano. As variedades voltadas ao consumo direto alcançam 50 toneladas por hectare por ano, divididas em dois ciclos produtivos.

Além da quantidade, os produtores também comemoram a qualidade. A maturação fenólica das uvas é favorecida pelas noites frias do microclima local, o que garante alto teor de açúcar, boa acidez e coloração intensa das frutas. O clima seco também contribui para o controle de doenças que costumam afetar a videira.

Expansão do enoturismo impulsiona economia local

A produção de vinhos também deu origem a um novo vetor de desenvolvimento em Grão Mogol: o enoturismo de experiência. A atividade tem fomentado o comércio e os serviços da região. “Nos últimos anos, o turismo local cresceu mais de 300%”, destacou Alexandre, evidenciando o impacto econômico positivo da iniciativa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural

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Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.

O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.

A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.

A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.

“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.

A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.

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O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.

Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.

“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.

O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.

A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.

Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.

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O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.

“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.

Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.

Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.

O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.

A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.

Fonte: Pensar Agro

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