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Dólar Inicia Quarta-feira em Queda e se Aproxima de R$ 5,60; Ibovespa Tem Alta Modesta

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Dólar opera em queda e se aproxima dos R$ 5,60

O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (30), aproximando-se da marca de R$ 5,60. No dia anterior, a moeda norte-americana registrou a oitava desvalorização consecutiva, fechando cotada a R$ 5,6305. Esse foi o menor valor desde o movimento de alta observado após a implementação de tarifas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Dados econômicos no Brasil

Entre os principais eventos econômicos desta quarta-feira estão a divulgação de dois importantes indicadores de emprego. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a taxa de desemprego no país ficou em 7% no primeiro trimestre de 2025. Embora tenha registrado um aumento de 0,8 ponto percentual em comparação ao trimestre anterior (6,2%), a taxa ainda representa uma queda de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024, quando era de 7,9%. Este valor representa a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em março, desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.

Mais tarde, será a vez da divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que acompanham o desempenho do mercado de trabalho formal no Brasil.

Mercados nos EUA: Expectativa de impactos econômicos

Nos Estados Unidos, uma série de dados importantes será divulgada ao longo do dia, incluindo o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, além de indicadores de inflação e emprego. Investidores aguardam os primeiros reflexos da política tarifária de Trump, que, no mês passado, já causou uma queda significativa na confiança empresarial e do consumidor.

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Dólar: Cotação às 9h

Às 9h, o dólar operava com uma queda de 0,25%, sendo cotado a R$ 5,6162. No dia anterior, a moeda fechou com um recuo de 0,31%, a R$ 5,6305. O desempenho da moeda norte-americana acumulou uma queda de 0,99% na semana, 1,32% no mês e 8,89% no ano.

Ibovespa: Tendência de alta moderada

O Ibovespa, índice da bolsa brasileira, iniciou suas negociações às 10h. Na véspera, o índice registrou um leve avanço de 0,06%, encerrando o pregão aos 135.093 pontos. Com isso, o índice acumula uma alta de 0,26% na semana, 3,71% no mês e um significativo ganho de 12,31% no ano.

Movimentações nos mercados internacionais

Nos Estados Unidos, os índices futuros de ações estavam praticamente estáveis pela manhã, enquanto os investidores aguardavam os dados econômicos e os resultados das empresas. Entre os indicadores de destaque estão os dados do PIB americano, a variação do índice de preços PCE (medido pela inflação preferida pelo Federal Reserve) e as estatísticas de emprego da ADP.

A expectativa é que a economia dos EUA tenha registrado um crescimento modesto ou até uma possível contração no trimestre, em virtude das tarifas impostas por Trump. Dados divulgados na terça-feira também apontaram um recorde histórico no déficit comercial de bens em março, com empresários antecipando importações.

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China: Impactos da guerra comercial com os EUA

Na China, o presidente Xi Jinping ressaltou a necessidade de ajustes diante das mudanças no ambiente internacional, enquanto o país se prepara para os próximos planos econômicos quinquenais. A meta de crescimento de “cerca de 5%” para 2025 foi estabelecida, embora analistas indiquem que alcançar esse objetivo se torne cada vez mais difícil devido à desaceleração econômica global exacerbada pelas tarifas impostas pelos EUA.

Nesta quarta-feira, os índices de ações da China apresentaram quedas, refletindo a redução nas exportações devido às tarifas agressivas dos Estados Unidos. O índice CSI300 recuou 0,12%, e o índice SSEC, da Bolsa de Xangai, caiu 0,23%.

Projeções sobre a economia chinesa

O setor industrial da China registrou a menor taxa de crescimento em 16 meses, em abril, como reflexo direto da guerra comercial com os EUA. Investidores esperam que, diante deste cenário, o governo chinês adote medidas mais enérgicas para estimular a economia. De acordo com Lu Ting, economista-chefe do Nomura para a China, as tarifas podem reduzir o PIB chinês em até 2,2%, se a situação persistir.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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