CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Suspensões de importação de carne de frango do Brasil pode dar R$ 1 bi de prejuízo mensal

Publicados

AGRONEGOCIOS

Um dia após a confirmação de um foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul (veja aqui), diversos países importadores de carne de frango do Brasil iniciaram uma reação em cadeia que já impõe consequências econômicas ao setor avícola. A China, a União Europeia, o México, a Argentina e o Japão estão entre os principais mercados que anunciaram a suspensão temporária das compras, total ou parcialmente. O prejuízo do setor pode chegara  R$ 1 bilhão mensal, segundo as primeiras avaliações.

O caso identificado no interior gaúcho foi o primeiro registrado em ambiente de produção comercial no país. Até então, os episódios confirmados estavam restritos a aves silvestres e de subsistência, o que, pela normativa sanitária internacional, não compromete o status de livre da doença. Com o novo registro, a situação muda de patamar. Ainda que o Ministério da Agricultura tenha destacado a pronta resposta das autoridades sanitárias para conter o foco, o impacto imediato no comércio internacional evidencia a fragilidade da confiança em torno da segurança sanitária brasileira.

A extensão dos bloqueios, no entanto, varia conforme os acordos bilaterais. Países como Emirados Árabes, Japão e Filipinas já reconhecem o princípio da regionalização sanitária, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que permite restringir exportações apenas na área afetada — normalmente em um raio de dez quilômetros do foco. Nestes casos, a suspensão se limita ao Rio Grande do Sul. Já mercados como China e União Europeia, por força contratual, adotam restrições mais amplas e determinam o embargo das exportações de todo o território nacional.

Leia Também:  Nikkei registra maior queda semanal em cinco anos com impacto de tarifas dos EUA

O impacto econômico dessas medidas é significativo. O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, com mais de cinco milhões de toneladas embarcadas por ano e receita que supera os dez bilhões de dólares. O Rio Grande do Sul responde por cerca de 10% desse volume. Caso o bloqueio das exportações do estado persista, estima-se que o prejuízo mensal possa chegar a 80 milhões de dólares, considerando contratos interrompidos, redirecionamento da produção ao mercado interno e eventuais perdas de mercado.

O Ministério da Agricultura emitiu nota na qual afirma que “a identificação rápida do caso e as ações efetivas para isolamento, controle e erradicação demonstram a robustez do sistema de inspeção do Brasil”. O texto também reforça que “não há restrição generalizada da exportação de produtos de aves do Rio Grande do Sul” e que o país seguirá os protocolos internacionais estabelecidos nos acordos sanitários em vigor.

Apesar do discurso oficial, o setor já se mobiliza para conter os danos. Representantes da indústria avícola defendem que o país intensifique negociações para que mais mercados reconheçam a regionalização, o que reduziria o impacto de episódios localizados. Na prática, no entanto, decisões comerciais em contextos de sanidade animal raramente se limitam ao critério técnico. A confiança, uma vez arranhada, tende a demorar a ser restabelecida.

Leia Também:  Imea aponta avanço do capital próprio no custeio da soja

Enquanto isso, empresas com produção concentrada no Rio Grande do Sul devem enfrentar dificuldades imediatas. A carne que não for exportada será redirecionada ao mercado interno, o que pode pressionar os preços e causar desequilíbrios logísticos. Grandes frigoríficos, embora operem nacionalmente, também sentem os reflexos das suspensões, tanto na imagem perante os compradores quanto nos custos operacionais.

A situação é monitorada de perto por autoridades sanitárias, que esperam reverter parte das suspensões nos próximos dias. Ainda assim, o episódio expõe a vulnerabilidade de um setor fortemente dependente do mercado externo e reforça a necessidade de estratégias mais robustas de diversificação e blindagem frente a choques sanitários, que, como demonstrado agora, podem surgir de um único ponto no mapa, mas afetar uma cadeia inteira.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGOCIOS

Rural Show projeta novo salto em negócios e reforça avanço do agro

Publicados

em

A cidade de  Ji-Paraná (373 km da capital, Porto Velho), se prepara para a 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, que será realizada entre 25 e 30 de maio. A expectativa é de ampliar novamente o volume de negócios e consolidar a feira como uma das principais vitrines do agronegócio na região Norte. Na edição de 2025, o evento movimentou cerca de R$ 3,5 bilhões em negócios, com mais de 270 mil visitantes e cerca de 650 expositores, segundo o governo estadual. Para 2026, a projeção do setor é de crescimento, puxado pela maior demanda por tecnologia, crédito e soluções produtivas no campo.

Realizada em um momento de expansão da fronteira agrícola no Norte, a feira tem ganhado peso não apenas regional, mas também nacional, ao reunir produtores, empresas, instituições financeiras e centros de pesquisa em um ambiente voltado à geração de negócios. A expectativa é de que a edição deste ano mantenha o ritmo de crescimento, impulsionada principalmente por investimentos em mecanização, irrigação e genética animal.

Leia Também:  Café recua mais de 2% nesta terça-feira em movimento de realização de lucros

O avanço da Rondônia Rural Show acompanha a própria evolução do agronegócio no Estado. Rondônia vem ampliando sua participação na produção nacional, com destaque para a pecuária de corte e leite, além do crescimento da soja e do milho. Esse movimento tem elevado a demanda por tecnologia e assistência técnica, abrindo espaço para eventos que conectam oferta e demanda dentro do setor.

A feira também se consolida como plataforma de acesso a crédito. Instituições financeiras costumam concentrar no evento o lançamento de linhas de financiamento e condições especiais para aquisição de máquinas, equipamentos e insumos. Em um cenário de maior seletividade no crédito rural, esse tipo de ambiente ganha relevância para o produtor que busca viabilizar investimentos.

Outro eixo do evento é a difusão tecnológica. Empresas e instituições apresentam soluções voltadas ao aumento de produtividade e à redução de custos, com foco em sistemas mais eficientes e adaptados às condições da região Norte. A presença de startups e empresas de inovação tem crescido, refletindo a digitalização do campo.

Além da agricultura e da pecuária, a feira abre espaço para cadeias emergentes e produtos de valor agregado, ampliando as oportunidades para pequenos e médios produtores. A diversidade de expositores e a programação técnica reforçam o caráter de capacitação e atualização profissional do evento.

Leia Também:  UE anuncia novas barreiras e acordo com o Mercosul, marcado para sábado, pode não sair

Serviço
Evento: 13ª Rondônia Rural Show Internacional
Data: 25 a 30 de maio de 2026
Local: Rodovia BR-364, km 333 (11 km de Ji-Paraná, sentido Presidente Médici)
Cidade: Ji-Paraná (RO)

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA