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Plantio Direto sob ameaça: falhas no manejo comprometem sustentabilidade de solos agrícolas
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O Sistema Plantio Direto (SPD), amplamente reconhecido como uma técnica agrícola de alto valor ambiental por sua capacidade de conservar o solo e a umidade, vem sendo aplicado de forma parcial ou distorcida em diversas regiões do Brasil. A avaliação é do pesquisador científico Afonso Peche Filho, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Segundo o especialista, erros operacionais, omissões no manejo e fatores econômicos estão transformando uma prática conservacionista em um risco de degradação progressiva e silenciosa dos ambientes agrícolas.
Confira, abaixo, os principais fatores que colocam em risco a eficácia do SPD:
Cobertura superficial não garante estabilidade do solo
Um dos fundamentos do SPD é a manutenção da palhada sobre o solo. No entanto, quando essa cobertura é escassa, mal distribuída ou de baixa qualidade funcional, ela não cumpre seu papel protetivo. É comum observar solos aparentemente conservados, mas que, na prática, apresentam baixa porosidade, selamento superficial e sinais iniciais de erosão laminar.
A falta de cobertura vegetal entre safras, bem como a ausência de culturas de cobertura nas janelas de entressafra, expõe o solo, favorecendo sua degradação física.
Compactação do solo herdada de manejos antigos
A compactação legada, proveniente de práticas agrícolas anteriores ao SPD, continua sendo uma barreira à saúde do solo. A utilização de grades pesadas, implementos inadequados e o tráfego intenso de máquinas comprometem a infiltração de água, o crescimento radicular e a atividade biológica.
Sem práticas corretivas como a escarificação programada ou o uso de plantas com raízes estruturantes, formam-se camadas compactadas que reduzem a produtividade.
Mecanização em declive acentua erosão e compactação
Mesmo sem revolver o solo, o tráfego de máquinas morro abaixo, contrariando as curvas de nível, provoca escoamento superficial de água e acentua a erosão. O tráfego repetido em áreas úmidas e inclinadas, sem planejamento, cria trilhas compactadas e acarreta zonas de estagnação produtiva.
A ausência de práticas como terraceamento, plantio em nível e faixas de contenção agrava ainda mais o problema.
Dependência excessiva de herbicidas prejudica a saúde do solo
O controle químico de plantas daninhas, realizado quase sempre por meio de herbicidas sistêmicos, tornou-se uma prática padrão, negligenciando alternativas como o uso de rolo-faca, manejo biológico e coberturas supressoras.
O uso contínuo dos mesmos princípios ativos compromete a microbiota do solo, favorece a lixiviação de compostos tóxicos e acelera a resistência de plantas invasoras.
Fertilização superficial leva à acidificação e desequilíbrio nutricional
A adubação em SPD costuma ser feita superficialmente, sem o devido monitoramento das camadas mais profundas. Isso pode gerar acúmulo de nutrientes na superfície e acidificação do perfil do solo, tornando elementos como o alumínio tóxicos e dificultando o acesso a nutrientes essenciais como fósforo e cálcio.
Sem práticas como calagem e gessagem com base em análises profundas, o solo perde fertilidade e estabilidade química.
Falta de diversidade nas plantas de cobertura empobrece o solo
O uso repetitivo de poucas espécies, como braquiária ou milheto, limita o potencial do SPD. A diversidade funcional das plantas de cobertura é fundamental para fornecer diferentes tipos de exsudatos radiculares, que alimentam a microbiota e ajudam na estruturação do solo.
Monoculturas de cobertura dificultam a fixação biológica de nitrogênio e reduzem a resiliência ecológica.
Falta de atenção à biologia do solo compromete o sistema
Mesmo sendo menos agressivo que métodos convencionais, o SPD ainda é frequentemente operado sem considerar a vida biológica do solo. A ausência de bioinsumos, compostos orgânicos, inoculações específicas e indicadores biológicos revela uma abordagem incompleta.
Essa negligência resulta em baixa atividade enzimática, pouca ciclagem de nutrientes e maior vulnerabilidade a doenças.
Falta de monitoramento técnico impede diagnóstico precoce
A maioria dos agricultores foca apenas na produtividade da lavoura, deixando de lado análises físicas, químicas em profundidade e biológicas. Essa ausência de acompanhamento técnico impede a identificação antecipada de problemas estruturais, permitindo que a degradação avance até níveis críticos.
Pressões econômicas e distorções de mercado enfraquecem o SPD
A busca por resultados imediatos e os incentivos ao uso de insumos químicos afastam o agricultor das práticas sustentáveis de longo prazo. A ausência de políticas públicas voltadas à regeneração do solo e a predominância de soluções padronizadas tornam o SPD um sistema vulnerável.
Sem assistência técnica ecológica e apoio à diversidade de manejos, o plantio direto perde sua essência conservacionista.
Caminhos para reverter a degradação no plantio direto
Para recuperar a integridade dos solos sob SPD, o pesquisador do IAC propõe as seguintes ações:
- Redefinir o conceito de cobertura do solo, com raízes funcionais, diversidade e cobertura contínua;
- Reestruturar o manejo químico, incorporando bioinsumos e fertilizantes naturais;
- Adotar rotação e consórcios reais de culturas, com espécies de diferentes funções ecológicas;
- Corrigir a acidez e a fertilidade com base em análises de perfil, utilizando calagem, gessagem e fosfatagem adequadas;
- Realizar monitoramento físico, químico e biológico, incluindo análise de compactação, porosidade e atividade enzimática;
- Investir em educação ecológica para agricultores e técnicos, com foco na compreensão sistêmica do solo.
O Sistema Plantio Direto representa um avanço significativo em relação aos métodos convencionais de preparo do solo. No entanto, sua eficácia está diretamente ligada à fidelidade aos princípios ecológicos que o fundamentam.
Quando operado com simplificações técnicas e sob influência de pressões de mercado, o SPD deixa de ser uma prática conservacionista e passa a atuar como vetor de degradação. Para manter sua promessa de sustentabilidade, é preciso resgatar o cuidado com a vida do solo, a diversidade funcional das plantas e o acompanhamento técnico qualificado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mapa amplia promoção comercial e fortalece cooperação internacional em missão à Espanha e França
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu, entre os dias 20 e 24 de abril, missão oficial à Espanha e à França com avanços voltados à ampliação de mercados, ao fortalecimento de parcerias estratégicas e ao aprofundamento da agenda internacional do agro brasileiro.
Entre os principais destaques da programação estiveram a participação brasileira na Seafood Expo Global 2026, em Barcelona, e a formalização da adesão do Brasil ao Programa de Cooperação em Pesquisa em Agricultura Sustentável (CRP), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.
A comitiva foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, e cumpriu agendas institucionais voltadas à promoção comercial, à cooperação técnica e ao diálogo sobre temas como sanidade, logística, energia e sustentabilidade.
Barcelona: feira global reforça presença brasileira
Na Espanha, a delegação participou da Seafood Expo Global 2026, principal feira mundial do setor de pescados. O evento reuniu mais de 2 mil expositores de cerca de 150 países e público estimado em 35 mil visitantes, entre compradores, distribuidores e representantes da indústria.
A presença brasileira ocorre em momento estratégico para o segmento. Desde 2023, o Brasil abriu 17 novos mercados para pescados, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo a inserção internacional dos produtos nacionais, além de gestões para a futura retomada das exportações do pescado brasileiro para o bloco europeu.
Durante a programação, o secretário Luís Rua visitou o pavilhão da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), organizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), onde empresas brasileiras apresentaram produtos no âmbito do projeto Brazilian Seafood.
A agenda incluiu ainda reuniões com representantes do setor produtivo e encontro, ao lado do ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, com o ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação da Espanha, Luís Planas.
Paris: adesão à CRP e agenda com organismos internacionais
Na França, um dos principais resultados da missão foi a formalização da adesão do Brasil ao Programa de Cooperação em Pesquisa em Agricultura Sustentável (CRP), iniciativa da OCDE voltada ao desenvolvimento de projetos em sistemas alimentares, inovação e produção agrícola sustentável.
Com a entrada no programa, o Brasil passa a participar de forma mais direta da construção de estudos e diretrizes internacionais, além de ampliar o intercâmbio técnico com outros países e fortalecer sua presença nos debates globais sobre sustentabilidade e inovação no campo.
Ao longo de dois dias, a delegação brasileira cumpriu agenda em organismos internacionais sediados em Paris e Dijon. Participaram dos encontros o embaixador e delegado do Brasil junto às Organizações Internacionais Econômicas sediadas em Paris, Sarquis J. B. Sarquis; o ministro-conselheiro Joaquim Penna Silva; e a adida agrícola Bárbara Cordeiro.
A programação incluiu reuniões na OCDE, na Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), na Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), na Agência Internacional de Energia (AIE) e no Fórum Internacional de Transportes (ITF).
Na OCDE, em reunião com o secretário-geral adjunto, Yasushi Masaki, e com a diretora de Comércio e Agricultura, Marion Jansen, foram debatidos temas relacionados ao comércio agrícola e à incorporação das especificidades dos sistemas produtivos tropicais nas análises internacionais. Na OMSA, o encontro com a diretora-geral Emmanuelle Soubeyran tratou da harmonização de normas sanitárias e da previsibilidade do comércio de produtos de origem animal.
Nas agendas com a AIE e o ITF, o foco esteve no cenário global e nas possibilidades de cooperação nas áreas de energia e transporte. Em Dijon, reuniões com o diretor-geral da OIV, John Barker, e com a presidente Yvette van der Merwe abordaram harmonização regulatória no setor vitivinícola e cooperação técnica.
Em todos os compromissos, a delegação ressaltou a contribuição do Brasil para a segurança alimentar global, a segurança energética, a sustentabilidade e a inovação no setor agropecuário, com destaque para a experiência nacional em agricultura tropical.
Informações à imprensa
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