MATO GROSSO
Uso de Inteligência Artificial para eleições mais livres, justas e eficientes é tema de curso da EJE-MT
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Os desafios do uso de Inteligência Artificial (IA) para eleições mais livres, justas e eficientes estão sendo abordados em um curso oferecido pela Escola Judiciária Eleitoral (EJE-MT) do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Iniciada na manhã desta segunda-feira (19.05), a capacitação online ainda terá mais duas aulas, totalizando carga horária de 9h.
O curso conta com a participação de aproximadamente 160 pessoas, entre servidores, servidoras, magistrados, magistradas, promotores, promotoras eleitorais, advogados e advogadas. O tema é ministrado pelo doutor em Ciências Jurídicas e Sociais e assessor da Coordenadoria de Combate à Desinformação do Supremo Tribunal Federal (STF), Frederico Franco Alvim.
Ele falou sobre os desafios tradicionais da Justiça Eleitorais, que se resumem em: eliminação de fraudes (adulteração de procedimentos e documentos); contenção da violência (dissuasão de ameaças e pressões violentas); e afastamento de abusos (práticas clientelistas, coronelistas e afins). Também abordou os desafios agregados, resultantes do uso de tecnologia, como, por exemplo: equidade na programação algorítmica e na moderação de conteúdos (isonomia na configuração dos fluxos da conversação política); transparência e legalidade no uso de dados pessoais (afastamento de abusos no tratamento de informações psicométricas); neutralidade política das tecnologias disruptivas (eliminação do viés político-partidário na governança e na autorregulação das plataformas de internet).
Alvim ressaltou, ainda, as principais mudanças observadas neste aspecto com relação ao campo eleitoral. “Tínhamos uma mídia tradicional, passando para mídia de reframe, mídia estendida, mídia alternativa e portais de fake news. Com isso, há uma grande depreciação da esfera pública, com mercado anárquico, mercado caótico, inflacionado, mal-humorado, tolo e pobre. Chegamos ao que chamamos de “Eleições em chamas”, com guerras informativas, cognitivas e culturais. Neste cenário, a mentira é usada como uma arma emocional. A polarização é uma patologia social, porque há um buraco ou muro muito alto que interdita o diálogo entre os lados”, contextualizou.
O chefe de cartório da 26ª Zona Eleitoral, com sede em Nova Xavantina, Eliton Dias Padilha, que participa do curso, afirmou que a presença da tecnologia, principalmente, Inteligência Artificial, no campo das eleições, é marcante. “E como o próprio Frederico Alvim disse, há uns anos atrás, quando a pessoa queria afrontar alguma legislação ou cometer algum ilícito eleitoral, era bem mais difícil, ele tinha que se deslocar ou demandava um esforço maior. Hoje, com a tecnologia disponível, a pessoa, sem sair de casa, ou seja, de qualquer lugar, ela comete um ilícito eleitoral, então a gente tem que estar atento a essa questão. A gente tem visto, cada vez mais, principalmente para a gente que está aqui na ponta e acompanha a campanha eleitoral, o quanto os candidatos usam da IA, principalmente para fazer propaganda, e usam, inclusive, para fazer coisa errada”, destacou.
O servidor frisou, também, que a atualização profissional é fundamental. “A gente deve ficar sempre atento e atualizado, porque a cada dia que passa são novas ferramentas que podem ser utilizadas. Eu gosto da forma como o Frederico conduz, principalmente porque ele tem muito exemplo prático, e quando a gente que não é da área de tecnologia da informação, se o palestrante não traz bastante exemplos, a gente fica meio perdido. Então, o que mais me cativa na questão dele é que tem sempre muitos exemplos e isso facilita muito a compreensão”, acrescentou.
Currículo
Frederico Alvim já foi servidor do TRE-MT. Vencedor, em 2024, do I Prêmio Nacional de Inovação da Justiça Eleitoral na categoria “Fortalecimento da Imagem e Defesa Reputacional da Justiça Eleitoral”, Alvim é Mestre em Direito pela Universidade Metodista de Piracicaba e especialista em Direito e Processo Eleitoral pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
Com forte atuação internacional, este curso é derivado de uma de suas obras lançadas neste ano com o título “Inteligência Artificial para eleições mais livres, justas e eficientes”. Ainda em 2025, ele lançou outra obra intitulada “Artificial Intelligence and algorithmic campaigns”, em português “Inteligência Artificial e campanhas algorítmicas”. Ex-assessor chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alvim possui uma longa experiência científica e jurídica na área eleitoral e tecnológica.
Jornalista: Nara Assis
#PraTodosVerem: Imagem que mostra a tela de transmissão do curso online, sendo que à esquerda, se vê o conteúdo projetado pelo ministrante e, à direita, os rostos de alguns participantes do curso em pequenos quadrados.
Fonte: TRE – MT
MATO GROSSO
MT avança em eficiência e produtividade mesmo com um dos maiores volumes de processos do país
Apesar da alta demanda processual registrada em Mato Grosso, a Justiça Estadual de Mato Grosso (TJMT) tem se destacado nacionalmente em indicadores de produtividade, celeridade e gestão processual. Segundo dados do relatório Justiça em Números 2026 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Judiciário mato-grossense registrou 165,7 casos novos por mil habitantes, índice superior à média nacional da Justiça Estadual, que é de 132,5 casos novos por mil habitantes.
Classificado pelo CNJ como um tribunal de médio porte, o indicador demonstra que Mato Grosso está entre os estados com maior judicialização do país. Contudo, mesmo com a alta demanda, o Poder Judiciário mato-grossense apresentou um avanço de 22 pontos percentuais no Índice de Produtividade Comparada da Justiça (IPC-Jus) da área judiciária, passando de 75% para 97%. O IPC-Jus é um dos principais indicadores do CNJ para medir a eficiência dos tribunais brasileiros.
“Mato Grosso possui uma das maiores demandas processuais do país quando analisamos o número de casos por habitante. Por isso, alcançar indicadores de produtividade e eficiência acima da média nacional demonstra a capacidade do Poder Judiciário mato-grossense de se organizar, inovar e responder com qualidade às necessidades da sociedade”, afirma o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote.
O bom desempenho também pode ser verificado na taxa de congestionamento dos processos na fase de conhecimento. Conforme o relatório, o TJMT registrou índice de 53%, um dos menores do país e entre os melhores desempenhos da Justiça Estadual. “O que demonstra a capacidade do Judiciário mato-grossense de dar vazão ao acervo processual e reduzir o volume de processos pendentes nessa etapa da tramitação”, detalha o juiz auxiliar da Corregedoria, Jorge Alexandre Martins Ferreira.
O relatório também mostrou queda no estoque de execuções fiscais. Mato Grosso registrou redução de 26,8% no quantitativo de casos pendentes de execução fiscal em comparação com o ano anterior. Um desempenho superior à média da Justiça Estadual, que é de 25,2%.
Esse trabalho também teve reflexo na redução do tempo de tramitação dos processos. Segundo dados do relatório, o tempo de giro do acervo processual no primeiro grau passou de um ano e dois meses para um ano e um mês, uma redução de 7,1%. O que coloca Mato Grosso na terceira colocação entre os 27 tribunais do país e na segunda posição entre os tribunais estaduais de médio porte.
Mato Grosso ainda se destaca na arrecadação de custas judiciais. Conforme o relatório Justiça em Números 2026, o Estado ocupa a terceira posição entre os Tribunais de Justiça do país no indicador que relaciona os valores arrecadados ao número de processos sujeitos à cobrança de custas.
O TJMT registrou arrecadação média de R$ 3.548,12 por processo ingressado, ficando atrás apenas de São Paulo (R$ 4.386,38) e Rio de Janeiro (R$ 4.333,84). O resultado coloca o Estado acima da média da Justiça Estadual, que foi de R$ 2.861,96 por processo. “O que demonstra a efetividade na arrecadação dos valores legalmente devidos e contribuindo para a sustentabilidade das atividades do Poder Judiciário mato-grossense”, afirma o juiz auxiliar, Jorge Alexandre.
Autor: Larissa Klein
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
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