POLITÍCA NACIONAL
Representante do MEC diz que governo apoia criação de piso salarial para funcionários da área administrativa
POLITÍCA NACIONAL
Em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (20), a coordenadora-geral de valorização dos profissionais de educação do Ministério da Educação, Maria Stela Reis, afirmou que o governo apoia a criação do piso salarial para técnicos em educação e trabalhadores da área administrativa na educação básica.
“O projeto de lei é muito relevante, porque ele vem ao encontro dessa necessária valorização dos profissionais não docentes. É mais do que pertinente e necessário que esse projeto de lei seja aprovado. Do ponto de vista do MEC, dos pareceres que nós fizemos aqui dentro da tramitação do projeto de lei, nós fomos favoráveis em todos os pontos”, disse.
A criação de um piso salarial está prevista em um projeto já aprovado pelas comissões de Educação e de Administração e Serviço Público, que convidaram profissionais do setor para debater a proposta (PL 2531/21). O valor proposto no projeto de lei é igual a 75% do valor do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica.
A representante do Ministério da Educação salientou que, se o piso for aprovado, abre-se o processo de institucionalização para que ele se viabilize. Ela afirma que é importante que as redes de ensino criem planos de carreira para os servidores.
O ex-deputado Idilvan Alencar (CE) foi o relator da proposta na Comissão da Educação, quando foi aprovada, no ano passado. Atualmente, é secretário de Educação da capital do estado, Fortaleza.
“Na rede estadual do Ceará, nós já fizemos isso. Os servidores já conseguiram, a gente fez um reenquadramento, eles estão em outro patamar salarial. Já vamos preparar um projeto de lei, que a gente quer votar antes do recesso, para dar dignidade salarial a esses profissionais”, afirmou.
São Paulo
Em São Paulo, há uma tendência de terceirizar o serviço de administração na educação, afirma o deputado estadual paulista Carlos Giannazi (Psol). As contratações no estado são temporárias.
“Não abre mais concurso público para essa área, está precarizando, está fazendo contratações de um ano pela lei estadual 1.093/09. Lá tem o professor categoria O (com contrato de um ano) e tem também o agente de organização escolar categoria O. Quando ele aprende, quando tem interação com a comunidade, ele é obrigado a sair e ficar um ano fora”, explicou.
Em São Paulo, os gestores e funcionários de apoio da educação recebem abono complementar no salário, que é uma forma de evitar serem beneficiados com aumentos, como explica a presidente do Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo (Sinesp), Norma Lucia Andrade.
“O município de São Paulo deu aumento para todos os servidores públicos de 2,60%, desconsiderando até a verba própria que a educação tem. Quando ele dá esse aumento, que é pífio, quem tem abono complementar não teve aumento.”
Ela lembra que o abono não é incorporado na aposentadoria.
Relatório
Presente na audiência pública, o relator na Comissão do Trabalho, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), pediu sugestões para seu relatório, que deve ser entregue na próxima semana.
“Investir em educação é muito mais do que muro e janela, do que quadro e pincel. Educação se faz com pessoas, educação se faz com professores, com técnicos administrativos, com profissionais de educação que nos auxiliam a ter o direito divino do aprendizado”, enfatizou. “E é por essa razão que, como professor, é claro que meu parecer vai ser favorável ao projeto.”
O deputado diz que vai apresentar o relatório na próxima semana. A presidente da Associação dos Servidores Administrativos da Educação do Estado do Amazonas, Elicleia Lopes Abranches, sugeriu que o relator mantenha o texto aprovado, que estabelece o piso nacional dos técnicos de educação em 75% do piso nacional dos professores da educação básica.
O debate atendeu a pedido dos deputados Maurício Carvalho (União-RO) e Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP), que presidiu a audiência pública. Para ela, é importante que a estrutura da educação pública de qualidade contemple não apenas os docentes, mas os profissionais que garantem seu funcionamento.
“Nós vamos seguir acompanhando a tramitação dentro da Comissão de Trabalho e vamos seguir dialogando com os líderes de todos os partidos para que eles possam nos ajudar a colocar em pauta no Plenário, para que siga mais rapidamente o trâmite aqui dentro da Câmara”, afirmou. A deputada lembrou que é integrante da comissão especial que está discutindo o novo Plano Nacional de Educação. “Vamos garantir ali a valorização, a dignidade e o respeito a todos os profissionais da educação”, disse.
Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Comissão aprova projeto com programa de emprego e formação para jovens indígenas
A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou proposta que cria programa de emprego e formação para jovens indígenas.
O programa prevê incentivos à contratação, qualificação profissional e acesso a políticas públicas de desenvolvimento socioeconômico para indígenas entre 18 e 29 anos.
A identificação dos beneficiários será feita por autodeclaração e reconhecimento pela própria comunidade, respeitando o princípio da autodeterminação dos povos indígenas.
Objetivos principais
O programa tem quatro objetivos centrais:
- estimular a contratação de jovens indígenas por órgãos públicos federais e empresas privadas;
- fomentar a qualificação técnica e profissional por meio de cursos gratuitos em parceria com entidades públicas e serviços sociais autônomos;
- contribuir para a autonomia econômica das comunidades indígenas, com respeito à identidade cultural; e
- ampliar o acesso a políticas de empregabilidade em regiões com alta concentração de população indígena.
Incentivos às empresas
As empresas privadas que aderirem ao programa e comprovarem a contratação de jovens indígenas terão direito a:
- redução de 50% da contribuição patronal à Previdência Social sobre o salário do jovem contratado, por até 36 meses;
- prioridade na participação em programas e editais federais de inovação e desenvolvimento regional;
- preferência de contratação em licitações públicas, como critério de desempate (quando as propostas forem iguais ou até 10% superiores à mais bem classificada);
- isenção de taxas federais para registro e regularização trabalhista do jovem contratado.
O benefício fiscal de redução da contribuição patronal depende de prévia estimativa de impacto orçamentário e de medidas de compensação, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os editais de licitação para contratação de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra também poderão prever o emprego de jovens indígenas.
Inclusão produtiva
O texto aprovado é um substitutivo da Comissão de Trabalho ao Projeto de Lei 3940/25, do deputado Defensor Stélio Dener (União-RR).
A relatora, deputada Dandara (PT-MG), afirmou que o Censo 2022 apontou uma sub-representação da população indígena ocupada e com rendimentos do trabalho. Além disso, o rendimento médio dos indígenas ocupados é menor que os demais grupos étnico-raciais. “O projeto reconhece a situação dos jovens indígenas e propõe instrumentos concretos de inclusão produtiva, sem desconsiderar a diversidade cultural e os modos próprios de vida dessas comunidades”, disse.
Parcerias e regulamentação
A execução do programa contará com parcerias com institutos federais, universidades públicas, serviços sociais autônomos, organizações indígenas registradas e órgãos estaduais e municipais de emprego e desenvolvimento.
O Poder Executivo será responsável por regulamentar o programa, definindo critérios de adesão das empresas, parâmetros de comprovação da identidade indígena e metas regionais conforme a concentração populacional e a taxa de desemprego entre jovens indígenas.
O texto aprovado determina que o tratamento de dados pessoais dos beneficiários – incluindo informações sensíveis sobre origem étnica e cultural – seguirá as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei 13.709/18).
Acesso à informação
O projeto também garante aos trabalhadores indígenas o acesso a informações claras sobre seus direitos trabalhistas, respeitando suas especificidades culturais e linguísticas.
Sempre que possível, as ações de orientação serão feitas em cooperação com lideranças e organizações indígenas, com uso de materiais bilíngues adaptados às realidades locais.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados

