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Dólar sobe com preocupações fiscais nos EUA e expectativa por bloqueios no Orçamento brasileiro
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O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (22), cotado a R$ 5,67, impulsionado por preocupações com a situação fiscal dos Estados Unidos. A valorização ocorre após a aprovação pela Câmara dos Deputados americana de um extenso pacote de cortes de impostos proposto pelo ex-presidente Donald Trump.
Na véspera, a moeda norte-americana havia recuado 0,46%, fechando em R$ 5,6431. Ainda assim, o dólar acumula queda de 0,45% na semana, baixa de 0,60% no mês e desvalorização de 8,68% no ano.
Ibovespa fecha em queda
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o pregão de quarta-feira (21) em baixa de 1,59%, aos 137.881 pontos.
Com isso, acumula queda de 0,94% na semana, avanço de 2,08% no mês e alta de 14,63% no ano. A bolsa volta a operar apenas após as 10h.
🇺🇸 Pacote fiscal de Trump preocupa o mercado
O mercado global reagiu com cautela à aprovação do projeto batizado de “One Big Beautiful Bill Act”, que agora segue para o Senado dos EUA. O pacote busca tornar permanentes cortes de impostos sobre renda e heranças, além de incluir promessas de campanha de Trump, como isenção de tributos sobre gorjetas, horas extras e certos juros de financiamento de veículos.
Para mitigar a perda de arrecadação, a proposta inclui o fim de incentivos à energia verde e restrições ao acesso de programas sociais. Ainda assim, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso, as medidas devem adicionar cerca de US$ 3,8 trilhões à dívida pública americana nos próximos dez anos. A dívida atual já soma US$ 36,2 trilhões — o equivalente a 124% do PIB dos EUA.
Essas preocupações fiscais contribuíram para que a agência de classificação de risco Moody’s rebaixasse recentemente a nota de crédito dos EUA, o que influenciou diretamente a movimentação cambial.
Pressão sobre o dólar e ações judiciais contra tarifas
Além da preocupação com o endividamento, o mercado também se mostra incomodado com a política tarifária adotada por Trump. Nesta quarta-feira (21), doze estados americanos entraram com uma ação judicial pedindo a suspensão das tarifas impostas pelo ex-presidente, alegando abuso de autoridade por declarar emergência nacional para implementar as medidas.
🇧🇷 Expectativas fiscais no Brasil
No cenário interno, investidores aguardam a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal. A expectativa é de que o Ministério da Fazenda anuncie medidas para assegurar o cumprimento da meta fiscal de 2025, incluindo possíveis bloqueios no Orçamento.
O ministro Fernando Haddad sinalizou que o governo pretende manter o crescimento econômico e o nível de emprego, mas sem pressionar a inflação. A ideia é que o crescimento ocorra de forma sustentável, e não por meio de gastos públicos elevados.
Declarações do Banco Central reforçam cautela
Na última segunda-feira (19), o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que pode ser necessário manter os juros elevados por mais tempo, o que foi bem recebido pelos investidores. A autoridade monetária avalia que uma desaceleração econômica é essencial para que a inflação convirja para a meta.
A lógica é que juros mais altos reduzem o consumo, uma vez que encarecem o crédito. Isso ajuda a conter a inflação ao equilibrar a oferta e a demanda. Por outro lado, estímulos fiscais excessivos podem dificultar esse controle, segundo analistas do mercado.
O movimento de alta do dólar nesta quinta-feira reflete tanto o cenário fiscal delicado dos Estados Unidos quanto a expectativa de ajustes no Orçamento brasileiro. Com os investidores atentos à condução das políticas econômicas em ambos os países, os mercados operam sob tensão.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Valor pode chegar a R$ 550 bilhões, mas desafio será fazer o dinheiro chegar ao produtor
O governo federal trabalha com a perspectiva de anunciar um Plano Safra de aproximadamente R$ 550 bilhões para a temporada 2026/27, valor que representaria um novo recorde para o crédito rural brasileiro. A expectativa é que o programa seja lançado no início de julho, mantendo a estratégia adotada nos últimos anos de ampliar o volume total de recursos disponibilizados ao setor agropecuário.
O aumento em relação aos R$ 516,2 bilhões anunciados para a agricultura empresarial na safra atual reforça a intenção do governo de apresentar um plano mais robusto. Nos bastidores, porém, representantes do setor financeiro e lideranças do agro avaliam que a principal discussão não está no tamanho do anúncio, mas na capacidade de transformar os números em crédito efetivamente contratado pelos produtores.
Os dados mais recentes mostram que o ritmo de liberação dos financiamentos desacelerou na atual temporada. Entre julho de 2025 e maio de 2026, foram contratados cerca de R$ 307,6 bilhões em operações de crédito rural, volume inferior aos R$ 346,3 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. A redução ocorre em um momento de aumento do endividamento no campo e maior cautela das instituições financeiras na concessão de novos empréstimos.
A avaliação de especialistas é que o problema atual não está necessariamente na falta de recursos disponíveis no sistema, mas no aumento do risco das operações. Com mais renegociações, prorrogações de dívidas e dificuldades enfrentadas por parte dos produtores em razão das perdas climáticas registradas nos últimos anos, os bancos passaram a adotar critérios mais rigorosos para liberar crédito.
Nesse cenário, parte relevante do crescimento previsto para o próximo Plano Safra deverá ocorrer por meio das Cédulas de Produto Rural (CPRs) e dos recursos livres das instituições financeiras, reduzindo a dependência do crédito subsidiado tradicional. As CPRs vêm ganhando espaço como instrumento de financiamento do agronegócio e já movimentam mais de R$ 100 bilhões por safra.
Outro ponto central da discussão envolve as taxas de juros. A intenção do governo é oferecer linhas com juros abaixo de 10% ao ano, principalmente para investimentos considerados estratégicos. A medida é vista como uma tentativa de estimular novos financiamentos em um ambiente marcado por custos elevados e margens mais apertadas para diversas atividades agropecuárias.
Uma das novidades previstas é a ampliação da linha especial destinada à modernização do parque de máquinas agrícolas. O volume de recursos deverá subir de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões, com condições diferenciadas de financiamento. A iniciativa busca incentivar a renovação de equipamentos e aumentar a eficiência das propriedades rurais em um momento em que muitas decisões de investimento vêm sendo adiadas.
Os resultados das principais feiras agrícolas realizadas neste ano refletem esse ambiente de cautela. O volume de intenções de negócios registrado nos eventos ficou abaixo do observado em temporadas anteriores, sinalizando que produtores continuam adotando uma postura mais conservadora diante das incertezas econômicas e climáticas.
Além do crédito, o fortalecimento do seguro rural aparece entre as prioridades defendidas pelo setor para o próximo ciclo. A crescente frequência de secas, geadas, enchentes e outros eventos climáticos extremos tem aumentado a percepção de risco das operações agrícolas. Com maior cobertura securitária, a expectativa é que os produtores consigam acessar financiamentos em condições mais favoráveis e com menor exigência de garantias.
Entidades do agronegócio também defendem que a discussão do próximo Plano Safra vá além do volume anunciado. A preocupação é garantir que os recursos estejam disponíveis ao longo de toda a temporada, evitando interrupções em linhas de financiamento e assegurando que produtores de diferentes portes consigam acessar o crédito quando necessário.
A expectativa é que os detalhes finais do programa sejam definidos nas próximas semanas. Até lá, o setor acompanha as negociações entre a equipe econômica e os ministérios envolvidos, atento não apenas ao valor total do plano, mas principalmente às condições de financiamento, à disponibilidade efetiva dos recursos e às medidas que possam ampliar o acesso ao crédito em um momento considerado desafiador para a produção agropecuária.
Fonte: Pensar Agro
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