POLITÍCA NACIONAL
Senado celebra os 80 anos da Associação Nacional de Educação Católica
POLITÍCA NACIONAL
Os 80 anos da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) foram comemorados no Senado em sessão especial nesta sexta-feira (23). O evento destacou a importância das instituições de ensino católicas e seu papel histórico na formação dos cidadãos brasileiros. Fundada em 1945, a Anec reúne instituições mantenedoras de estabelecimentos confessionais católicos de ensino em todo o país, atuando da educação básica ao ensino superior.
A sessão especial foi presidida pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), autora do requerimento de homenagem (RQS 137/2025). Na abertura do evento, a parlamentar destacou o compromisso da educação católica com a formação de cidadãos conscientes e comprometidos com a justiça social e elogiou a disposição dessas instituições de ensino em dialogar com os educadores leigos.
— Desde a sua criação, a Anec tem sido protagonista na defesa da liberdade de ensinar, princípio consagrado tanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos quanto na Constituição da República. Em um país laico como o nosso, é fundamental destacar as instituições de ensino católicas que respeitam a pluralidade e promovem uma educação que valoriza a diversidade — definiu Teresa.
Por sua vez, o senador Izalci Lucas (PL-DF) opinou que as escolas católicas são conduzidas por “heróis”, lembrando as dificuldades que as entidades de ensino particulares enfrentaram em períodos de mensalidades definidas pelo governo. Ele também mencionou a controvérsia na reforma tributária sobre o papel das entidades filantrópicas, muitas vezes expostas à “discriminação” legislativa. Para Izalci, a Anec reúne instituições que representam o sentimento cristão da maioria da população, sustentando valores que têm sido perdidos em muitas escolas.
— Vocês é que fazem a diferença. (…) Hoje as pessoas estão matando por causa de dez reais, por causa de celular, brigando com professor, dando facada em professor em sala de aula, abusando do professor. É triste ver uma situação como essa.
Desenvolvimento integral
Diretor-presidente da Anec, o padre João Batista Gomes de Lima tratou da função transformadora da educação na vida das pessoas e da sociedade, que demanda um compromisso com o desenvolvimento integral do ser humano “com base na dignidade humana, na justiça, na solidariedade e na paz”. Ele mencionou os desafios sociais, políticos e educacionais da Anec em sua trajetória. Ressaltou a abertura permanente da associação ao diálogo com a sociedade e com o Estado, e defendeu investimento em ensino de qualidade.
— Seguimos defendendo uma educação humanista, crítica, criativa, iluminada pelos valores do Evangelho e em sintonia com os desafios do mundo contemporâneo.
O padre Sérgio Eduardo Mariucci, presidente do Conselho Superior da Anec, salientou que a vida religiosa contribuiu significativamente com a educação brasileira desde os primórdios da colonização. Para ele, a entidade está “olhando o futuro com esperança”, mas enfrenta desafios que extrapolam as possibilidades das instituições católicas — em especial, a oferta de ensino de qualidade com equidade. Entre as preocupações da Anec, padre Mariucci sublinhou os esforços para aumentar a participação do Brasil nas pesquisas de alta tecnologia, reduzindo a dependência do país no setor e mantendo a responsabilidade ambiental.
— A Anec atua colaborativamente em prol da educação e do Brasil. Cumprimos com zelo e criatividade a nossa missão. A Associação Nacional de Educação Católica, ao cumprir 80 anos, se apresenta renovada na esperança e fortalecida no amor com que fazemos educação — resumiu.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLITÍCA NACIONAL
Em relatório, IFI aponta que despesas do governo continuam crescendo
O principal desafio atual do Brasil é fazer avançarem as políticas públicas de setores essenciais, como educação, saúde e segurança pública, e ao mesmo tempo ampliar os investimentos em infraestrutura e ciência e tecnologia, em um quadro de “extremo engessamento orçamentário”. A observação consta do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto, publicado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) nesta quinta-feira (20).
O documento aponta que continuam crescendo “contínua e velozmente” as despesas do governo, tanto as obrigatórias quanto as “discricionárias rígidas”, aquelas que não são obrigatórias, mas que na prática o governo não pode cortar.
Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (20), o diretor da IFI, Alexandre Andrade, disse que o relatório aponta uma piora do déficit primário estrutural ao longo dos dois primeiros trimestres de 2026, basicamente por causa de uma pressão maior de despesas, apesar do crescimento da receita.
— Os números mostram que o cumprimento da meta fiscal de 2026 ficou um pouco mais folgado. Os números das avaliações bimestrais anteriores já mostravam que o governo conseguiria cumprir a meta fiscal. Isso ficou um pouco facilitado depois do choque do preço do petróleo, em razão do conflito no Irã, porque as receitas do governo aumentaram muito, principalmente em maio, junho e julho. Então, devem garantir um cumprimento com relativa folga — afirmou.
Andrade avaliou que, com um cenário de petróleo mais caro e receitas mais favoráveis, o governo deverá cumprir a meta do ano.
— A questão maior que se coloca é para o ano que vem. Isso tende a se esgotar ao longo do tempo. As receitas não vão conseguir crescer indefinidamente nos próximos anos — previu.
“Horizonte desejável”
A IFI, órgão vinculado ao Senado, estima um déficit estrutural de 1,4% do PIB até o segundo trimestre de 2026. A instituição reconhece no relatório que a equipe econômica vem se empenhando na gestão do cotidiano da execução orçamentária para melhorar os resultados fiscais. Destaca, no entanto, que o horizonte desejável para o futuro do país impõe um ajuste estrutural mais profundo e sustentável.
O estudo da IFI concentra a análise nos dados e informações do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) relativo ao terceiro bimestre de 2026. Esse documento embasa as projeções constantes do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027), a ser enviado à Comissão Mista de Orçamento (CMO) até o próximo dia 31.
De acordo com a IFI, o quadro geral permanece inalterado, apesar de afetado por fatores específicos – aceleração do pagamento de emendas parlamentares em função da legislação eleitoral; queda das despesas com o Bolsa Família; e o aumento das receitas derivadas da alta dos preços do petróleo, a partir de maio, consequência do conflito no Oriente Médio.
O governo central produziu um déficit primário efetivo, nos sete primeiros meses do ano, de R$ 81,2 bilhões. Se, por um lado, a receita líquida registrou aumento significativo de 6,0%, acima da inflação, por outro as despesas subiram 6,3%, em termos reais, aponta o relatório. Tanto a IFI quanto o governo projetam um déficit primário efetivo em torno de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
O cumprimento formal da meta fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 será alcançado após as deduções legais de despesas, que somam entre R$ 62,8 bilhões (governo) e R$ 69,8 bilhões (IFI), além do uso do intervalo de tolerância legalmente previsto. O centro da meta deste ano corresponde a um superávit primário de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado



