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4° Reunião do CPG Bacias do Nordeste discute a gestão sustentável da pesca na região
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Durante os dias 22 e 23 de maio, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) realizou a 4ª Sessão Ordinária do Comitê Permanente de Gestão (CPG) da Pesca de Bacias do Nordeste, em Aracaju, Sergipe. Com a participação de pescadores e pescadoras artesanais, gestores públicos e pesquisadores, foram discutidas as prioridades na gestão sustentável dos recursos pesqueiros da região.
De acordo com o pescador Wagner Nogueira, o momento representou uma grande oportunidade para os pescadores apresentarem suas demandas. Ele, que mora às margens do rio São Francisco, destacou a importância do CPG . “O pescador está aqui dando sua opinião e fortalecendo a categoria, colando suas propostas junto com pesquisadores, formando novas ideias para melhorar a situação da pesca no Baixo São Francisco”, afirma.
Para o diretor do Departamento de Territórios Pesqueiros e Ordenamento do MPA, Cristiano Quaresma, a reunião debateu um plano de revisão do ordenamento pesqueiro para Sergipe, junto com o estado e outros parceiros. “Além disso conversamos sobre os repovoamentos dos rios com espécies nativas e com critérios que garantam a sustentabilidade dos recursos pesqueiros”, revela.
Os CPG´s se baseiam na participação efetiva dos usuários dos recursos pesqueiros no processo de gestão e na tomada de decisões relacionadas às medidas de ordenamento, com vistas à formulação de recomendações para a melhoria da gestão pesqueira na região.
Entre as recomendações encaminhadas no CPG Nordeste, se destacou o apoio à construção de um Fórum Estadual de Pesca para acompanhar os processos e a construção participativa do ordenamento pesqueiro em Sergipe.
Rede Pesca Brasil
Os CPG´s do MPA possuem um papel fundamental na sustentabilidade dos recursos pesqueiros do Brasil. Criados pelo Decreto 10.736, de 2021, eles fazem parte da Rede Pesca Brasil, um esforço colaborativo que reúne representantes de diversos setores da sociedade e do governo para assessorar a gestão pesqueira.
Cada comitê foca em um tipo específico de recurso ou região geográfica, possibilitando uma abordagem setorizada e eficaz para atuar com os desafios da pesca em diferentes áreas do país.
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Rota pelo Pacífico pode reduzir custo e ampliar exportações do agro
O governo federal deu mais um passo para tirar do papel uma antiga demanda do agronegócio: criar uma rota de exportação pelo Oceano Pacífico para reduzir a dependência dos portos brasileiros. O Ministério da Agricultura instituiu nesta semana o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que pretende estruturar um corredor internacional de transporte ligando Mato Grosso aos portos do Chile e do Peru.
Na prática, o programa não constrói estradas nem define um cronograma de obras, mas cria um comitê gestor responsável por coordenar ações entre os governos brasileiro e boliviano, facilitar acordos sanitários e aduaneiros e atrair investimentos para tornar o corredor operacional.
A proposta interessa principalmente a Mato Grosso, maior produtor de grãos do país. Hoje, boa parte da soja, do milho, do algodão e da carne produzidos no Estado percorre entre 2 mil e 2,3 mil quilômetros até portos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itaqui (MA), Miritituba (PA) e Barcarena (PA). Além da longa distância, o elevado fluxo de cargas pressiona o custo do frete durante a safra.
Pela nova alternativa, a produção seguiria da região oeste de Mato Grosso até Vila Bela da Santíssima Trindade, na fronteira com a Bolívia. A partir dali, cruzaria cidades bolivianas como San Ignacio de Velasco e Santa Cruz de la Sierra, seguindo pela malha rodoviária do país até alcançar portos no Oceano Pacífico, como Arica, Iquique e Antofagasta, no Chile, ou Ilo, no Peru.
À primeira vista, o trajeto terrestre não representa uma redução expressiva da distância em relação aos portos brasileiros. O principal ganho está no transporte marítimo. Para cargas destinadas à China, ao Japão, à Coreia do Sul e a outros mercados asiáticos, a saída pelo Pacífico reduz o tempo de navegação em comparação com as rotas que partem do Atlântico, além de diminuir a dependência dos corredores logísticos hoje concentrados no Sul, Sudeste e Arco Norte.
A proposta também amplia as alternativas para o escoamento da safra em períodos de maior demanda. Mato Grosso deverá colher mais de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), volume que exige investimentos permanentes em infraestrutura de transporte.
Outro ponto considerado estratégico é o abastecimento de insumos agrícolas. A integração com a Bolívia pode facilitar a chegada de fertilizantes e outros produtos utilizados na produção rural, diversificando as rotas de abastecimento e reduzindo a dependência de corredores já sobrecarregados.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, classificou a iniciativa como um avanço para o setor. Segundo ele, o Estado sempre enfrentou o desafio da distância entre as áreas produtoras e os portos de exportação, o que reduz a competitividade do agronegócio mato-grossense.
Apesar do potencial, o corredor ainda depende de uma série de investimentos. Mato Grosso já executa obras de pavimentação em direção à fronteira, mas será necessário melhorar a infraestrutura rodoviária em território boliviano, além de harmonizar procedimentos alfandegários, sanitários e de fiscalização entre os dois países.
Para especialistas em logística, a rota bioceânica não substituirá os portos brasileiros, mas funcionará como uma alternativa estratégica. Quanto maior o número de corredores disponíveis para o escoamento da produção, menor tende a ser a pressão sobre o frete, aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro


