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Safra recorde de soja no Brasil é impulsionada por clima favorável e avanços tecnológicos
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A colheita da safra de soja 2024/25 no Brasil está quase concluída e deve alcançar um recorde histórico. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no 8º Boletim da Safra de Grãos, aponta para uma produção de 168,34 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 14% em relação à safra anterior (2023/24) e 8,1% acima do recorde anterior registrado em 2022/23. Até o momento, 97,7% da área plantada já foi colhida.
Produtividade e área plantada apresentam crescimento
O relatório da Conab revela um crescimento de 10,5% na produtividade, que atingiu 3.536 kg por hectare. Além disso, a área destinada ao plantio de soja também cresceu 3,2%, totalizando 47.612,7 mil hectares no ciclo atual.
Clima favorável foi decisivo para o sucesso da safra
Segundo Fernando Bonafé Sei, agrônomo e gerente técnico da Novonesis, líder global em biossoluções, a combinação de boas condições climáticas foi um dos principais fatores para o desempenho excepcional da safra. Apesar de algumas adversidades, como falta de chuva e altas temperaturas em certas regiões, o cenário predominante foi de chuvas regulares e bem distribuídas, alternadas com períodos de sol, favorecendo o desenvolvimento da soja.
Em estados como Mato Grosso e Goiás, por exemplo, houve grandes volumes de chuva em novembro, beneficiando o plantio e o crescimento inicial das lavouras.
Tecnologia e práticas modernas aumentam produtividade
Bonafé Sei destaca também a importância dos avanços tecnológicos e das práticas de manejo adequadas para o resultado positivo. A adoção de tecnologias inovadoras, incluindo biossoluções, novas variedades de soja e equipamentos mais eficientes, ajudaram a elevar a produtividade e a qualidade dos grãos.
Uso de inoculantes biológicos contribui para maior resistência e produtividade
O agrônomo explica que o uso de inoculantes, que promovem a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), é uma ferramenta fundamental para a nutrição das plantas. Segundo estudos da Embrapa, essa técnica pode aumentar a produtividade agrícola em média 8%, em comparação com cultivos que não utilizam essa prática. Além disso, o uso de biossoluções reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados.
Um exemplo citado é o inoculante longa vida CTS 1000®, à base de Bradyrhizobium, que é compatível com o tratamento industrial de sementes de soja e pode ser aplicado até 90 dias antes do plantio, facilitando a logística e melhorando a eficiência.
Monitoramento constante e aplicação correta de defensivos protegem as lavouras
Por fim, Bonafé Sei ressalta a importância do monitoramento contínuo das lavouras e da aplicação no momento adequado de defensivos agrícolas para preservar a saúde das plantas, prevenindo perdas causadas por pragas e doenças.
A safra de soja 2024/25 do Brasil chega ao fim com números recordes, impulsionada por clima favorável, expansão da área plantada, uso de tecnologias avançadas e manejo eficiente. O setor se beneficia do equilíbrio entre inovação e práticas agrícolas que garantem produtividade e qualidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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MPA e MMA regulamentam a coleta embarcada de ova de peixe-voador
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicam a Portaria Interministerial MPA/MMA Nº 62, de 03 de Junho de 2026, que estabelece medidas de ordenamento, registro, monitoramento e controle da coleta embarcada de ovas de peixe-voador (Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus) no Mar Territorial e na Zona Econômica Exclusiva da Região Nordeste do Brasil.
A norma representa importante avanço no processo de reconhecimento e organização de uma atividade pesqueira tradicional exercida há décadas por comunidades artesanais do litoral do Rio Grande do Norte e da Paraíba, que até então não possuía instrumento específico de ordenamento pesqueiro.
Para o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, a iniciativa reforça o compromisso do Governo Federal com a valorização da pesca artesanal. “O processo se deu por meio de muita escuta, reforçando a participação social nos processos de gestão pesqueira e a construção de soluções compatíveis com a realidade das comunidades pesqueiras tradicionais”.
A regulamentação cria mecanismos para monitoramento da atividade, controle da frota e rastreabilidade da produção. Isso vai permitir maior capacidade de acompanhamento pelos órgãos gestores. Também vai contribuir para a construção progressiva de informações técnicas sobre a pescaria.
Importância na economia
A coleta embarcada de ovas de peixe-voador possui relevante importância socioeconômica para comunidades pesqueiras artesanais da Região Nordeste, especialmente no litoral potiguar. Além da geração de renda direta para pescadores, pescadoras e suas famílias, a atividade movimenta cadeias produtivas relacionadas ao beneficiamento, comercialização e exportação do produto.
O processo de construção da regulamentação teve início após o recebimento, pelo MPA e MMA, de demandas apresentadas pelo próprio setor pesqueiro relacionadas, principalmente, às dificuldades enfrentadas na comercialização e exportação das ovas, em razão da ausência de regras específicas para a atividade. A partir disso, as equipes técnicas do MPA iniciaram processo de diálogo com pescadores e pescadoras artesanais, representantes do setor produtivo, pesquisadores e órgãos ambientais. O processo de escuta teve como objetivo compreender a dinâmica operacional da pescaria, sua cadeia produtiva e os principais desafios relacionados ao ordenamento da atividade.
Foram realizadas reuniões presenciais com pescadores artesanais no litoral do Rio Grande do Norte, consultas técnicas junto ao setor produtivo e reuniões no âmbito da Rede Pesca Brasil, incluindo discussões no Comitê Permanente de Gestão e do Uso Sustentável dos Recursos Pelágicos Norte e Nordeste (CPG Pelágicos N/NE) e em seu Grupo Técnico-Científico, coordenado pelo pesquisador Dr. Guelson Batista da Silva.
As discussões envolveram ainda equipes do MMA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Segundo a coordenadora-geral de Gestão Participativa Costeira e Marinha da SNPA/MPA, Adayse Bossolani, a proposta busca compatibilizar o reconhecimento de uma atividade tradicional já existente com mecanismos de monitoramento e controle da frota e da produção. “A regulamentação busca organizar uma atividade que já ocorre historicamente na região, permitindo ampliar a capacidade de monitoramento, rastreabilidade e acompanhamento da produção, ao mesmo tempo em que reconhece a importância socioeconômica da pescaria para as comunidades artesanais envolvidas”, afirmou.
Principais medidas da regulamentação
A nova portaria estabelece critérios específicos para o exercício da coleta embarcada de ovas de peixe-voador por pescadores profissionais artesanais. Busca estruturar mecanismos iniciais de monitoramento e gestão da atividade.
A norma cria duas modalidades para a coleta embarcada de ovas de peixe-voador:
– 6.13: coleta embarcada de ovas de peixe-voador (Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus), com utilização de atratores biodegradáveis e autorização complementar para rede de emalhe costeiro de superfície;
– 6.14: coleta embarcada de ovas de peixe-voador (Hirundichthys affinis e Cheilopogon cyanopterus), com utilização de atratores biodegradáveis e autorização complementar para covos ou manzuás.
A portaria autoriza a atividade exclusivamente para embarcações artesanais devidamente registradas no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), com arqueação bruta de até 20 AB e regularizadas perante a Autoridade Marítima para a área de navegação compatível com a atividade exercida.
A coleta deverá ser realizada por meio de atratores biodegradáveis, com recolhimento manual das ovas aderidas aos substratos utilizados durante a pescaria.
A norma também estabelece que o interessado em obter autorização de pesca para as modalidades de permissionamento deverá protocolar requerimento no site do MPA, por meio de peticionamento eletrônico, no prazo de até 15 dias corridos, contados da data de publicação desta Portaria. Acesse aqui o site com o requerimento.
No âmbito do permissionamento, a regulamentação institui modalidades específicas para embarcações que já atuam em pescarias relacionadas ao emalhe costeiro de superfície e ao uso de covos e manzuás, permitindo maior adequação do registro pesqueiro à realidade operacional atualmente observada na atividade.
Como medida inicial de controle e monitoramento da pescaria, a norma estabelece número limitado de autorizações para atuação na atividade, permitindo maior capacidade de acompanhamento da frota, da produção e do esforço pesqueiro pelos órgãos gestores. Ela cria mecanismos de rastreabilidade da produção, incluindo obrigações relacionadas à comercialização e ao registro da entrada do produto nas empresas adquirentes, contribuindo para maior formalização e controle da cadeia produtiva.
A norma prevê ainda o monitoramento contínuo da atividade e revisão das medidas de ordenamento até o final de 2027, a partir dos dados gerados durante o período inicial de implementação da pescaria monitorada.
Com a publicação da portaria, o MPA avança na estruturação de instrumentos voltados ao reconhecimento e à gestão de uma atividade tradicional da pesca artesanal nordestina, ampliando a capacidade de monitoramento da atividade, fortalecendo a rastreabilidade da produção e produzindo informações técnicas para o aperfeiçoamento futuro das medidas de ordenamento pesqueiro.
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