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Governo impõe novas regras para crédito rural no Plano Safra 25/26 e preocupa lideranças

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O governo federal definiu novas regras para a distribuição dos financiamentos com juros mais baixos no Plano Safra 2025/26. Com menos dinheiro no caixa, a ideia é garantir que os recursos cheguem a quem realmente usa e precisa, além de reduzir o custo que o Tesouro tem para bancar parte dos juros cobrados pelos bancos.

Uma das mudanças é a exigência de que os bancos cobrem menos “gordura” nas taxas — o chamado spread, que é a diferença entre o que eles pagam para captar o dinheiro e quanto cobram do produtor. O objetivo é baratear os empréstimos e diminuir o gasto público com essa compensação.

Para limitar o acesso a recursos por parte de instituições que tiveram baixo desempenho, o Ministério da Fazenda determinou que quem aplicou pouco dinheiro na safra atual poderá crescer menos no próximo ciclo. Quem usou até 40% do valor disponível poderá receber no máximo 25% a mais. Os bancos que aplicaram entre 40% e 70% poderão crescer até 40%. Já os que colocaram mais de 70% do dinheiro na praça não terão restrição para aumento.

O governo também manteve o limite de 30% por linha de crédito por banco. No caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), esse percentual poderá subir para até 50% por linha, desde que a instituição tenha aplicado mais de 40% do valor final da mesma linha na safra anterior.

Bancos ligados a montadoras, que antes podiam acessar até 5% de cada linha de crédito, agora terão direito a no máximo 3%. Já as instituições financeiras com atuação regional terão até 5% por linha, por estado onde atuaram na safra passada.

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Bancos que nunca participaram do Plano Safra ou que estão fora desde a temporada 2021/22 poderão disputar até 3% do volume total por linha de financiamento.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuará com percentuais reservados. Pelo menos 30% do total será destinado às linhas de investimento e 25% para o custeio do Pronaf. No caso do Pronamp, o BNDES terá, no mínimo, 30% para investimento e 15% para custeio. Para os grandes produtores, o banco ficará com pelo menos 30% dos recursos voltados a investimento, sem percentual reservado para custeio.

As instituições financeiras também terão metas por trimestre. Elas precisarão contratar pelo menos 70% do valor que estimarem para cada período. O governo fará checagens em outubro, janeiro, abril e julho. Quem não cumprir poderá ter o limite reduzido nos meses seguintes. O Ministério da Fazenda também permitirá antecipar contratações, mas, no caso do Pronaf, o adiantamento não poderá passar de 50% da linha prevista para o trimestre seguinte.

PREOCUPAÇÃO – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o momento é de alerta. Segundo ele, o produtor rural já opera num cenário de muitas incertezas e precisa de previsibilidade para seguir cultivando. “Não é possível planejar uma safra com juros que mudam o tempo todo e crédito que não chega. Quem mais sofre com isso são os pequenos e médios produtores, que já lidam com custos altos, clima instável e preços que variam demais. Sem crédito, eles travam ou somem do mapa”, afirmou.

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Rezende ressalta que a exigência de aplicação mínima pelos bancos pode ser um avanço na gestão dos recursos, mas cobra responsabilidade na execução. “O produtor não pode ser refém da burocracia. O recurso tem que estar disponível na hora certa, com clareza nas regras. A agricultura tem seu tempo, e ele não espera. O crédito precisa acompanhar esse ritmo. Se falha, a safra falha junto”.

Para ele, a rigidez nas novas exigências pode até melhorar o uso dos recursos na ponta bancária, mas esbarra na falta de estrutura de muitas instituições para atender o campo com agilidade e capilaridade. “Há regiões em que o acesso ao crédito já é limitado por falta de agência, de pessoal capacitado ou mesmo de interesse comercial. As novas regras não podem penalizar quem está longe dos grandes centros”.

Rezende ainda alertou para o impacto direto sobre os menores produtores. “Quem mais sofre com essa medida são os pequenos e médios, que já enfrentam margens apertadas, volatilidade de preços e insegurança climática. Tirar o crédito dessas mãos é condená-los à estagnação ou à informalidade. O risco é empurrar esse agricultor para alternativas informais, caras e sem proteção”, completou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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