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Moagem de cana no Norte e Nordeste atinge 56,96 milhões de toneladas com alta na produção de açúcar e etanol hidratado

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A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste do Brasil alcançou 56,96 milhões de toneladas até 15 de abril, com 95% da safra 2024/2025 concluída. O volume representa uma queda de 4,1% em relação ao mesmo período da safra anterior, segundo dados da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio).

Redução na moagem foi compensada por clima seco e ATR elevado

De acordo com Renato Cunha, presidente-executivo da NovaBio e também do Sindaçúcar-PE, a diminuição na moagem foi causada pela ausência de chuvas regulares, o que reduziu a expectativa de produção de 63 milhões para 61 milhões de toneladas.

Apesar disso, o clima seco favoreceu a concentração de Açúcar Total Recuperável (ATR), permitindo o aumento da produtividade por tonelada de cana, com ganhos na produção de etanol hidratado e açúcar.

Etanol hidratado cresce mais de 23%

A produção de etanol hidratado somou 1,40 bilhão de litros até a primeira quinzena de abril, um aumento de 23,5% em comparação aos 1,13 bilhão de litros registrados no mesmo período da safra anterior.

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Já o etanol anidro apresentou queda de 22,5%, com produção de 827,7 milhões de litros, ante 1,06 bilhão de litros da safra 2023/2024.

No total, a fabricação de etanol (anidro + hidratado) chegou a 2,23 bilhões de litros, representando uma alta de 1,2% no comparativo anual.

Produção de açúcar avança 7,5% e deve ter maioria exportada

As usinas do Norte e Nordeste produziram 3,72 milhões de toneladas de açúcar até a primeira quinzena de abril, crescimento de 7,5% sobre as 3,46 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior.

Mais de 65% desse volume deverá ser exportado até o fim da safra, com destino a regiões como Ásia, África, Europa e América do Norte. A infraestrutura portuária do Nordeste — com destaque para os portos de Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Natal (RN) — tem sido fundamental para consolidar a região como um player estratégico no comércio internacional de açúcar.

Estoque físico de etanol cresce 11,7%

Até 15 de abril, o estoque físico de etanol totalizou 250 milhões de litros, somando 136,2 milhões de litros de anidro e 113,8 milhões de litros de hidratado.

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O volume representa um aumento de 11,68% em relação aos 223,8 milhões de litros armazenados no mesmo período da safra 2023/2024.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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