CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Crise no mercado de arroz: produtores operam no prejuízo e indústria enfrenta cenário insustentável

Publicados

AGRONEGOCIOS

O mercado brasileiro de arroz vive um momento de grave crise, com produtores acumulando prejuízos e a indústria operando sob forte pressão. A estagnação nas negociações, os preços em queda e o colapso da rentabilidade têm gerado um ambiente de tensão e incerteza em toda a cadeia produtiva. A avaliação é do analista Evandro Oliveira, da consultoria Safras & Mercado.

Produção encerrada, mas mercado segue paralisado

Embora a colheita da safra de arroz já tenha sido tecnicamente encerrada no Rio Grande do Sul — principal estado produtor — o setor segue parado. Segundo o analista, ao contrário de anos anteriores, não há movimentação comercial significativa, e todos aguardam sinais que indiquem os próximos rumos da temporada.

Produtores enfrentam prejuízos crescentes

Os preços praticados atualmente no mercado não são suficientes para cobrir os altos custos de produção, que seguem em trajetória de aumento. Isso tem gerado um desequilíbrio grave entre receita e despesa, resultando em margens cada vez mais pressionadas e crescimento do endividamento entre os produtores.

Leia Também:  Boi gordo mantém estabilidade em São Paulo e registra valorização no Pará

A consequência mais imediata, segundo Evandro Oliveira, é o desestímulo ao plantio na próxima safra. Isso pode levar a uma redução na área cultivada e maior dependência de arroz importado, o que já preocupa agentes da cadeia produtiva.

Indústria opera no limite com margens espremidas

A indústria também sente os impactos da crise. Com dificuldade de repassar os custos ao varejo, enfrenta margens apertadas enquanto precisa lidar com despesas crescentes de logística, embalagens e operação. De acordo com Oliveira, o setor industrial se vê obrigado a manter o abastecimento dos supermercados mesmo operando em condições financeiras insustentáveis, o que gera um risco estrutural para o funcionamento das empresas.

Varejo reduz espaço para o arroz nas prateleiras

No ponto de venda, o arroz tem perdido relevância. Trata-se de um produto com baixo giro, margens reduzidas e intensa concorrência de preços. Como resultado, redes varejistas têm diminuído o espaço dedicado ao cereal nas gôndolas, substituindo-o por categorias mais lucrativas. Há ainda pulverização de marcas e redução da presença de marcas tradicionais.

Leia Também:  Demanda interna e cenário internacional sustentam alta dos preços do milho no Brasil e nos EUA, aponta Itaú BBA
Queda expressiva nos preços do arroz no RS

No fechamento do dia 5, a saca de 50 quilos de arroz (com 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista) foi cotada a R$ 70,83 no Rio Grande do Sul. O valor representa uma queda de 3,24% em relação à semana anterior. Na comparação mensal, o recuo chega a 7,71%. Já em relação ao início de 2024, a desvalorização é ainda mais acentuada: 41,50%.

A crise que se agrava no setor do arroz exige atenção imediata e ações coordenadas para evitar prejuízos ainda maiores à produção nacional e garantir o abastecimento interno com sustentabilidade econômica para todos os elos da cadeia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGOCIOS

Nova taxa e impacto sobre exportações pode chegar a R$ 23 bilhões

Publicados

em

A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil abriu um período de incerteza para o agronegócio nacional (leia aqui). Depois da proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo americano anunciou no final da tarde desta terça-feira (02.06) uma segunda investigação – agora por trabalhos forçados – que poderá acrescentar mais 12,5% de sobretaxa sobre mercadorias provenientes do Brasil. Se as duas medidas forem confirmadas, parte das exportações brasileiras para o mercado americano poderá enfrentar uma carga adicional de até 37,5%.

Embora as tarifas ainda dependam de consultas públicas e decisões previstas para julho, especialistas avaliam que o simples avanço das propostas já produz efeitos sobre o comércio internacional. Empresas exportadoras passam a rever contratos, compradores buscam alternativas de fornecimento e setores mais dependentes do mercado americano entram em estado de atenção.

Os cálculos divulgados até o momento indicam que a tarifa de 25% poderá reduzir as exportações brasileiras entre R$ 13 bilhões e R$ 23 bilhões por ano. A perda não corresponde ao valor das tarifas cobradas pelos Estados Unidos, mas ao volume de negócios que poderá deixar de ser realizado em razão da perda de competitividade dos produtos brasileiros.

Para o agronegócio, o cenário é menos dramático do que para alguns segmentos industriais, mas está longe de ser irrelevante. Isso porque os Estados Unidos figuram entre os principais compradores de diversos produtos agropecuários brasileiros e representam um mercado estratégico para cadeias de maior valor agregado.

A boa notícia é que muitos produtos de interesse do agro aparecem entre as exceções discutidas pelo governo americano. Café, frutas, cereais, sementes, oleaginosas e determinadas categorias de carnes estão entre os itens que podem permanecer fora da tarifa principal de 25%. Também foram mencionadas exceções para alguns produtos agrícolas na investigação relacionada ao trabalho forçado.

Leia Também:  Biotrop ultrapassa 41 milhões de hectares tratados com bioinsumos em 2024

Mesmo assim, o setor acompanha com cautela a evolução das negociações. Isso porque as exceções ainda podem sofrer alterações durante o processo de consulta pública. Além disso, uma vez concluídas as investigações, novas rodadas de sanções podem atingir produtos específicos ou setores considerados sensíveis pelos Estados Unidos.

Entre as cadeias que merecem maior atenção está a da carne bovina. O produto foi citado no relatório americano sobre trabalho forçado como um dos setores globais considerados suscetíveis a riscos na cadeia produtiva. Embora isso não represente uma restrição imediata às exportações brasileiras, o tema passa a integrar a agenda comercial entre os dois países e poderá gerar novas exigências de rastreabilidade e conformidade.

A situação é diferente para commodities agrícolas com forte demanda internacional. Produtos como café, soja e outras matérias-primas possuem mercados alternativos consolidados, especialmente na Ásia, no Oriente Médio e na União Europeia. Caso parte das vendas aos Estados Unidos seja reduzida, existe espaço para redirecionamento de cargas, ainda que nem sempre nas mesmas condições comerciais.

O principal impacto para o produtor rural tende a ocorrer de forma indireta. Uma redução das exportações pode pressionar preços internos em determinados segmentos, afetar margens das indústrias exportadoras e aumentar a volatilidade cambial. Ao mesmo tempo, a busca por novos mercados pode acelerar acordos comerciais e fortalecer a presença brasileira em destinos que vêm ampliando suas compras de alimentos.

Leia Também:  Boi gordo mantém estabilidade em São Paulo e registra valorização no Pará

Outro fator relevante é a diferença entre os setores afetados. As projeções indicam que máquinas agrícolas, equipamentos industriais, produtos de madeira processada e manufaturados devem concentrar as maiores perdas. No agronegócio, os efeitos tendem a variar de acordo com o grau de dependência de cada cadeia em relação ao mercado americano e à existência de compradores alternativos.

A nova investigação relacionada ao trabalho forçado amplia ainda mais a preocupação dos exportadores. O governo americano argumenta que diversos países, incluindo o Brasil, não possuem mecanismos suficientemente eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados sob essas condições. Por isso, propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% para mercadorias provenientes dessas nações.

Caso a medida avance, parte dos produtos brasileiros poderá enfrentar uma das maiores cargas tarifárias dos últimos anos no mercado americano. Ainda assim, especialistas avaliam que o risco mais relevante para o agronegócio não está apenas na tarifa em si, mas na insegurança comercial gerada pela sucessão de investigações e ameaças de sanções.

Até a conclusão das consultas públicas previstas para julho, o setor produtivo acompanha as negociações diplomáticas na expectativa de que as exceções para produtos agropecuários sejam mantidas. Para o agro brasileiro, que exporta para mais de 180 países, a capacidade de diversificar mercados continua sendo a principal ferramenta para reduzir os impactos de eventuais barreiras comerciais e preservar a competitividade internacional.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA