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Banco Central sinaliza fim da alta de juros, mas mantém cautela com impactos da guerra no Irã e inflação
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BC deve encerrar ciclo de alta dos juros
O Banco Central indicou nesta terça-feira (24) que o atual ciclo de aumento da taxa básica de juros está próximo do fim. A decisão foi tomada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, quando a Selic foi elevada de 14,75% para 15% ao ano. Esse foi o sétimo aumento consecutivo, colocando os juros no maior nível em 20 anos e fazendo com que o Brasil tenha a segunda maior taxa de juro real do mundo.
Impacto da guerra no Irã ainda é incerto
A instituição ressaltou que ainda é prematuro avaliar o impacto da escalada do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira. O cenário de instabilidade foi agravado pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, o que pode afetar o preço do petróleo globalmente. Analistas alertam para o risco de repasse desses custos aos combustíveis no mercado interno, o que poderia pressionar ainda mais a inflação.
Juros futuros: mercado só espera queda a partir de 2026
Apesar da sinalização do fim dos aumentos, o mercado financeiro projeta que a taxa Selic deve começar a recuar apenas em janeiro de 2026. Enquanto isso, o Banco Central segue focado em conter a inflação, mirando as metas futuras, principalmente do segundo semestre de 2026.
Como o BC atua no controle da inflação
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação. As decisões são baseadas em projeções futuras, já que os efeitos da política monetária costumam demorar entre seis e 18 meses para impactar plenamente a economia. Atualmente, a instituição já está calibrando a política monetária com foco nas metas de inflação dos próximos anos.
As projeções do mercado para a inflação oficial estão em 5,24% para 2025, 4,5% para 2026, 4% para 2027 e 3,83% para 2028 — todas acima do centro da meta de 3%, perseguido pelo BC.
Desaceleração da economia é parte da estratégia
Segundo a ata divulgada, o Banco Central vê a desaceleração da economia como necessária para conter a inflação. O chamado “hiato do produto” continua positivo, o que indica que a economia ainda opera acima do seu potencial sem gerar pressão inflacionária. Contudo, o BC reconhece que a atividade econômica já dá sinais de moderação e que os efeitos do juro alto devem se intensificar nos próximos trimestres, inclusive sobre o mercado de trabalho.
Inflação ainda é um desafio para o BC
As expectativas de inflação seguem acima das metas em todos os horizontes, segundo o Copom. Isso torna o cenário mais adverso e reforça a necessidade de uma política monetária mais rígida. O documento também destaca a incerteza do ambiente externo, que segue volátil, mesmo com sinais pontuais de melhora, como a reversão parcial de tarifas em algumas economias.
Mercado de trabalho aquecido, mas com sinais de inflexão
De acordo com o BC, os dados mais recentes mostram um mercado de trabalho ainda aquecido, com criação de empregos formais e queda no desemprego. Apesar disso, houve uma desaceleração nos rendimentos, o que pode afetar o ritmo de expansão da renda familiar. A instituição acredita que essa inflexão faz parte dos efeitos esperados da política de juros altos.
Gastos públicos e pressões sobre a inflação
O Banco Central também voltou a apontar que a política fiscal — relacionada aos gastos do governo — tem influência direta na economia, tanto no curto quanto no médio prazo. O aumento de despesas pode estimular a demanda e dificultar o controle da inflação. Para analistas, esse descompasso entre a política fiscal e a política monetária complica a tarefa do BC e pressiona ainda mais a taxa de juros.
A ata do Copom reflete um momento de transição na política monetária brasileira. Embora o ciclo de alta dos juros pareça próximo do fim, os riscos internos e externos, como os efeitos da guerra no Irã, as projeções de inflação e os gastos do governo, ainda impõem desafios significativos para a estabilidade econômica do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte
O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.
A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.
Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.
O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.
O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.
A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.
O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.
No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.
O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.
Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.
Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.
Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.
No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.
Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.
As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.
No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.
Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.
Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.
A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Fonte: Pensar Agro



