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Sistema FAEP alerta: produtores rurais não são obrigados a vender terras em disputa no Oeste do Paraná

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O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) iniciou a avaliação de 23 áreas rurais na região Oeste do Paraná, que a Itaipu Binacional pretende adquirir para destinação a comunidades indígenas. As áreas, identificadas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), somam cerca de 2.692 hectares e estão localizadas nos municípios de Guaíra, Terra Roxa, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu, Missal, Itaipulândia e Santa Helena.

Produtores rurais não são obrigados a vender propriedades

Diante desse cenário, o Sistema FAEP reforça que a decisão de vender ou não um imóvel rural é exclusiva do proprietário, que deve agir de forma consciente, sem pressões ou imposições. Não há qualquer obrigação legal para a comercialização, mesmo em áreas sob processo de demarcação ou disputa.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP, destaca:

“Produtor não pode ser obrigado a vender sua terra. Esse patrimônio é fruto do trabalho e dedicação de gerações no campo. É essencial garantir segurança jurídica e respeito ao produtor rural.”

Áreas invadidas ou em disputa não devem ser negociadas

O Sistema FAEP orienta ainda que propriedades invadidas ou em litígio não devem ser objeto de compra e venda para evitar insegurança jurídica e proteger os direitos dos produtores. A entidade ressalta que as avaliações conduzidas pelo Incra não implicam em perda de posse ou propriedade.

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Meneguette reforça:

“Nenhum proprietário está obrigado a aceitar propostas de venda, nem deve se submeter a pressões ou constrangimentos de órgãos públicos ou outros agentes. O direito de propriedade é constitucional e deve ser respeitado.”

Defesa do Marco Temporal para demarcação de terras indígenas

O Sistema FAEP defende a aplicação do Marco Temporal, que limita demarcações de terras indígenas à data da promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. Em 2023, a Lei 14.701 ratificou esse marco. Segundo a entidade, o não cumprimento dessa norma causa instabilidade jurídica e prejuízos ao meio rural.

Orientações aos produtores rurais

Em caso de dúvidas ou pressões, o Sistema FAEP recomenda que os produtores busquem imediatamente o sindicato rural local. Em parceria com a entidade, os sindicatos poderão orientar para garantir que os direitos dos proprietários sejam plenamente respeitados.

Contexto da negociação envolvendo Itaipu Binacional

A avaliação das terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março deste ano. O acordo autoriza a Itaipu Binacional a adquirir 3 mil hectares no Oeste do Paraná por R$ 240 milhões, para destinar a comunidades indígenas Avá-Guarani afetadas pela construção da usina hidrelétrica.

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O acordo foi firmado entre o Ministério Público Federal, comunidades indígenas, União, Incra, Funai, Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do Conselho Nacional de Justiça e Itaipu Binacional.

Sistema FAEP contesta processo e recorre ao STF

Desde o início, o Sistema FAEP manifestou-se contrário aos termos do acordo, apontando o processo como autocrático e ilegal, pois não houve participação dos produtores afetados nem de suas representações legais.

A entidade ajuizou ação no STF solicitando a suspensão da homologação da compra das terras, defendendo que qualquer medida envolvendo propriedade rural deve respeitar a legislação, garantir segurança jurídica e assegurar a participação efetiva dos produtores no debate.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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