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Mercado do milho em 2024: estabilidade com desafios entre custos elevados e pressões regionais

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Situação atual do mercado regional

O mercado do milho no Brasil apresenta estabilidade relativa, porém com pouca movimentação e preços travados em diversas regiões, conforme análise da TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, as cotações permanecem estáveis em cidades como Santa Rosa (R$ 66,00/saca), Marau (R$ 68,00/saca) e Lajeado (R$ 70,00/saca), enquanto em Santa Catarina o mercado está travado devido ao descompasso entre preços pedidos e ofertas, como no Planalto Norte, onde os valores pedidos chegam a R$ 82,00 por saca, mas as ofertas não ultrapassam R$ 79,00.

No Paraná, o cenário é de negócios estagnados, com milho disponível a R$ 76,00/saca FOB nos Campos Gerais e ofertas CIF para a indústria de rações em torno de R$ 73,00. Já em Mato Grosso do Sul, a comercialização está lenta, com preços variando entre R$ 47,00 e R$ 50,00 nas principais praças, ainda tentando se recuperar após perdas recentes.

Custos elevados e volatilidade desafiam a safra 2025/26

O planejamento para a safra de milho 2025/26 é marcado por preocupações com o aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes, em meio a um cenário de preços estáveis ou em queda para o milho. Segundo Anderson Galvão, diretor da Célieres Consultoria, cerca de 70% a 75% dos fertilizantes usados no Brasil são importados, tornando o setor vulnerável às oscilações do mercado internacional.

O conflito entre Israel e Irã, importantes fornecedores de ureia e fósforo, traz incertezas sobre a oferta e preço desses insumos. Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar, apesar de facilitar a compra dos insumos, pressiona para baixo os preços domésticos do milho, afetando a competitividade dos produtores. A variação cambial pode reduzir o preço da saca em quase R$ 5,00 para cada aumento de 10 centavos na cotação do real.

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Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest, alerta para a necessidade de planejamento financeiro rigoroso, com travas de custos e receitas para proteger margens de lucro, especialmente para o milho safrinha, que representa grande parte da produção no Centro-Oeste.

Clodoaldo Calegari, presidente da Aprosoja Goiás, destaca o aumento significativo nos preços dos fertilizantes desde o início do ano e a perspectiva preocupante de custos superiores com preços do milho iguais ou inferiores à safra anterior, o que pode tornar o cenário econômico bastante desafiador para os produtores.

Custo de produção no Mato Grosso apresenta leve queda

Em contrapartida, um relatório recente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica uma pequena redução de 0,29% no custo operacional do milho de alta tecnologia para 2025/26, estimado em R$ 3.216,06 por hectare, explicada pela queda nos custos de sementes, corretivos e macronutrientes.

Porém, o custo total, que inclui despesas financeiras e com máquinas, subiu para R$ 6.638,14 por hectare, devido ao aumento da taxa Selic. Para cobrir o custo operacional, o produtor precisaria vender o milho a pelo menos R$ 40,33 por saca, preço próximo ao praticado atualmente, mas que pode não garantir margens confortáveis frente às demais variáveis do mercado.

Influências internacionais e demanda sólida sustentam o mercado

O aumento no preço do petróleo, decorrente dos conflitos no Oriente Médio, pode elevar os custos dos combustíveis no Brasil, mas também tende a impulsionar a indústria de etanol, que usa o milho como matéria-prima, ampliando sua demanda.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, a guerra gera incertezas significativas para os custos da próxima safra, especialmente pela importância do Irã e Israel no fornecimento de fertilizantes. Muitos produtos já estão sendo retirados do mercado, aumentando a cautela dos produtores.

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Apesar disso, a demanda interna por milho permanece forte, puxada pelo setor de proteína animal (avicultura, suinocultura e laticínios) e pelo crescimento do mercado de etanol de milho. As exportações também devem continuar elevadas, com previsão superior a 47 milhões de toneladas para 2025/26.

Preços futuros mostram leve alta, mas colheita atrasada limita quedas

No mercado futuro da B3, os contratos do milho apresentaram queda nos últimos dias de junho, pressionados pela colheita da segunda safra em ritmo lento e pela desvalorização do dólar. Mesmo com a baixa diária, o mês fechou com valorização modesta de 0,78%, indicando estabilidade.

A colheita da safrinha avançou para apenas 10,3% da área nacional até 21 de junho, ritmo inferior ao registrado no ano passado e à média dos últimos cinco anos, o que tem limitado quedas maiores nos preços.

Nos contratos, o julho/25 fechou a R$ 63,54 e o setembro/25 a R$ 66,25, ambos com leves recuos semanais. No mercado internacional, na CBOT, o milho teve desempenho misto, com o contrato julho em alta e o setembro em queda no mês, pressionado pelas expectativas de safra recorde nos EUA.

O mercado do milho no Brasil segue em equilíbrio instável, sustentado por uma demanda firme e preços estáveis, mas pressionado por custos elevados e incertezas cambiais e geopolíticas. Produtores enfrentam o desafio de conciliar planejamento financeiro rigoroso e adaptação a um cenário de volatilidade, com a expectativa de que os preços se recuperem no segundo semestre, apoiados pela forte demanda interna e externa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações de algodão do Brasil devem bater recorde em 2025/26 e reforçam liderança global no mercado internacional

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As exportações brasileiras de algodão devem encerrar o ciclo comercial 2025/2026 em nível recorde, com estimativa de aproximadamente 3,3 milhões de toneladas embarcadas, segundo projeções apresentadas durante a abertura do XXIII Anea Cotton Dinner, em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados.

O desempenho reforça o protagonismo do Brasil no comércio internacional da fibra, com o país consolidado como principal exportador mundial de algodão, superando concorrentes tradicionais como os Estados Unidos. O resultado é sustentado pela forte demanda de mercados da Ásia, Europa e Oriente Médio.

Produção brasileira mantém crescimento e produtividade elevada

A safra 2025/2026 de algodão no Brasil deve alcançar cerca de 3,9 milhões de toneladas de pluma, cultivadas em aproximadamente 1,9 milhão de hectares, com produtividade média próxima de 1.954 quilos por hectare, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Para o ciclo 2026/2027, as primeiras estimativas indicam nova expansão, com produção projetada em 3,96 milhões de toneladas, reforçando a tendência de crescimento consistente da cultura no país.

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Brasil registra recordes de exportação e consolida liderança global

A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) destacou que o Brasil registrou recordes mensais de embarques em sete meses dentro do ciclo atual, mantendo ritmo forte de exportações e encerrando a temporada na liderança global do setor.

“O algodão brasileiro alcançou um novo patamar no mercado internacional. Tivemos sete meses de recorde de exportação, e junho deve seguir o mesmo ritmo. Hoje, o desafio já não é apenas produzir mais, mas garantir infraestrutura, competitividade e previsibilidade para sustentar esse crescimento”, afirmou o presidente da Anea, Dawid Wajs.

O avanço das exportações reflete não apenas o aumento da produção, mas também a consolidação da confiança internacional na qualidade da fibra brasileira.

Cenário global pode sustentar preços do algodão

No mercado internacional, o cenário de oferta e demanda segue apertado. A projeção aponta consumo global de aproximadamente 26,510 milhões de toneladas, acima da oferta estimada em 25,265 milhões de toneladas, o que pode contribuir para sustentar as cotações da fibra no mercado mundial.

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Mercado interno mais cauteloso e busca por qualidade

No Brasil, o mercado doméstico apresenta comportamento mais conservador. As fiações têm adotado postura cautelosa nas compras, priorizando qualidade da matéria-prima e reduzindo o apetite por contratos de longo prazo, especialmente em um ambiente de juros elevados.

Uso do algodão avança para além do setor têxtil

Durante as discussões do setor, também ganhou destaque a valorização das fibras naturais e a ampliação do uso do algodão em novas aplicações industriais. Além do vestuário, o produto vem sendo incorporado em segmentos como saúde, construção civil, defesa e materiais funcionais, ampliando seu potencial de inovação e agregação de valor na cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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