POLITÍCA NACIONAL
Subcomissão aprova debate sobre embargos do Ibama
POLITÍCA NACIONAL
A subcomissão temporária que acompanha embargos de terras por parte do Ibama aprovou nesta quarta-feira (16) uma audiência pública para discutir o marco legal dos embargos ambientais e ouvir os órgãos de controle e entidades do setor produtivo. O requerimento aprovado (REQ 2/2025 – CRATERRAS) é do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A data da audiência pública ainda será definida.
Segundo Mourão, a audiência buscará esclarecer pontos como a legalidade dos embargos impostos por meio de editais do Ibama, especialmente nos estados do Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso e Rondônia. Mourão afirma que os embargos recentes, realizados de forma coletiva, geraram insegurança jurídica no campo e afetaram milhares de produtores.
— O produtor é embargado com base em imagens de satélite. Mesmo quando comprova que está regular, leva uma eternidade para ter o embargo suspenso. Precisamos entender a lógica dessas ações e buscar soluções que respeitem o devido processo legal e a razoável duração dos processos, como prevê a Constituição — afirmou.
O presidente da subcomissão, senador Jaime Bagattoli (PL-RO), afirmou que o Senado tem a obrigação de buscar soluções para o problema. Para ele, a audiência deve contribuir para a elaboração de propostas legislativas que garantam segurança jurídica ao setor produtivo e equilíbrio na aplicação da legislação ambiental.
— Tem propriedades em que o produtor comete uma infração em cinco ou dez hectares e acaba tendo 100% da área embargada. Muitas vezes ele nem sabe que a sua área já está embargada.
O requerimento propõe que o debate aborde o impacto dessas ações na concessão de crédito rural, a aplicação da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (Lei 12.651, de 2012) e a aplicabilidade das instruções normativas do Ibama. A audiência deve contar com representantes de:
- Ibama
- Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
- Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema)
- Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja-MT)
A subcomissão é vinculada à Comissão de Agricultura (CRA).
Vinícius Gonçalves, sob supervisão de Patrícia Oliveira
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLITÍCA NACIONAL
Em debate na Câmara, especialistas apontam desafios ambientais e econômicos da transição energética
Em seminário promovido por três comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), especialistas apresentaram sugestões ambientais e econômicas para a gradual substituição dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, diretamente ligados ao aquecimento do planeta. De forma geral, defenderam uma transição energética com metas anuais, prazos vinculantes e fundos para garantir justiça climática.
No aspecto político, a coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, destacou que o Brasil precisa superar contradições na condução do tema.
“Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”, salientou.
Analista do WWF Brasil, Ricardo Fuji mostrou impactos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, com elevado custo social e risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Segundo ele, o quadro seria bem diferente se o investimento fosse direcionado à produção de eletricidade limpa e biocombustíveis.
“Com aquele mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas, daria para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável”, exemplificou.
Derivados do petróleo
Os especialistas também discutiram o cenário geopolítico que impacta no preço internacional dos derivados de petróleo. Só nos primeiros 50 dias da atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares, segundo a 350.org Brasil, organização global pelo fim dos combustíveis fósseis.
Outro dado revela que 2/3 da população mundial vivem em países que importam petróleo e, obviamente, tiveram aumento no custo de vida durante essa guerra.
O diretor da organização 350.org no Brasil, João Cerqueira, lembrou que o setor é altamente subsidiado no mundo inteiro. Ele pediu aos parlamentares a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que proíbe novos subsídios ao carvão, além da rejeição de outra proposta (PL 1371/25) que mantém esses subsídios até 2050 no Brasil.
Um dos organizadores do debate, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) defendeu a atual estratégia do governo federal no enfrentamento da crise. “Quero ressaltar o papel do governo brasileiro diante dessa crise em curso. Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja: não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética.”

Conta de luz
Também houve debates em torno dos impactos da política energética na conta de luz. Representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Leandro Moreira citou esforços para redução do peso dos subsídios custeados pela tarifa energética. Um deles é o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26), em análise na Câmara.
Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu foco do país em planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo, sobretudo diante das novas opções de exploração mineral e energética.
“Nós não podemos sair da dependência fóssil para uma nova dependência tecnológica e material. Por isso, agendas como a de minerais críticos estratégicos precisam ser tratadas como agendas industriais, com agregação de valor e considerando rastreabilidade, circularidade e salvaguardando padrões socioambientais robustos”, defendeu Bruna Targino.
O seminário na Câmara foi promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
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