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Excesso de chuva afeta plantio e desenvolvimento do trigo em Santa Catarina
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Avanço da semeadura em Santa Catarina
A semeadura do trigo em Santa Catarina teve progresso mais consistente a partir da segunda quinzena de junho, conforme o Boletim da Safra de Grãos divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última quinta-feira (10). Apesar disso, as chuvas intensas em regiões do oeste, meio oeste e extremo oeste causaram encharcamento do solo, limitando o ritmo das atividades agrícolas.
Situação por região
No Planalto Norte, uma parte significativa da área prevista para o plantio já foi concluída. A expectativa é que o plantio total seja finalizado até o fim de julho. A Conab informou que a maioria das lavouras está nos estágios iniciais de germinação e emergência, com algumas já iniciando o desenvolvimento vegetativo e o perfilhamento.
Perdas e danos em áreas recentes
Nas áreas do Extremo Oeste, as lavouras implantadas mais recentemente sofreram danos devido à erosão laminar, encharcamento e compactação superficial do solo. Essas condições foram especialmente prejudiciais nas fases iniciais do ciclo do trigo, principalmente em áreas com maior escoamento superficial.
Replantio e conservação do solo
Embora tenha ocorrido redução no número de plantas (estande), a Conab afirma que o replantio não será necessário na maior parte das áreas afetadas. A exceção fica por conta de solos arenosos sem práticas adequadas de conservação e terrenos baixos sujeitos a acúmulo de água e transbordamentos.
Impacto do excesso de umidade no desenvolvimento
Em lavouras já em fase de desenvolvimento vegetativo, o excesso de umidade e a baixa luminosidade causaram estresse fisiológico nas plantas, comprometendo o crescimento e o perfilhamento. Além disso, essas condições dificultaram a aplicação de defensivos agrícolas e a adubação nitrogenada em cobertura.
Previsão para o plantio
Algumas localidades já concluíram praticamente toda a semeadura, mas a maior parte do plantio ainda está prevista para o fim de julho e início de agosto, conforme indicado pela Conab.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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