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Frio intenso exige cuidados especiais para evitar queda na produção de leite
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Riscos respiratórios aumentam no inverno
Durante os meses mais frios, o gado leiteiro fica mais suscetível a infecções respiratórias, como a pneumonia. Para evitar complicações e preservar a produtividade dos rebanhos, é essencial que os produtores fiquem atentos a sinais clínicos como tosse, cansaço e excesso de secreção nasal, conforme alerta Marieli Garcia Madeira de Lima, inspetora técnica da Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).
Higiene e ventilação evitam infecções
Além dos sintomas respiratórios, a técnica destaca a importância do monitoramento dos cascos, que, se comprometidos, podem levar a inflamações e infecções. A recomendação é manter os ambientes dos animais sempre limpos, secos, bem ventilados e livres do acúmulo de fezes e urina. A ordenha também requer atenção especial, com higienização rigorosa para prevenir problemas como a mastite.
Estresse térmico também preocupa no frio
O estresse térmico, frequentemente associado ao calor, também pode ocorrer nas baixas temperaturas. Nessas condições, o animal precisa fazer mais esforço para manter a temperatura corporal, o que pode comprometer sua saúde. “Uma dieta equilibrada, rica em energia, proteínas e minerais, é fundamental para manter a imunidade”, orienta Marieli. Ela também reforça a necessidade de manter o calendário vacinal em dia e contar com acompanhamento técnico e veterinário.
Menor consumo de água pode afetar produção de leite
A ingestão de água costuma cair nos dias frios, tanto pelo resfriamento do líquido quanto pelo risco de congelamento, especialmente em regiões de clima mais rigoroso. Essa redução impacta diretamente na produção de leite. A técnica recomenda proteger os bebedouros e, se possível, manter a água levemente aquecida. Cochos limpos, camas secas e pisos seguros também são essenciais para garantir o bem-estar animal.
Atenção redobrada com vacas prenhas e bezerros
Vacas prenhas e bezerros exigem cuidados especiais no inverno. Além de um ambiente seco e confortável para o descanso, Marieli sugere o uso de mantas térmicas ou roupas apropriadas para auxiliar na manutenção do calor corporal. Por fim, a técnica da Gadolando destaca que proteger os animais contra correntes de vento, chuvas e geadas é crucial para garantir saúde e produtividade ao longo do inverno.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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