AGRONEGOCIOS
Soja enfrenta lentidão nas vendas, pressões logísticas e queda em Chicago
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O mercado da soja no Brasil atravessa um momento de lentidão nas negociações, agravado por gargalos logísticos, aumento da oferta e instabilidade no mercado internacional. A seguir, confira os principais destaques regionais e os fatores que influenciam os preços da oleaginosa.
Vendas lentas e gargalos logísticos nos estados produtores
Rio Grande do Sul
O ritmo das negociações segue travado no estado, com perdas acentuadas que expõem desafios estruturais. No porto, a saca foi negociada a R$ 138,00 (-0,72%) com pagamento previsto para 8 de agosto. No interior, os preços variaram conforme a praça: R$ 133,00 em Cruz Alta (pagamento em 29/08), R$ 132,00 em Passo Fundo (fim de agosto), R$ 131,00 em Ijuí e R$ 132,00 (-0,75%) em Santa Rosa/São Luiz. Em Panambi, o valor permaneceu em R$ 122,00 por saca.
Santa Catarina
O estado enfrenta lentidão nas vendas, causada pela combinação do aumento da produção local e a chegada da safra de inverno. Essa sobreposição gerou gargalos de armazenamento e transporte. No porto de São Francisco, a soja foi cotada a R$ 137,19, com queda de 1,16%.
Paraná
A logística impacta diretamente os preços regionais. Em Paranaguá, a cotação chegou a R$ 139,99 (-0,11%). Em Cascavel, a saca subiu para R$ 125,51 (+1,21%), em Maringá foi cotada a R$ 123,69 (+0,18%), Ponta Grossa a R$ 127,15 (+3,80%) e Pato Branco a R$ 138,68 (+1,13%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00.
Mato Grosso do Sul
O estado enfrenta dificuldades logísticas e déficit de armazenagem, o que prejudica a comercialização em momentos de preços melhores. Em Dourados e Maracaju, o spot ficou em R$ 119,49 (-0,71%); em Campo Grande e Sidrolândia, a cotação foi de R$ 119,15 (quedas de 1,44% e 1,04%, respectivamente); em Chapadão do Sul, R$ 118,57 (-0,16%).
Mato Grosso
A situação também é desafiadora, com gargalos logísticos e variações de preços: Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis registraram R$ 119,48 (+1,77%); Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso ficaram em R$ 116,64, com variações positivas entre 0,60% e 2,50%.
Bolsa de Chicago pressiona ainda mais o mercado brasileiro
O cenário externo também contribui para a retração do mercado interno. A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) voltou a cair, com o contrato novembro/25 em baixa de 0,32%, cotado a 10,06 1/4 centavos de dólar por bushel. A pressão vem do clima favorável nos EUA e da fraca demanda internacional.
Segundo a consultoria Safras & Mercado, a volatilidade dos preços e a queda no dólar reduziram a atratividade dos negócios no Brasil, tanto nos portos quanto nas regiões industriais. Mesmo com prêmios de exportação firmes, os valores caíram. No interior, produtores seguem resistentes e priorizam a venda do milho safrinha.
Confira algumas das principais cotações:
- Passo Fundo (RS): R$ 132,00 (-R$ 1,00)
- Santa Rosa (RS): R$ 133,00 (-R$ 1,00)
- Porto de Rio Grande (RS): R$ 138,00 (-R$ 2,00)
- Cascavel (PR): R$ 132,00 (estável)
- Porto de Paranaguá (PR): R$ 137,00 (-R$ 2,00)
- Rondonópolis (MT): R$ 121,00 (estável)
- Dourados (MS): R$ 120,00 (-R$ 1,00)
- Rio Verde (GO): R$ 120,00 (-R$ 2,00)
Movimentos mistos e cenário global incerto pesam sobre Chicago
Na CBOT, os contratos da soja encerraram o dia com oscilações mistas:
- Agosto: US$ 981,75 (-0,71%)
- Setembro: US$ 989,50 (-0,30%)
- Farelo (agosto): US$ 261,70 (-1,21%)
- Óleo de soja: US$ 57,54 (+1,75%)
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou a classificação das lavouras em boas ou excelentes condições, contrariando as expectativas de baixa produtividade e pressionando os preços.
A demanda global segue enfraquecida, com a União Europeia reduzindo compras do Brasil e a China lidando com excesso de farelo e óleo, o que resultou em venda com descontos para países como a Índia — que adquiriu um volume recorde de 150 mil toneladas.
Além disso, incertezas comerciais entre EUA e China, além de tensões entre Estados Unidos e União Europeia, aumentam o clima de instabilidade. Autoridades francesas, por exemplo, criticaram um recente acordo agrícola como uma submissão europeia aos interesses norte-americanos.
Indicadores financeiros globais
- Dólar comercial: R$ 5,5842 (+0,25%)
- Dollar Index: 99.127 pontos (+0,24%)
- Bolsas asiáticas: Xangai (+0,17%), Tóquio (-0,05%)
- Bolsas europeias: Paris (+0,38%), Frankfurt (+0,11%), Londres (-0,37%)
- Petróleo WTI (setembro/NY): US$ 69,18 por barril (-0,05%)
A conjunção de fatores internos — como logística, armazenagem e excesso de oferta — com a pressão do mercado internacional, deixa a comercialização da soja no Brasil travada, exigindo cautela dos produtores nos próximos movimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mercado de defensivos na soja cresce 6% e atinge US$ 10 bilhões na safra 2025-26, aponta Kynetec
O mercado de defensivos agrícolas utilizados na cultura da soja registrou crescimento de 6% na safra 2025-26, movimentando US$ 10 bilhões, ante US$ 9,45 bilhões na temporada anterior. Os dados são do estudo anual FarmTrak Soja, divulgado pela consultoria Kynetec Brasil, referência em inteligência de mercado no agronegócio.
O desempenho positivo foi sustentado principalmente pelo aumento da área plantada e pela intensificação das aplicações ao longo do ciclo produtivo.
Área cultivada cresce e intensifica uso de tecnologias
De acordo com o levantamento, a área plantada de soja nas regiões analisadas superou 47 milhões de hectares, com alta de 1,5% em relação ao ciclo anterior. Além disso, a intensidade dos tratamentos avançou quase 9%, passando de 30,5 para 33,2 aplicações médias por safra.
Segundo a Kynetec, o cenário poderia ter apresentado crescimento ainda maior não fosse o impacto da desvalorização do real frente ao dólar no período de compra dos insumos, com efeito negativo estimado em 4,5% no desempenho do mercado.
Câmbio limita avanço, mas preços seguem estáveis
O estudo aponta que o investimento médio do produtor por aplicação permaneceu praticamente estável. Em 2025-26, o valor médio foi de R$ 35,89, levemente acima dos R$ 35,61 registrados no ciclo anterior.
Mesmo com oscilações cambiais, o setor manteve estabilidade de preços em reais, sustentando a expansão do mercado em dólar.
Fungicidas lideram participação no mercado
Entre as categorias de produtos, os fungicidas seguem na liderança, respondendo por 39% do mercado total, o equivalente a US$ 3,9 bilhões.
Na sequência aparecem:
- Herbicidas: US$ 2,5 bilhões (24%)
- Inseticidas: US$ 2,3 bilhões (23%)
- Tratamento de sementes, nematicidas e outros: US$ 1,4 bilhão (14%)
O levantamento também destaca a expansão da área potencial tratada (PAT), que atingiu 1,563 bilhão de hectares, crescimento de 11% frente aos 1,414 bilhão registrados na safra anterior.
Nematicidas ganham espaço e avançam 28% no mercado
Um dos principais destaques do estudo é o crescimento dos nematicidas, que vêm ganhando relevância crescente no manejo da soja. O segmento avançou 28% na safra 2025-26, alcançando US$ 320 milhões e representando 3,2% do mercado total de defensivos.
A área potencial tratada com nematicidas também apresentou forte expansão, subindo 40% e atingindo 31,46 milhões de hectares.
Segundo a Kynetec, até a safra 2017-18, o uso desses produtos era considerado marginal, com aplicação em menos de 5% da área cultivada. Atualmente, a adoção chega a 49% das lavouras de soja, refletindo maior conscientização sobre os riscos dos nematoides.
Uso de cultivares resistentes avança entre produtores
O estudo FarmTrak Soja também identificou aumento na adoção de cultivares de soja com tolerância ou resistência a nematoides. Na safra 2025-26, 31% da área plantada utilizou esse tipo de material genético, ante 27% no ciclo 2021-22.
Apesar do avanço, o especialista da Kynetec, Vitor Hugo Leite, destaca que o manejo da praga exige estratégias integradas.
“Nematoides afetam o sistema produtivo como um todo. O controle vai além dos defensivos e das cultivares resistentes. É necessário manter a população da praga em níveis baixos para evitar perdas”, afirma.
Adoção de tecnologias ainda é desigual entre regiões
A pesquisa também evidencia disparidades regionais na adoção de nematicidas. Em estados como Goiás, Mato Grosso, Rondônia e na região do Mapitobapa (Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Pará), o uso dos produtos ultrapassa 60% da área plantada.
Por outro lado, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a adesão ainda é baixa, em torno de 10% das áreas cultivadas.
O estudo FarmTrak Soja foi realizado com base em mais de 3,7 mil entrevistas presenciais com produtores de soja em toda a fronteira agrícola brasileira, consolidando um dos levantamentos mais abrangentes do setor no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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