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StoneX prevê superávit global de açúcar em 2025/26, mas com volume menor que o esperado

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O mercado mundial de açúcar deve registrar um superávit de 3,04 milhões de toneladas na safra 2025/26, de acordo com relatório da consultoria financeira StoneX. O número representa uma redução de aproximadamente 700 mil toneladas em relação à estimativa divulgada em maio.

A produção global está projetada em 197,7 milhões de toneladas (MMt), o que representa um aumento de 5% em relação ao ciclo anterior. Esse crescimento é sustentado, principalmente, pela expansão na produção da Índia e da Tailândia, além da manutenção dos elevados volumes provenientes do Brasil.

Estoques finais e influência das monções

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifácio, os estoques finais globais devem crescer 4,2% e alcançar 75,4 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. Ele ressalta que o fechamento das estimativas dependerá do desempenho dos dois últimos meses da temporada de monções na Ásia e da evolução da safra brasileira.

Demanda global segue em crescimento, impulsionada por Ásia e África

A expectativa da StoneX é de que a demanda mundial por açúcar aumente em 2025/26, especialmente nas regiões da Ásia e da África, com crescimento de 1,5% e 2,5%, respectivamente.

Índia e Tailândia devem sustentar exportações e compensar eventuais perdas do Brasil

A consultoria aponta que o cenário global continua dependendo do desempenho produtivo da Índia e da Tailândia. Os dois países devem garantir volumes suficientes para compensar eventuais frustrações da oferta brasileira na safra 2024/25, que encerra em dois meses.

Mesmo com um déficit estimado de 4,54 milhões de toneladas para o ciclo atual, boa parte da safra já foi precificada. Para 2025/26, a previsão é de superávit, como destaca Di Bonifácio.

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Produção asiática se aproxima de recordes anteriores

A produção da Ásia deve alcançar 80 milhões de toneladas em 2025/26, uma alta anual de 12%, aproximando-se dos níveis recordes registrados em 2021/22. Na Índia, as chuvas de monções superaram em 7% a média histórica entre junho e julho, fator considerado positivo para as lavouras.

Com isso, a StoneX manteve sua projeção de 32,3 milhões de toneladas produzidas no país, mesmo com o desvio de 4,5 milhões de toneladas para a produção de etanol.

Na Tailândia, as chuvas também foram abundantes em maio, e o cenário climático atual está dentro do esperado, com melhorias contínuas. A expectativa é de crescimento de 14% na produção de açúcar, totalizando 11,4 milhões de toneladas, o que pode gerar um adicional de 1,5 a 2 milhões de toneladas em exportações, estimadas em 8,5 milhões de toneladas.

Brasil lidera crescimento nas Américas, apesar de desafios

Para a safra 2025/26, a produção nas Américas deve crescer 2,7%, impulsionada principalmente pelo Brasil. Apesar das dificuldades enfrentadas no Centro-Sul em 2025 — como a queda do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) e da produtividade —, a estimativa para 2026 é otimista, baseada em um canavial mais jovem, resultado das reformas após os incêndios de 2024.

A StoneX projeta que o Brasil produzirá 45,6 milhões de toneladas (tel quel), o que representa um crescimento anual de 4%. Na América Central, o crescimento previsto é de 5%, refletindo uma recuperação após perdas por excesso de chuvas em países como Nicarágua e El Salvador.

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Déficit de 2024/25 já está consolidado

Com apenas dois meses restantes para o encerramento da safra internacional 2024/25, o déficit está praticamente definido. A StoneX estima um saldo negativo de 4,54 milhões de toneladas (valor bruto), influenciado principalmente pela produção do Centro-Sul do Brasil. Foi essa região a responsável por uma redução de 1,7 milhão de toneladas na estimativa global do ciclo atual.

Demanda mundial ainda sofre com desaceleração

Nos últimos cinco anos, a demanda global por açúcar cresceu, em média, apenas 0,7% ao ano. Isso se deve ao menor consumo na Europa e nos Estados Unidos, além da estabilidade em mercados importantes como o Brasil.

Diante desse cenário, a StoneX reduziu sua previsão de consumo em 2024/25 em cerca de 200 mil toneladas, e em pouco mais de 400 mil toneladas para 2025/26, cuja demanda deverá alcançar 194,7 milhões de toneladas (valor bruto), ainda com alta anual de 0,7%.

Resumo
  • Superávit global para 2025/26: 3,04 milhões de toneladas
  • Produção mundial: 197,7 MMt, alta de 5%
  • Estoques finais: 75,4 MMt, crescimento de 4,2%
  • Demanda global: 194,7 MMt, alta de 0,7%
  • Principais produtores: Índia, Tailândia e Brasil
  • Déficit em 2024/25: 4,54 milhões de toneladas

A nova previsão da StoneX confirma um cenário de oferta superior à demanda para o próximo ciclo, mas com margens mais apertadas que o inicialmente projetado, exigindo atenção às condições climáticas e ao desempenho das principais regiões produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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