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Avicultura de corte sente efeitos da gripe aviária e exportações recuam em julho

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Gripe aviária continua impactando o setor em julho

A avicultura de corte brasileira seguiu sendo afetada pelos efeitos da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) durante o mês de julho. Segundo Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, a lenta retomada das exportações preocupa o setor.

“União Europeia e China ainda não restabeleceram totalmente as compras de produtos avícolas do Brasil”, afirmou Iglesias.

Na primeira quinzena do mês, o mercado interno apresentou alguma recuperação, sustentado pela competitividade da carne de frango em relação às outras proteínas. Contudo, a segunda metade de julho foi marcada por uma retração natural, típica do comportamento sazonal do consumo.

Perspectivas para agosto: foco na exportação e na competitividade interna

Para o mês de agosto, a expectativa do setor é a retomada mais consistente das exportações. No mercado doméstico, a carne de frango segue se destacando pela sua vantagem de preço frente à carne bovina e suína, o que mantém a demanda aquecida mesmo diante das oscilações de mercado.

Preços da carne de frango variam no atacado e na distribuição

Levantamento da Safras & Mercado aponta mudanças nos preços dos cortes congelados em São Paulo ao longo de julho:

  • Peito congelado: caiu de R$ 9,90 para R$ 9,60/kg
  • Coxa congelada: de R$ 6,90 para R$ 6,70/kg
  • Asa congelada: subiu de R$ 10,00 para R$ 10,30/kg
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Na distribuição, também houve variação:

  • Peito congelado: caiu de R$ 10,00 para R$ 9,80/kg
  • Coxa congelada: de R$ 7,00 para R$ 6,90/kg
  • Asa alta congelada: subiu de R$ 10,20 para R$ 10,60/kg

Nos cortes resfriados, as alterações também foram registradas:

  • Atacado
    • Peito: R$ 10,00 para R$ 9,70/kg
    • Coxa: R$ 7,00 para R$ 6,80/kg
    • Asa: R$ 10,10 para R$ 10,40/kg
  • Distribuição
    • Peito: R$ 10,10 para R$ 9,90/kg
    • Coxa: R$ 7,10 para R$ 7,00/kg
    • Asa: R$ 10,30 para R$ 10,70/kg
Preço do frango vivo registra oscilações regionais

O preço do frango vivo apresentou variações nas principais praças do país em julho:

  • Minas Gerais: subiu de R$ 5,60 para R$ 5,75/kg
  • São Paulo: recuou de R$ 5,80 para R$ 5,60/kg
  • Mato Grosso do Sul: subiu de R$ 5,50 para R$ 5,60/kg
  • Goiás: valorizou de R$ 5,55 para R$ 5,70/kg
  • Distrito Federal: de R$ 5,60 para R$ 5,75/kg
  • Pernambuco: caiu de R$ 5,90 para R$ 4,80/kg
  • Ceará: de R$ 5,00 para R$ 4,50/kg
  • Pará: de R$ 6,00 para R$ 5,50/kg
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Nas integrações:

  • Santa Catarina: R$ 4,70/kg (estável)
  • Oeste do Paraná: R$ 4,80/kg
  • Rio Grande do Sul: R$ 4,75/kg
Exportações de carne de frango caem em julho

As exportações brasileiras de carne de frango (incluindo cortes, miudezas frescas, refrigeradas ou congeladas) somaram US$ 597,085 milhões em julho, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. A média diária foi de US$ 31,425 milhões.

O volume total exportado alcançou 329,030 mil toneladas, com média diária de 17,317 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.814,70.

Em comparação a julho de 2024, houve:

  • Queda de 12,2% no valor médio diário
  • Redução de 8,6% na quantidade média diária exportada
  • Recuo de 4% no preço médio da tonelada

A expectativa do setor agora se volta para a recuperação do ritmo das exportações nos próximos meses, especialmente com a reabertura de mercados estratégicos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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