AGRONEGOCIOS
Câmara aprova projeto que proíbe pulverização foliar com fipronil para proteger abelhas
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A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4592/23, que propõe a proibição do uso foliar de defensivos agrícolas à base de fipronil. A medida ainda passará por análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e precisará ser votada pelo Senado para se tornar lei.
Objetivo do projeto
O fipronil é um inseticida amplamente utilizado em culturas como soja e milho, mas sua ação não é seletiva, afetando também polinizadores essenciais, como abelhas. A proposta, apresentada pelo deputado Padre João (PT-MG), visa reduzir os impactos ambientais e proteger a saúde pública, evitando a mortalidade de insetos benéficos e preservando a produtividade agrícola.
O relator do projeto, deputado Nilto Tatto (PT-SP), destacou que estudos associam o uso prolongado do fipronil a doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson, entre trabalhadores rurais. Ele também ressaltou que o inseticida é um dos principais fatores ligados à morte de polinizadores.
Precedentes internacionais e normas ambientais
O relator lembrou que o fipronil já foi banido para uso agrícola em países como União Europeia, Uruguai, Colômbia, Costa Rica e Vietnã. No Brasil, o Ibama suspendeu, desde 2023, a aplicação foliar dessa substância como medida cautelar.
O projeto mantém a possibilidade de outras formas de aplicação do produto, como o tratamento de sementes, buscando reduzir impactos ambientais e proteger o ecossistema.
Resistência do setor agropecuário
Representantes do agronegócio têm se manifestado contrários à proposta. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural defendeu que a restrição poderia dificultar o controle de pragas e aumentar os custos de produção.
Entidades do setor argumentam que o fipronil é eficaz no manejo agrícola e que substitutos menos potentes podem comprometer a produtividade das lavouras.
Próximos passos na tramitação
O projeto perdeu o caráter conclusivo devido à rejeição em uma das comissões, o que exige votação no Plenário da Câmara. Após essa etapa, ainda será necessária a aprovação pelo Senado Federal para que a proposta se torne lei.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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