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Soja: mercado em movimento com lucros atraentes, tensão China-EUA e oscilações na Bolsa de Chicago
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Lucros atrativos estimulam venda imediata no Brasil
O mercado brasileiro de soja segue aquecido, impulsionado pela forte demanda internacional, especialmente da China, e pela disputa moderada entre indústrias locais. Segundo a TF Agroeconômica, os preços atuais oferecem margem de lucro de até 27,25% para o produto disponível, recomendando a venda imediata de parte da produção para garantir ganhos. Para a safra 2025/26, contratos futuros indicam preços ao redor de R$ 137,00 a saca em Paranaguá para maio, o que corresponde a cerca de R$ 132,00 no interior do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, proporcionando lucro estimado em 20,77%. A recomendação é vender ao menos 30% da produção, considerando riscos de queda caso um acordo comercial entre EUA e China seja firmado.
Entre os principais fatores que sustentam os preços estão o relatório positivo do USDA, que apontou vendas acima das expectativas na última semana de julho, e a demanda chinesa firme pelo produto brasileiro. Contudo, há pressões baixistas vindas das projeções de maior safra nos EUA, da política tarifária adotada por Donald Trump contra Brasil, Índia e possivelmente China, e das estimativas de produção recorde no Brasil para a próxima safra, previstas acima de 177 milhões de toneladas pelas consultorias StoneX e Céleres.
China mantém protagonismo e amplia compras de soja brasileira
A China permanece como principal protagonista no mercado mundial de soja, registrando importações recordes em julho, totalizando 11,67 milhões de toneladas, e mantendo uma tendência de compras acima de 10 milhões de toneladas mensais. No acumulado de janeiro a julho, houve aumento de 4,6% nas importações chinesas em relação a 2024. O Brasil lidera o fornecimento, com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) projetando exportações brasileiras de soja em 87,91 milhões de toneladas até agosto, uma alta de 4,79% no comparativo anual.
Na Europa, embora as compras de soja e farelo da safra 2025/26 tenham iniciado mais lentas, com queda de 26% e 21% respectivamente, o Brasil mantém sua liderança como fornecedor principal do bloco. Em meio a tensões comerciais e incertezas geopolíticas, o mercado recomenda aproveitar os preços atuais para travar margens lucrativas antes de possíveis recuos.
Futuros na Bolsa de Chicago reagem a declarações de Trump, mas mercado segue cauteloso
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja reagiram rapidamente às declarações do ex-presidente Donald Trump, que, na segunda-feira (11), publicou em sua rede social Truth Social o desejo de que a China “quadruplicasse rapidamente” suas compras de soja dos EUA para ajudar a reduzir o déficit comercial bilateral. Após a postagem, os preços dispararam mais de 2%, com o contrato de setembro chegando a US$ 9,91 por bushel e o de novembro, referência para a safra americana, sendo cotado a US$ 10,10.
Analistas destacam, entretanto, o ceticismo sobre a viabilidade dessa demanda, apontando que a China já importa cerca de 105 milhões de toneladas por ano, sendo apenas um quarto proveniente dos EUA. Um aumento tão expressivo exigiria mudanças logísticas e comerciais significativas, consideradas pouco prováveis no curto prazo. Além disso, lembram que em negociações anteriores entre os dois países, a China não cumpriu integralmente os acordos de compra agrícola.
Mesmo com a reação inicial, o mercado de soja tem enfrentado quedas, acumulando a terceira semana consecutiva em baixa, refletindo a ausência da China nas listas de compradores recentes e a expectativa de uma safra robusta nos EUA. No fechamento da última sexta-feira (9), os contratos para setembro e novembro recuaram 0,68% e 0,65%, respectivamente. Enquanto isso, o farelo de soja avançou 0,18% e o óleo de soja caiu 1,48%.
Na última semana, a China comprou quase 30 cargas de soja do Brasil e também adquiriu farelo de soja da Argentina, uma ação vista como temporária caso as negociações com os EUA avancem. O mercado aguarda o novo boletim mensal do USDA, que deve trazer atualizações sobre oferta, demanda e produtividade da safra americana, reforçando o ambiente de incertezas e oscilações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil e Guatemala fortalecem parceria agropecuária ao celebrarem 50 anos de cooperação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala (MAGA) assinaram, nesta quarta-feira (3), na Cidade da Guatemala, um Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação bilateral em áreas estratégicas para o desenvolvimento agropecuário.
A assinatura do documento marca os 50 anos de cooperação entre Brasil e Guatemala e amplia a atuação conjunta em temas como pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, sanidade animal e vegetal, recursos genéticos, bioinsumos, agricultura regenerativa, recuperação de solos, capacitação técnica, promoção de investimentos e facilitação do comércio agropecuário.
A agenda integra a missão oficial do Mapa à América Central, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, e também representa a retribuição da visita realizada recentemente pela ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, ao Brasil. Na ocasião, foram fortalecidos os entendimentos bilaterais e avançadas pautas de interesse comum, incluindo a habilitação de seis plantas frigoríficas brasileiras de carne bovina para exportação ao mercado guatemalteco.
Durante a reunião bilateral, as delegações identificaram oportunidades para ampliar a cooperação entre instituições brasileiras e guatemaltecas, com destaque para o intercâmbio de conhecimentos em manejo sustentável de solos, bioinsumos, agricultura resiliente às mudanças climáticas, monitoramento agroclimático e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
O Memorando de Entendimento também prevê a criação de mecanismos permanentes de coordenação entre os ministérios, incluindo grupo de trabalho conjunto, intercâmbio de especialistas, realização de missões técnicas, capacitações e desenvolvimento de projetos de interesse comum.
A Guatemala manifestou interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas como o melhoramento genético de pescado e de bovinos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pecuária e ampliar a transferência de tecnologia. Durante as discussões, o governo guatemalteco reconheceu a experiência brasileira como referência internacional em inovação agropecuária e solicitou apoio para ações voltadas ao aprimoramento genético e ao fortalecimento do rebanho bovino do país.
As delegações também discutiram temas relacionados à ampliação do comércio agropecuário bilateral, incluindo avanços em processos sanitários para produtos de origem animal e oportunidades para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
A programação incluiu ainda uma reunião estratégica no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na Cidade da Guatemala. Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de cooperação regional em temas como bioinsumos, cafeicultura, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas, genética animal e fortalecimento institucional.
As discussões ampliaram as perspectivas de atuação conjunta entre Brasil, Guatemala e organismos internacionais para o desenvolvimento de iniciativas voltadas à inovação, à sustentabilidade e ao fortalecimento da agricultura na região.
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