MATO GROSSO
Esmagis-MT promove seminário internacional com especialista em sistema jurídico da Europa
MATO GROSSO
Magistrados (as) do Poder Judiciário de Mato Grosso ampliaram seus conhecimentos e percepções sobre constituições e judiciário da Europa e da América Latina, durante o “Seminário Internacional Independencia Judicial y Separación de Poderes: Estudio de Diversos Casos del Panorama Europeo y Latino-Americano”. O evento, realizado nos dias 27 e 28 de agosto, reuniu juízes, servidores e convidados, promovendo uma análise comparativa sobre a autonomia da Justiça em diferentes contextos jurídico.
O encontro foi promovido e sediado pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e realizado em parceria com a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).
À frente da capacitação estava María Ruiz Dorado, doutora e professora de Direito Constitucional da Universidad de Castilla – La Mancha, na Espanha.
Na abertura dos trabalhos, a juíza Gabriela Knaul de Albuquerque e Silva, responsável pelo eixo Comunicação da Esmagis, representou o desembargador Márcio Vidal, diretor-geral da escola. A magistrada lembrou da relevância do tema abordado no seminário e de como um sistema de justiça independente reflete em uma sociedade mais justa e igualitária.
“A independência judicial é um tema relevante no cenário mundial, tanto na perspectiva europeia quanto latino-americana. Ela é um padrão estabelecido pelas Nações Unidas para o fortalecimento da democracia e do Estado de Direito, e preservá-la tem sido um grande desafio. Ressalto ainda a contemporaneidade e a urgência deste debate, sobretudo no âmbito das escolas judiciais e de todas as instituições que compõem o sistema de Justiça, como o Ministério Público, a advocacia, as escolas militares e entidades de segurança. Todos integramos esse sistema, que precisa ser compreendido em uma perspectiva macro, e não somente sob o olhar do Poder Judiciário”, defendeu a juíza Gabriela Knaul.
Ao longo de dois dias, o seminário visa oferecer uma visão comparada do direito, ao alinhar teoria e prática para ampliar a formação dos participantes.
“Neste seminário, tratamos de um tema que considero muito atual e relevante: a independência judicial e como a clássica separação de poderes vem sendo tensionada ou até rompida em alguns contextos”, pontuou a palestrante María Ruiz.
O conteúdo apresentado incluiu a análise do marco europeu, no âmbito do Conselho da Europa; o Tratado de Londres; os critérios de independência judicial definidos pela Comissão de Veneza e pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos e também sobre o Grupo de Estados contra a Corrupção (GRECO), criado pelo Conselho da Europa para supervisionar a aplicação de padrões anticorrupção nos seus 46 países-membros.
O seminário também trabalha as especificidades da União Europeia, incluindo a Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia.
A capacitação dedicou um bloco do primeiro dia para falar sobre a América Latina, onde os cursistas puderam observar os contrastes de como a independência judicial se manifesta. “Muitas vezes encontramos problemas semelhantes, mas enfrentados com critérios distintos ou até convergentes. Nesse ponto, discutimos também os entendimentos da Corte Interamericana de Direitos Humanos e estudamos diferentes sentenças”.
Capacitação
A iniciativa da Esmagis-MT, de promover a formação de magistrados em temáticas globais, foi elogiada pela professora María Ruiz.
“Essa capacitação é fundamental porque, com a globalização, não lidamos somente com as constituições internas de cada país, mas também com o direito internacional. Cada vez mais, os países interagem entre si, inclusive de forma transoceânica, e é muito importante conhecer outros sistemas. Isso permite uma retroalimentação de experiências: aprender com os acertos, adotar boas práticas e evitar erros ou controvérsias já vividas em outros lugares”, avaliou.
Durante o evento, magistrados destacaram a relevância dos debates para sua atuação diária. Para o juiz Gonçalo Antunes de Barros Neto, do Gabinete 1 da Primeira Turma Recursal, o encontro reforça a importância da independência judicial como pilar para garantir os direitos fundamentais.
“É essencial que os juízes não se sintam pressionados, seja interna ou externamente, no momento de decidir. O maior conceito da independência judicial está justamente na liberdade de convicção. Ao assistirmos a uma palestra como esta, ampliamos horizontes e trazemos a experiência europeia para fortalecer o intercâmbio cultural e o avanço do direito no Brasil”, afirmou.
Já o juiz Fernando Kendi Ishikawa, titular da 1ª Vara da Comarca de Mirassol do Oeste, destacou como a capacitação contribui diretamente para a sua atividade jurisdicional.
“Essa formação é muito importante porque traz uma visão ampla sobre a separação dos poderes, mostrando como esse tema é tratado na Europa e também na América Latina. Esse conhecimento enriquece nossa atuação como magistrados, permitindo aplicar em nossos julgamentos o que há de mais atual no mundo jurídico e compreender melhor os desafios que as democracias enfrentam”, avaliou.
Ao final, houve a análise do caso da grande reforma do sistema judicial mexicano.
Autor: Priscilla Silva
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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MPMT fortalece defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+
Garantir o respeito à diversidade e combater todas as formas de discriminação estão entre as atribuições do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). No dia 28 de junho, quando é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, a instituição reforça seu compromisso com a defesa dessa população, atuando para assegurar direitos fundamentais previstos na Constituição Federal, promover a cidadania, fiscalizar políticas públicas de inclusão e responsabilizar autores de práticas discriminatórias.A proteção desses direitos tem fundamento na Constituição Federal, que assegura a igualdade, a liberdade e a dignidade de todas as pessoas, sem distinção de qualquer natureza. Nos últimos anos, importantes avanços foram consolidados no campo da proteção à população LGBTQIAPN+, entre eles o reconhecimento da união estável e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a possibilidade de alteração de nome e gênero no registro civil sem necessidade de cirurgia, a equiparação da homofobia e da transfobia ao crime de racismo e o fortalecimento das garantias de igualdade, inclusão e respeito à identidade de gênero em diferentes espaços sociais.Além disso, práticas como recusar atendimento, humilhar, constranger, excluir ou agredir alguém em razão da orientação sexual ou da identidade de gênero são passíveis de responsabilização. Nesse contexto, o Ministério Público atua tanto na repressão quanto na prevenção de violações de direitos. A instituição recebe e apura denúncias de discriminação e violência, acompanha e fiscaliza a implementação de políticas públicas voltadas à inclusão social, promove a defesa dos direitos fundamentais e desenvolve ações educativas para conscientizar a população sobre a importância do respeito à diversidade e do combate à intolerância.As violações podem ocorrer em diferentes espaços da convivência social. Casos de discriminação são registrados em escolas e universidades, unidades de saúde, repartições públicas, ambientes de trabalho, estabelecimentos comerciais, espaços religiosos e também nas plataformas digitais. Em todas essas situações, o Ministério Público pode atuar para apurar os fatos, acolher e orientar as vítimas, promover a responsabilização dos envolvidos e adotar medidas destinadas à prevenção de novas violações.O MPMT reforça que vítimas e testemunhas de discriminação ou violência não devem permanecer em silêncio. A denúncia é uma ferramenta fundamental para a proteção de direitos e para o enfrentamento de práticas discriminatórias. Em situações de urgência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. Para registrar denúncias, a população pode procurar a Ouvidoria do Ministério Público pelo telefone 127, pelos números de WhatsApp (65) 99271-0792 e (65) 99255-4681, ou ainda buscar a Promotoria de Justiça mais próxima.
Fonte: Ministério Público MT – MT


