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Carta de São Luís reforça política de enfrentamento ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas

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O Poder Judiciário brasileiro consolidou, durante o II Encontro Nacional do Fórum Nacional do Poder Judiciário para o Enfrentamento do Trabalho em Condições Análogas à de Escravo e do Tráfico de Pessoas (FONTET), realizado em São Luís (MA) nos dias 29 e 30 de julho, a Carta de São Luís – Compromisso pela Densidade e Visibilidade da Política Judiciária de Combate ao Trabalho Análogo à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas.

O documento estabelece diretrizes estratégicas e compromissos institucionais voltados ao fortalecimento da política judiciária, assegurando maior densidade normativa e visibilidade às ações voltadas ao enfrentamento dessas graves violações de direitos humanos.

Fundamentação normativa

A Carta reafirma a centralidade da Resolução CNJ nº 212/2015, que criou o FONTET, e destaca a necessidade de aperfeiçoamento da norma para contemplar a intersecção entre trabalho escravo contemporâneo, tráfico de pessoas, exploração sexual, adoções ilegais e tráfico de órgãos. Também leva em consideração a Recomendação CNJ nº 123/2022, que orienta a observância dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos, bem como o IV Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2024–2028), aprovado pelo Decreto nº 12.121/2024.

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Outro ponto relevante é a incorporação ao ordenamento jurídico brasileiro do Protocolo Facultativo à Convenção nº 29 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), recentemente ratificado pelo país, que amplia os instrumentos internacionais de prevenção, responsabilização e reparação em casos de trabalho forçado.

Compromissos assumidos

A Carta de São Luís elenca uma série de compromissos institucionais:

Fortalecimento dos Comitês Estaduais do FONTET, com suporte técnico, orçamentário e funcional;

Reconhecimento da imprescritibilidade do crime de escravidão, em consonância com a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no “Caso Fazenda Brasil Verde vs. Brasil”;

Elaboração de protocolos nacionais de escuta e produção de provas que assegurem proteção às vítimas e evitem a revitimização institucional;

Integração das práticas judiciais e administrativas aos protocolos antidiscriminatórios do Tribunal Superior do Trabalho (TST), considerando desigualdades históricas que afetam populações em situação de maior vulnerabilidade.

Eixos de atuação prioritários

A Carta também sistematiza diretrizes específicas debatidas nas oficinas do encontro, entre as quais:

Trabalho doméstico: aplicação rigorosa do Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas, com protocolos de enfrentamento ao trabalho escravo considerando gênero, raça, deficiência e condição socioeconômica;

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Exploração sexual: criação de protocolos de abordagem e encaminhamento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade;

Garimpo ilegal: implantação de estratégia integrada de combate ao trabalho escravo no setor, com políticas de resgate, reinserção produtiva e responsabilização;

Cadeias produtivas: fortalecimento de encontros regionais do FONTET para integrar órgãos da Justiça, fiscalização, sociedade civil e setor privado;

Prevenção à revitimização: definição de normas nacionais para coleta de provas e acolhimento humanizado.

Compromisso permanente

Ao final, o FONTET reafirma que o combate ao trabalho em condições análogas à escravidão e ao tráfico de pessoas deve ser compreendido como política pública permanente, interseccional e integrada ao Poder Judiciário, orientada pelos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e pautada por uma perspectiva histórica, social e humanitária.

Acesse a Carta de São Luís neste link.

Autor: Dani Cunha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Desembargador recebe alunos de Cáceres e inspira futuros profissionais do Direito

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Um encontro marcado por identificação e incentivo à carreira jurídica. Assim foi a visita dos 47 acadêmicos de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus Cáceres, ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta quarta-feira (29). O grupo foi recebido pelo desembargador Jones Gattass Dias, também natural de Cáceres, que compartilhou sua trajetória e experiências na magistratura.

“Somos conterrâneos. Sinto-me muito em casa e espero que vocês também sejam muito bem recebidos aqui”, afirmou o magistrado ao dar as boas-vindas. Durante a conversa no Espaço Memória, ele relembrou o início da sua formação e destacou os desafios da carreira. “Eu não sabia o que queria, mas sabia o que não queria. Fui eliminando as áreas até me identificar com o Direito”, contou. Ao final, deixou uma mensagem direta aos estudantes: “Não desistam dos seus sonhos. A magistratura precisa de bons nomes”.

Prática aproxima estudantes do Judiciário

A visita integrou o projeto Nosso Judiciário, que proporciona aos acadêmicos a oportunidade de acompanhar sessões de julgamento, conhecer a estrutura do Tribunal e dialogar com magistrados. Para o desembargador, esse contato direto com a prática é essencial na formação. “O julgamento, o voto do relator, o magistrado que acompanha ou diverge, isso é uma riqueza para quem está estudando. A pessoa sai daqui sabendo se vai gostar ou não de fazer isso”, destacou.

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Um dos responsáveis por trazer os alunos ao Tribunal, o professor e advogado Hamilton Lobo Mendes Filho ressaltou a importância da experiência. “Aqui, conseguimos dar esse choque de realidade. Como somos do interior, muitos alunos não conseguem visualizar essa estrutura. A visita amplia horizontes e mostra que este pode ser um caminho profissional possível”, afirmou. Ele também agradeceu a parceria com o Judiciário. “Assistir à dinâmica de um julgamento não é simples, nem acessível a todos. Essa parceria vai continuar, todo semestre estaremos aqui”.

Experiência reforça escolhas

Entre os acadêmicos, a vivência no TJMT foi apontada como decisiva para a construção da carreira. A estudante do 9º semestre Larissa Yung destacou o impacto do contato com a prática jurídica. “Durante o curso, ficamos muito na teoria. Aqui, conseguimos ver o Direito acontecendo de verdade. Estar no plenário foi uma experiência muito significativa e despertou ainda mais o meu interesse”, relatou.

O estudante Kauan Fares Garcia também avaliou a visita como fundamental. “Pudemos observar como funciona o Poder Judiciário e presenciar o que provavelmente será nossa vida futura. A sustentação oral dos advogados foi o que mais me chamou atenção”, disse. Para ele, a experiência ajudou a concretizar o interesse tanto pela advocacia, quanto pela carreira pública.

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O projeto Nosso Judiciário segue aberto a instituições de ensino interessadas em conhecer o funcionamento do Tribunal. Durante as visitas, os participantes também recebem o Glossário Jurídico, produzido pelo TJMT, como forma de apoio ao aprendizado.

Para agendar uma visita ao Palácio da Justiça de Mato Grosso ou a instituições de ensino, basta telefonar para (65) 3617-3032/3516.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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