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Exportação de abacate do Brasil cresce mais de 400% em uma década
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O Brasil ampliou de forma expressiva suas exportações de abacate nos últimos dez anos, mas ainda mantém uma fatia pequena no mercado internacional. É o que aponta o Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).
Brasil entre os maiores produtores de abacate
Em 2023, o país ocupava a sétima posição mundial na produção de abacate, responsável por 4% da colheita global. Apesar disso, registrou apenas 26,2 mil toneladas exportadas, o que representou uma receita de US$ 39 milhões, colocando o Brasil como o 18º maior exportador do mundo, segundo dados da FAOSTAT.
Crescimento expressivo nas exportações
De acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, o abacate foi a sétima fruta fresca mais exportada pelo Brasil em 2024, com 24,6 mil toneladas vendidas e uma receita de US$ 36,3 milhões. O preço médio alcançou US$ 1.471 por tonelada.
Nos últimos dez anos, as exportações do fruto tiveram um salto de 432% em volume e 452% em valor. Em 2015, o Brasil havia exportado apenas 4,6 mil toneladas, com rendimentos de US$ 6,6 milhões, segundo o Agrostat/Mapa.
Principais destinos do abacate brasileiro
Os Países Baixos, a Argentina e a Espanha concentram a maior parte das compras. Juntos, responderam em 2024 por 80,7% da receita gerada e 76,9% do volume exportado.
- Países Baixos: 41,1% das vendas e 36,5% do volume
- Argentina: 22,3% da receita e 21,3% do volume
- Espanha: 17,3% da receita e 19% do volume
O boletim ressalta que os holandeses atuam como distribuidores para outros países da Europa, e não consomem integralmente os abacates importados.
Qualidade e promoção impulsionam vendas
O estudo ainda aponta que a participação do Brasil em eventos internacionais de fruticultura e o investimento na qualidade do produto foram fatores decisivos para a expansão das exportações, especialmente a partir de 2023.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta
A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.
O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.
Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.
Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.
O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.
O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.
A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.
A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.
Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.
A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.
Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.
A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.
As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.
Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.
Fonte: Pensar Agro



