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Crescimento dos citros reforça avanço da fruticultura brasileira
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A produção de citros em Minas Gerais cresceu 17,2% entre janeiro e agosto de 2025, impulsionando o desempenho nacional da fruticultura e reforçando o papel do estado na cadeia de alimentos e bebidas. O avanço confirma a retomada da citricultura mineira em meio a um cenário de diversificação agrícola e controle sanitário mais eficiente.
Segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Minas produziu 1,48 milhão de toneladas no período, com produtividade média de 24,3 toneladas por hectare. O resultado consolida o estado como o segundo maior polo citrícola do país, atrás apenas de São Paulo — que responde pela maior parte do suco de laranja exportado pelo Brasil, responsável por cerca de 70% do mercado global.
A laranja segue como carro-chefe do setor, representando 90% da produção mineira, com 1,13 milhão de toneladas e crescimento de 21% em relação ao ano passado. A tangerina e o limão completam o pódio, com altas de 5,2% e 9%, respectivamente.
O salto produtivo foi atribuído ao clima favorável e às ações de defesa sanitária conduzidas pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que mantém o programa Viva Citros, voltado ao controle do greening, doença sem cura que ameaça a citricultura mundial.
Ainda assim, o desafio permanece. Em 2024, o estado registrou incidência média de 11% da doença, concentrada nas regiões Sul, Central e Zona da Mata. As áreas do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba seguem com baixos índices, resultado de políticas de manejo e inspeção contínuas.
O crescimento mineiro reflete uma tendência nacional: o Brasil colheu mais de 20 milhões de toneladas de citros em 2024, movimentando bilhões de reais e consolidando-se como um dos motores da agricultura tropical. Para especialistas, manter o ritmo dependerá da combinação entre tecnologia, sanidade e gestão hídrica — fatores que definem a sustentabilidade de uma das cadeias mais emblemáticas do agro brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro



