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Cacau registra queda de 10% e Hedgepoint projeta tendências para novo ciclo
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Preços do cacau recuam após menor patamar em um ano
Os contratos futuros de cacau mais próximos enceram a semana de 3 de outubro a 6.190 USD/t em Nova York e 4.288 GBP/t em Londres, acumulando queda superior a 10%. Segundo a Hedgepoint Global Markets, a correção é resultado de ajustes técnicos, aumento da oferta e mudanças nos preços pagos ao produtor em Gana e na Costa do Marfim.
“O posicionamento cauteloso dos fundos reflete a incerteza macroeconômica, enquanto os ajustes nos preços aos produtores estimularam entregas mais rápidas e pressionaram o mercado”, explica Carolina França, analista da Hedgepoint.
Cenário macroeconômico e política monetária
Nos Estados Unidos, a combinação de tarifas comerciais e desaceleração do mercado de trabalho levou o Federal Reserve a cortar juros em setembro, com possibilidade de novos ajustes ainda este ano. A medida impacta a demanda doméstica e influencia moedas, refletindo nos preços das commodities.
Na Europa, o BCE manteve as taxas estáveis, mas fatores como tarifas dos EUA, pressão fiscal na Alemanha e incerteza política na França continuam a influenciar o mercado de cacau.
Importações dos EUA sustentam demanda
Apesar do aumento recente nos preços, os EUA registraram crescimento de quase 70% nas importações líquidas de cacau, retornando a níveis próximos da média histórica.
Entre janeiro e julho de 2025, o Equador respondeu por 30% das amêndoas importadas, frente a uma média de 13% nos últimos cinco anos. A participação de Costa do Marfim e Gana diminuiu, refletindo mudanças na oferta e potencial impacto de isenções tarifárias negociadas com parceiros comerciais.
O crescimento da manteiga de cacau nas importações de 15% para 20% e a queda do pó de 17% para 15% indicam ajustes nos fluxos comerciais devido ao aumento de preços dos subprodutos.
União Europeia registra menor ritmo de importações
No bloco europeu, o acúmulo líquido ainda está 5% abaixo do ano anterior, mas a diferença vem diminuindo. A preferência por amêndoas africanas de maior qualidade mantém o preço elevado.
Os dados de moagem do segundo trimestre confirmam retração em todas as regiões, sendo a Europa a mais afetada, enquanto os EUA mostram maior resiliência.
Safra 2025/26: clima e oferta sob atenção
As projeções iniciais indicam possível superávit, condicionado a um regime hídrico equilibrado. O NOAA/CPC prevê 71% de probabilidade de La Niña entre outubro e dezembro, aumentando a umidade na África Ocidental e reduzindo risco de estresse hídrico.
No entanto, o fenômeno pode influenciar os ventos Harmattan, afetando o desenvolvimento dos frutos, enquanto no Equador a redução de chuvas no início da estação pode exigir atenção à umidade do solo.
Para a safra 2024/25, chuvas abaixo da média foram parcialmente compensadas, permitindo maior sobrevivência dos frutos. Já para 2025/26, estima-se superávit de aproximadamente 360 mil toneladas, impulsionado pelo aumento da produção no Equador e perspectiva de menor moagem.
“O equilíbrio global entre oferta e demanda ainda é estreito, mantendo alta volatilidade e sensibilidade a dados climáticos e comerciais”, ressalta Carolina França.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro



