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Copom mantém Selic em 15% e sinaliza início gradual de cortes a partir de 2026, segundo analistas
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Os investidores brasileiros iniciam esta quarta-feira (5) com atenção voltada para a reunião do Banco Central do Brasil (BC), cujo Comitê de Política Monetária (Copom) está reunido entre hoje e amanhã. A maior parte das previsões aponta para a manutenção da taxa básica de juros, a Taxa Selic, em 15% ao ano — patamar considerado elevado e restritivo.
Especialistas destacam, no entanto, que o principal foco está no teor do comunicado a ser divulgado pela autoridade monetária, não apenas na decisão em si.
Discurso será chave para o mercado
Para o analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, Alison Correia, o cerne da reunião está justamente no tom que acompanhará o anúncio da manutenção da taxa. Há consenso de que a Selic permanecerá no nível atual, mas o mercado quer pistas sobre quando poderão começar os cortes.
“Mais importante do que a manutenção da taxa é o que será dito depois … há expectativa de que as reduções nos juros possam ocorrer já no início do próximo ano.”
As manifestações do presidente do BC, Gabriel Galípolo, e de outros dirigentes, serão observadas de perto como indicativos sobre o perfil da política monetária.
Contexto macroeconômico e projeções do Banco Central
- As últimas versões do Boletim Focus apontam projeção de inflação para 2025 em 4,55%, ainda levemente acima do teto da meta de inflação (4,5%).
- Para os anos seguintes, as expectativas de inflação também têm recuado, embora ainda permaneçam acima do centro da meta (3%) com tolerância de ±1,5 ponto percentual.
- No cenário mais frequente entre analistas, o ciclo de cortes na Selic deve começar apenas em 2026, com reduções graduais previstas ao longo do primeiro trimestre.
Indicadores da atividade industrial
A produção industrial no país registrou retração de 0,4% em setembro, em relação ao mês anterior, apagando parte do crescimento de 0,7% observado em agosto. Apesar do recuo mensal, o nível da produção ainda está 2,3% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020).
Na comparação anual (setembro de 2025 vs setembro de 2024), houve crescimento de 2,0%. No acumulado do ano, o avanço é de 1,0% frente ao mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o crescimento foi de 1,5%, mostrando desaceleração nos últimos meses — em agosto era 1,6%, em julho 1,9%, em junho 2,4% e em maio 2,8%. A média móvel trimestral ficou em 0,1% no trimestre encerrado em setembro, depois de 0,2% no trimestre anterior.
Desempenho por setor industrial
Das 25 atividades pesquisadas:
- 12 setores recuaram, com destaque para:
- • setor farmacêutico: –9,7%
- • setor extrativo: –1,6%
- • setor automobilístico: –3,5%
Esses setores juntos representam cerca de 23% da indústria.
- 13 atividades tiveram crescimento, com maiores altas nos segmentos de alimentos (+1,9%), fumo (+19,5%) e madeira (+5,5%).
Anualmente, o setor de alimentos avançou 7,1%, puxado por carnes, sucos e açúcar. Já o segmento de petróleo e biocombustíveis caiu 7,2%, afetado pela menor produção de álcool etílico — reflexo da priorização do açúcar nas usinas.
Perspectivas e implicações para o mercado
Juros elevados mantêm crédito caro, o que pode limitar consumo e investimento produtivo no curto prazo.
Um comunicado com tom mais dovish (mais brando) poderia sinalizar início dos cortes e animar investidores, especialmente setores sensíveis à taxa de juros.
Se o comunicado mantiver discurso restritivo, espera-se continuidade da política monetária apertada, reforçando a prudência do BC.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro



