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Preços do café recuam nas bolsas internacionais com chuvas favorecendo lavouras no Brasil

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Os preços do café operaram em queda nesta terça-feira (16), acompanhando o movimento já observado na véspera nas bolsas internacionais. As chuvas volumosas nas principais regiões produtoras do Brasil aliviaram as preocupações com o desenvolvimento da safra de 2026, provocando ajuste negativo nas cotações do arábica e do robusta em Nova York e Londres.

Segundo dados do portal Barchart, as precipitações registradas nos últimos dias contribuíram para reduzir o risco climático que vinha preocupando o mercado. Com isso, os contratos futuros do café recuavam mais de 1% nas primeiras horas da manhã, acompanhando o cenário climático mais favorável no Brasil.

Chuvas intensas em Minas Gerais impulsionam alívio no mercado

De acordo com o Climatempo, as chuvas seguem intensas e persistentes nas áreas cafeeiras. Somente em Minas Gerais, principal estado produtor de café arábica, foram registrados 79,8 milímetros de chuva na semana encerrada em 12 de dezembro, o que representa 155% da média histórica para o período.

As condições meteorológicas mais favoráveis reduziram parte das preocupações com o potencial produtivo da safra 2026, embora o mercado siga atento à regularidade das precipitações nas próximas semanas.

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Quedas nas cotações refletem melhora nas condições climáticas

Por volta das 9h40 (horário de Brasília), o contrato dezembro/2025 do café arábica operava em queda de 390 pontos, cotado a 383,80 cents/lbp. Já o vencimento março/2026 recuava 400 pontos, negociado a 356,30 cents/lbp, enquanto maio/2026 cedia 395 pontos, a 340,80 cents/lbp.

No mercado de robusta, as perdas também foram expressivas: o contrato janeiro/2026 registrava baixa de US$ 89, cotado a US$ 3.953 por tonelada, enquanto março/2026 e maio/2026 recuavam US$ 62 e US$ 63, sendo negociados a US$ 3.861 e US$ 3.791 por tonelada, respectivamente.

Nova York fecha em queda e atinge menor nível em três semanas

Na segunda-feira (15), a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (ICE Futures US) já havia encerrado o pregão com forte desvalorização dos contratos de café arábica, que atingiram os menores níveis das últimas três semanas.

Os contratos para março/2026 fecharam a 360,30 cents/lbp, com queda de 9,00 centavos (−2,4%), enquanto o vencimento maio/2026 encerrou a 344,75 cents/lbp, recuando 8,60 centavos (−2,4%).

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O movimento de baixa foi reforçado também pela queda nos preços do petróleo, que impacta o apetite dos investidores por commodities.

Estoques globais seguem apertados e sustentam atenção do mercado

Apesar do alívio climático, analistas apontam que os fundamentos do mercado global de café permanecem frágeis. Segundo boletim do Escritório Carvalhaes, as incertezas climáticas nos países produtores e os estoques mundiais reduzidos continuam sendo fatores de preocupação.

O analista Marcelo Moreira, da Archer Consulting, destaca que mesmo com a estimativa da consultoria Hedgepoint projetando uma safra de 71 a 74 milhões de sacas em 2026, a produção mundial ainda não será suficiente para recompor os estoques globais.

De acordo com a Archer Consulting, a relação entre estoques e consumo mundial só deve retornar a um nível “confortável”, acima de 15%, a partir da safra 2028/2029 — desde que o Brasil mantenha produções próximas a 70, 80 e 90 milhões de sacas nas próximas três safras (2026/27, 2027/28 e 2028/29).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Tarifas dos EUA colocam exportações brasileiras sob pressão e ampliam exigências de rastreabilidade no agronegócio

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O Brasil entrou em uma corrida contra o tempo para evitar novos obstáculos às exportações para os Estados Unidos. O governo brasileiro tem até 15 de julho para apresentar argumentos e negociar uma proposta americana que prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos vinculados a suspeitas de trabalho forçado. Caso seja implementada e somada aos 25% já anunciados anteriormente pelos Estados Unidos, a cobrança poderá atingir 37,5% em determinados produtos brasileiros.

Embora os principais produtos do agronegócio nacional, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e gás, permaneçam fora do escopo direto da investigação, especialistas alertam que o maior desafio pode estar além das tarifas: a crescente exigência internacional por rastreabilidade, governança e conformidade socioambiental.

Agronegócio brasileiro enfrenta risco reputacional crescente

A avaliação de analistas de mercado é que os impactos econômicos imediatos tendem a ser limitados para as principais cadeias exportadoras. No entanto, a inclusão do Brasil em uma discussão internacional relacionada ao combate ao trabalho forçado pode gerar efeitos indiretos relevantes sobre a imagem do país perante compradores, investidores e instituições financeiras.

O principal receio é que importadores passem a exigir processos mais rigorosos de auditoria, monitoramento da cadeia de suprimentos e comprovação da origem dos produtos. Esse movimento já vem ocorrendo em diversos mercados internacionais e pode ganhar força caso a proposta americana avance.

Para especialistas, a simples associação do Brasil a questionamentos sobre fiscalização trabalhista pode aumentar a pressão por certificações, mecanismos de rastreabilidade e controles adicionais de compliance, mesmo para empresas que não estejam diretamente relacionadas aos setores investigados.

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Cadeias produtivas precisarão reforçar transparência

O novo cenário reforça uma tendência global que vem transformando o comércio internacional. Cada vez mais, a competitividade dos exportadores não depende apenas de preço, qualidade e produtividade, mas também da capacidade de demonstrar conformidade com critérios ambientais, sociais e de governança.

No agronegócio, essa realidade se traduz na necessidade de ampliar investimentos em rastreabilidade, documentação de processos produtivos e monitoramento de fornecedores.

Empresas que já possuem sistemas robustos de controle tendem a enfrentar menos dificuldades. Por outro lado, organizações com baixa transparência operacional podem encontrar barreiras adicionais para acessar mercados estratégicos.

Crédito pode ficar mais seletivo

Além dos reflexos comerciais, o endurecimento das exigências regulatórias pode afetar o acesso ao crédito.

Instituições financeiras e investidores internacionais têm incorporado critérios ESG e de compliance em suas análises de risco. Nesse contexto, empresas com fragilidades em governança ou dificuldades para comprovar a origem de seus produtos podem enfrentar custos mais elevados de financiamento.

O movimento acompanha uma transformação global em que transparência e conformidade deixam de ser diferenciais e passam a representar requisitos básicos para obtenção de capital e participação em mercados internacionais.

Brasil terá seis semanas para negociar

O cronograma estabelecido pelas autoridades americanas prevê consulta pública e audiência em 6 de julho, com decisão final prevista para 15 de julho.

Até lá, especialistas defendem uma atuação coordenada entre governo e iniciativa privada. Entre as prioridades estão a ampliação das negociações diplomáticas, a apresentação de evidências sobre os mecanismos brasileiros de combate ao trabalho análogo à escravidão e o fortalecimento da interlocução com importadores e entidades empresariais dos Estados Unidos.

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Também ganha importância a mobilização de dados que demonstrem a relevância do Brasil para o abastecimento de matérias-primas estratégicas da economia americana, especialmente no agronegócio e na mineração.

Governança será diferencial competitivo

Para o mercado, o cenário ainda é considerado administrável. Entretanto, a discussão evidencia uma mudança estrutural no comércio internacional: as barreiras comerciais deixam de ser apenas tarifárias e passam a incorporar critérios regulatórios, sociais e reputacionais.

Nesse ambiente, a capacidade de comprovar origem, regularidade e conformidade torna-se um ativo estratégico para exportadores brasileiros.

A avaliação predominante entre especialistas é que empresas e cadeias produtivas capazes de demonstrar elevados padrões de governança terão vantagem competitiva nos próximos anos. Já aquelas que não conseguirem atender às novas exigências poderão enfrentar restrições comerciais, aumento do custo de capital e perda de espaço nos mercados internacionais.

Agronegócio brasileiro precisa transformar compliance em oportunidade

O avanço das exigências globais de rastreabilidade e responsabilidade social representa um desafio, mas também uma oportunidade para o agronegócio brasileiro consolidar sua imagem como fornecedor confiável e sustentável.

Com poucas semanas para o encerramento das negociações, o resultado dependerá não apenas da atuação diplomática do governo, mas também da capacidade do setor produtivo de demonstrar transparência, segurança jurídica e compromisso com as melhores práticas internacionais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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