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Escassez e retenção de oferta impulsionam preços do feijão carioca e feijão preto no mercado nacional
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O mercado de feijão carioca atravessou, na última semana, uma ruptura estrutural que alterou completamente as referências de preços e o comportamento dos agentes. A escassez física de produto disponível, aliada à retenção estratégica dos produtores e à demanda ainda firme, resultou em um novo patamar de preços e em operações voltadas principalmente a negócios por amostra e embarques programados.
De acordo com o analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, a cotação de R$ 250 por saca CIF São Paulo, que até então funcionava como resistência psicológica, tornou-se um novo piso técnico para os grãos de melhor qualidade.
Referências de preços sobem e mercado precifica risco de escassez
Mesmo com a falta física do grão extra nota 9,5, o mercado passou a negociar valores de referência em R$ 270 por saca, alcançando R$ 280 por saca para a cultivar Dama, na Zona Cerealista de São Paulo. O movimento evidencia uma mudança estrutural, com o mercado agora precificando risco de escassez, e não apenas custos marginais.
A ausência de lotes de qualidade superior provocou um efeito de valorização em cadeia, impulsionando os padrões imediatamente inferiores. Os lotes nota 9 e 8,5 ganharam liquidez, com maior giro e aceitação dos novos patamares de preço.
No Paraná, a diferenciação entre cultivares se intensificou, com prêmios para variedades de escurecimento lento, refletindo maior exigência do varejo e valorização antecipada do produto de melhor aparência.
Produtores mantêm firmeza nas origens e alta é validada no FOB
O comportamento nas principais origens foi homogêneo, sem sinais de pressão vendedora. Minas Gerais, Goiás e São Paulo mantiveram pedidas elevadas, enquanto o Paraná enfrenta um vazio produtivo, incapaz de conter a alta.
O mercado FOB acompanhou o movimento do CIF, reforçando a percepção de que a elevação é estrutural e sustentada, e não apenas uma oscilação pontual.
“O viés técnico permanece altista, sustentado e assimétrico, com estoques menores do que o mercado inicialmente estimava”, explica Oliveira.
Feijão preto: colheita avança e preços reagem após ciclo de baixa
No mercado de feijão preto, o cenário também mudou de direção, encerrando um longo período de preços deprimidos e margens negativas. Diferentemente do carioca, a valorização ocorre de forma mais gradual e seletiva, sustentada por fundamentos de oferta e demanda mais equilibrados.
Segundo o analista, o produto a granel desapareceu das mesas de negociação, resultado da retenção do grão recém-colhido pelos produtores e do redirecionamento de volumes ao beneficiamento próprio, o que retirou do mercado a principal fonte de pressão baixista.
Novas referências de preços consolidam reação do feijão preto
O patamar de R$ 200 por saca CIF São Paulo consolidou-se como referência de mercado, enquanto os lotes beneficiados e ensacados avançaram para valores entre R$ 205 e R$ 220 por saca, refletindo premiação pela qualidade e pela pronta entrega.
No mercado FOB, o avanço foi consistente, ainda que com variações regionais:
- Paraná: entre R$ 158 e R$ 164 por saca;
- Santa Catarina: acima de R$ 150 por saca;
- Interior paulista: próximo de R$ 185 por saca.
Oferta ajustada e baixa disposição de venda sustentam viés positivo
A redução histórica de área plantada no Paraná, somada à colheita avançada e à qualidade irregular dos grãos, mantém o mercado ajustado e antecipa um cenário de entressafra técnica.
“O produtor ainda está se recuperando de um período prolongado de preços baixos e demonstra pouca disposição em reduzir suas pedidas”, afirma Oliveira.
Com oferta controlada, diferenciação por qualidade e expectativa de retomada da demanda nas próximas semanas, o viés de alta no mercado do feijão preto tende a se manter no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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