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Formação em educação integral mobiliza municípios
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O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB), realizou, em 2025, mais uma edição da Formação Continuada em Educação Integral em Tempo Integral. A iniciativa, que teve sua primeira edição em 2024, faz parte do eixo “Ampliar” do programa Escola em Tempo Integral. O curso buscou apoiar a elaboração, o planejamento, o aprimoramento e a institucionalização de políticas de educação integral em tempo integral nos municípios, nos estados e no Distrito Federal. A ação contribuiu para o aumento do percentual de entes federativos com políticas locais de educação integral institucionalizadas, que passou de 17%, em 2023, para 90,5%, em 2025, conforme registro do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec).
A formação continuada foi ofertada em parceria com universidades federais e estaduais parceiras, tendo sido coordenada pelas seguintes: Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).
O curso foi composto por seis módulos:
- Módulo 1: O Programa Escola em Tempo Integral (ETI) e seus Ordenamentos Jurídicos
- Módulo 2: Fundamentos da Educação Integral
- Módulo 3: Políticas de Educação Integral em Tempo Integral e Intersetorialidade
- Módulo 4: Gestão Democrática e Instâncias de Participação e Acompanhamento Social
- Módulo 5: Currículo Integrado
- Módulo 6: Equidade – Modalidades Educacionais e Temáticas da Diversidade
- Módulo 7: Trabalho Final
O número de concluintes da formação no ano de 2025 foi de 7.926 (75,84%), entre os 10.451 inscritos, um resultado relevante tendo em vista que se trata de uma formação a distância. Ressalta-se também o expressivo número de municípios participantes, 3.817 municípios, bem distribuídos entre as regiões, sendo 1.369 da Região Nordeste, 993 da Região Sudeste, 800 da Região Sul, 372 da Região Norte e 274 da Região Centro-oeste, conforme quadro a seguir:
Confira o índice de cursistas concluintes da Formação Continuada em Educação Integral em Tempo Integral, em 2025, por região e unidade da Federação (UF):
|
Região Nordeste |
||
|
UF |
Concluintes |
Percentual (%) |
|
Alagoas |
158 |
69,91% |
|
Bahia |
732 |
70,05% |
|
Paraíba |
153 |
59,07% |
|
Rio Grande do Norte |
142 |
58,68% |
|
Sergipe |
83 |
56,85% |
|
Ceará |
362 |
64,18% |
|
Maranhão |
272 |
56,67% |
|
Pernambuco |
228 |
62,47% |
|
Piauí |
230 |
64,97% |
|
Total |
2.360 |
64,11% |
|
Região Sudeste |
||
|
Espírito Santo |
117 |
100,00% |
|
Minas Gerais |
946 |
88,66% |
|
Rio de Janeiro |
246 |
93,18% |
|
São Paulo |
1.024 |
89,35% |
|
Total |
2.333 |
89,94% |
|
Região Sul |
||
|
Paraná |
674 |
77,74% |
|
Rio Grande do Sul |
766 |
78,64% |
|
Santa Catarina |
366 |
68,28% |
|
Total |
1.806 |
75,98% |
|
Região Norte |
||
|
AC |
36 |
80,00% |
|
AM |
140 |
76,92% |
|
AP |
60 |
92,31% |
|
PA |
264 |
84,35% |
|
RO |
104 |
96,30% |
|
RR |
52 |
91,23% |
|
TO |
264 |
87,42% |
|
Total |
920 |
85,82% |
|
Região Centro-Oeste |
||
|
DF |
2 |
22,22% |
|
GO |
241 |
74,15% |
|
MS |
109 |
74,15% |
|
Total |
507 |
69,74% |
|
Total Geral |
7.926 |
75,84 % |
Avaliação – As ações de formação foram bem avaliadas pelos cursistas participantes, os aspectos destacados pelos cursistas em âmbito nacional foram: Troca de experiências, Conhecimento, Interação e Aprendizado. Quanto às regiões; no Sul, destacou-se o fato de compartilhar práticas e o aprendizado coletivo; no Sudeste, a troca entre os participantes e a interação; no Centro-Oeste, o conhecimento adquirido e a amplitude dos temas; no Nordeste, o reconhecimento do conteúdo e da troca de saberes regionais; e, no Norte, a valorização da interação e aprendizado.
Tabela: Avaliação dos cursistas da Formação Continuada em Educação Integral em Tempo Integral, 2025
|
Avaliação Nacional |
|
|
Recomendariam o curso |
96,08% |
|
O curso atendeu às expectativas |
98,3% |
|
Relevância dos temas (Bom a excelente) |
99,12% |
|
Relevância dos materiais didáticos (Bom a excelente) |
98,92% |
|
Módulos do curso – clareza e objetividade (Satisfeito) |
98,34% |
|
Comprometimento e domínio dos formadores (Excepcional) |
98,96% |
|
Qualidade dos encontros presenciais. |
95,00% |
|
Qualidade dos encontros síncronos. |
96,48% |
|
Ambiente virtual adequado |
97,70% |
Tempo Integral – O programa Escola em Tempo Integral é uma estratégia do MEC para induzir a criação de matrículas em tempo integral em todas as etapas e modalidades da educação básica. Coordenado pela SEB/MEC, o programa tem como finalidade contribuir para o cumprimento da Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014–2024, política de Estado construída com a participação da sociedade e aprovada pelo parlamento brasileiro.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da SEB
Fonte: Ministério da Educação
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MTE resgata duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em Santa Catarina
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria-Fiscal do Trabalho, resgatou duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em ações realizadas no estado de Santa Catarina (SC) durante o mês de maio. As operações ocorreram nos municípios de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, e em Florianópolis, e contaram com atuação conjunta de órgãos públicos de proteção aos direitos humanos e trabalhistas.
No município de Benedito Novo, a ação realizada em 12 de maio reuniu equipes da Auditoria-Fiscal do Trabalho do MTE, Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU), além de profissionais das áreas de psicologia e assistência social. Durante a fiscalização, foi resgatada uma mulher de 40 anos submetida a mais de quatro décadas de exploração doméstica praticada pelos próprios familiares em uma propriedade rural da região.
As diligências foram iniciadas após denúncias sobre possíveis violações de direitos humanos e trabalhistas no local. Segundo informações da equipe de Auditoria-Fiscal do Trabalho, a vítima vivia em situação de trabalho forçado doméstico, submetida a jornadas exaustivas, condições degradantes e restrição de locomoção.
No início da operação, os familiares da trabalhadora resistiram à entrada das equipes e tentaram impedir o contato da fiscalização com a vítima. Mesmo diante da presença policial, houve ameaças aos agentes públicos, incluindo intimidações com uso de facas.
Após a contenção da situação, as equipes conseguiram conversar com a trabalhadora, que apresentava sinais de neurodivergência e forte temor de deixar a residência. De acordo com os relatos obtidos durante a fiscalização, ela realizava atividades domésticas permanentes desde a infância, sem remuneração, autonomia ou acesso a direitos trabalhistas.
O MTE também constatou condições precárias de habitação e fortes indícios de isolamento social. Relatos de moradores da região indicavam que a vítima raramente era vista fora da propriedade.
Na mesma propriedade, a fiscalização identificou ainda uma serraria funcionando de forma irregular, com trabalhadores sem registro formal e expostos a graves riscos de acidentes. Máquinas artesanais operavam sem proteção adequada, sem treinamento de segurança e sem fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Um dos trabalhadores informou atuar no local há mais de dois anos sem acesso a direitos trabalhistas. Segundo relatos colhidos pela fiscalização, a serraria contava com pelo menos cinco trabalhadores em situação informal.
Já em Florianópolis, em outra operação conjunta, a equipe de Inspeção do Trabalho identificou, no início de maio, uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, submetida a condições análogas à escravidão em uma residência localizada em condomínio fechado no bairro Rio Tavares.
A fiscalização constatou indícios de jornadas exaustivas, violência psicológica, retenção de documentos e restrição de liberdade. A vítima havia sido contratada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por intermédio de uma empresa estrangeira de serviços domésticos identificada como Maids Domestic Workers Services L.L.C., e trazida ao Brasil por um casal formado por um homem brasileiro e uma mulher árabe, sem visto de trabalho regular.
Segundo relatos colhidos durante o atendimento, a trabalhadora era submetida a jornadas diárias das 7h às 22h30, inclusive aos finais de semana, acumulando atividades de limpeza, preparo de alimentos, cuidados com os filhos da família e com os animais de estimação da residência.
A vítima relatou episódios constantes de violência psicológica, verbal e moral, marcados por gritos, insultos, ameaças e intimidações. Também foram relatadas tentativas de agressão física e arremessos de objetos em sua direção, criando um ambiente permanente de medo e pressão emocional.
Os empregadores também retiveram os documentos pessoais da trabalhadora, incluindo o passaporte, restringindo sua liberdade de locomoção e dificultando qualquer possibilidade de busca por ajuda. Temendo por sua integridade física, a vítima fugiu da residência durante a noite levando apenas as roupas do corpo e um aparelho celular.
Após horas perambulando pelas ruas, conseguiu pedir ajuda utilizando ferramentas de tradução no celular para se comunicar com pessoas que encontrou pelo caminho. A trabalhadora foi inicialmente acolhida pela rede pública de segurança, saúde e assistência social, que posteriormente acionou o MTE para atendimento especializado.
Durante o atendimento, a vítima informou desejar interromper imediatamente a relação de trabalho em razão das violências sofridas, da carga horária excessiva e da privação de liberdade. Ela também relatou que os empregadores condicionavam a devolução de seus documentos e pertences pessoais ao pagamento de supostas dívidas relacionadas a passagens aéreas, emissão de visto, alimentação e outras despesas.
As equipes do MTE e da rede de acolhimento confirmaram que, mesmo após a fuga, a trabalhadora continuou recebendo mensagens intimidatórias e acusações falsas por parte dos empregadores. Sem rede de apoio no Brasil e desconhecendo seus direitos, a vítima apresentava forte abalo emocional no momento do acolhimento pelos órgãos públicos.
Nos dois casos, as trabalhadoras resgatadas foram encaminhadas para atendimento especializado nas áreas de saúde, assistência social e apoio psicossocial. Os órgãos responsáveis também adotaram as providências cabíveis para investigação e responsabilização dos envolvidos.
O Ministério do Trabalho e Emprego reforça que o combate ao trabalho análogo ao de escravo tem como objetivo proteger a dignidade humana e assegurar condições mínimas de liberdade, saúde e segurança aos trabalhadores. A prática pode ser caracterizada não apenas pela restrição física de liberdade, mas também por jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, retenção de documentos, violência psicológica e mecanismos de coação que impeçam a autonomia da vítima.
Denúncias
Casos de trabalho análogo ao de escravo podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A ferramenta fortalece o combate a essas violações por meio da participação ativa da sociedade.
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