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Dia de campo no noroeste de Minas apresenta estratégias para aumentar produtividade do milho e enfrentar veranicos
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Milho para silagem é foco da pecuária leiteira regional
O milho é o volumoso mais utilizado na pecuária leiteira do noroeste de Minas Gerais, sendo fundamental para a produção de silagem durante o período seco do ano. Um diagnóstico de solo realizado em propriedades familiares da região apontou que cerca de 70% das áreas apresentam níveis baixos ou muito baixos de matéria orgânica, sinalizando fragilidade produtiva e baixa resiliência a veranicos — períodos de estiagem curta e intensa.
“O cenário é um alerta sobre a saúde dos solos e evidencia a necessidade de práticas que aumentem a resiliência das lavouras”, afirmou o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier.
Projeto Nexa Transforma promove dia de campo em Vazamor
No âmbito do projeto Nexa Transforma – Frente Geração de Renda, desenvolvido em parceria com a Nexa Resources e a Agência para o Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável de Vazante e Região (ADVAZ), a Embrapa realizou um dia de campo na terça-feira (24) na propriedade de José Maria Furtado e Edna Regina de Oliveira, em Vazamor. Cerca de 50 produtores participaram do evento, que teve como objetivo apresentar práticas e tecnologias para aumentar a produtividade do milho e a eficiência da silagem.
“Eventos como esse permitem troca de experiências e socialização de resultados, ampliando o impacto das ações desenvolvidas”, destacou o analista da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
Tecnologias aplicadas aumentam produtividade e eficiência
Na Unidade de Referência Tecnológica (URT) implantada na propriedade, manteve-se o sistema tradicional do produtor — preparo do solo, calagem e adubação de base — e foram incorporadas três tecnologias complementares:
- Aplicação de gesso agrícola – promove fornecimento de cálcio e enxofre em profundidade, favorecendo o desenvolvimento radicular e a absorção de água e nutrientes, essencial em regiões sujeitas a veranicos.
- Uso do bioinsumo Auras – desenvolvido pela Embrapa, aumenta a tolerância das plantas ao déficit hídrico e melhora o equilíbrio metabólico e o desenvolvimento vegetativo.
- Complementação da adubação com nitrogênio – eleva a dose total para até 100 kg/ha, aumentando a formação de biomassa e garantindo maior volume e qualidade da silagem.
Resultados mostram ganhos significativos
Segundo a agrônoma Nauíze Cristina Borges, responsável pelo acompanhamento das atividades em campo, o sistema URT apresentou ganhos consistentes:
- Produtividade: 41.288 kg/ha no modelo URT, contra 30.636 kg/ha no sistema tradicional.
- Custo por tonelada: R$ 217,10 na URT, frente a R$ 261,09 na prática anterior.
“A parceria com os produtores é fundamental. Quando eles compreendem e adotam novas estratégias, os resultados aparecem. Neste caso, houve adaptação rápida e satisfação com o aumento de produtividade”, afirmou Nauíze.
Metodologia combina assistência técnica e pesquisa participativa
O projeto adotou uma abordagem em duas dimensões:
- Assistência técnica contínua – realizada por veterinária e agrônoma contratadas pela ADVAZ/NEXA, acompanhando 40 propriedades familiares, planejando ações adaptadas às necessidades de cada produtor e monitorando metas de produtividade e sustentabilidade.
- Pesquisa participativa – com agricultores e famílias, testando alternativas práticas para melhorar os sistemas produtivos da região.
Experiências com esterco bovino e plantio direto demonstram resultados promissores
Durante o dia de campo, José Humberto Xavier e o produtor José Maria Furtado apresentaram uma área onde foram aplicados esterco bovino e plantio direto sobre a palha, registrando produção superior a 54 toneladas de matéria verde. Este sistema conservacionista contribui para aumento da matéria orgânica e melhora a resiliência frente aos baixos índices detectados no diagnóstico inicial.
“Os resultados da URT podem servir como base para gerar recomendações adaptadas às condições locais, beneficiando cada vez mais produtores”, avaliou Xavier. “O caminho é buscar tecnologias e avançar no conhecimento para aumentar a produtividade e os resultados”, comemorou o agricultor José Maria.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro



