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Conheça Eveline Alexandre Paulo, vencedora na categoria Pesca Industrial ou Indústria do Pescado
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Chegou a hora de conhecermos mais uma homenageada no Prêmio Mulheres das Águas. A vencedora da categoria Pesca Industrial ou Indústria do Pescado é Eveline Alexandre Paulo, engenheira de pesca do Ceará, que há mais de 30 anos dedica sua vida ao setor pesqueiro.
Em 1989, iniciou a carreira como gerente de Controle de Qualidade em uma grande empresa pesqueira em Macapá (AP), com 23 barcos camaroeiros e cerca de 400 colaboradores. Atuou por quase cinco anos na exportação de camarão-rosa para o Japão, um mercado bastante exigente. Também coordenou a elaboração do Manual de Controle de Qualidade, documento de uso interno da empresa, e participou de auditorias internacionais, quando teve seu primeiro contato com o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC).
De volta a Fortaleza, Eveline trabalhou em empresas locais com lagosta e peixes marinhos destinados à exportação para os Estados Unidos, especializando-se na elaboração e implantação de planos APPCC. Com a consolidação da carcinicultura do Penaeus vannamei no Ceará, atuou na exportação do produto para a Europa.
No início dos anos 2000, foi selecionada como supervisora de Garantia de Qualidade em uma multinacional, integrando o camarão ao portfólio de exportação da empresa para países como Holanda, Inglaterra, Espanha e França. Além disso, gerenciou empresas terceirizadas no Ceará e no Rio Grande do Norte, atuando em controle de qualidade, gerenciamento de despescas, frota de caminhões, estoque e exportação, sempre buscando manter elevados padrões e proteger a saúde do consumidor.
Desde 2010, é professora do Instituto Federal do Ceará (IFCE – Campus Acaraú), lecionando disciplinas como Beneficiamento e Controle de Qualidade do Pescado, Oceanografia, Introdução à Pesca, Legislação Marítima e Ambiental e Administração de Recursos Pesqueiros, nos cursos técnicos de Pesca, Aquicultura e Engenharia de Pesca.
Por tantos anos dedicados à pesca, Eveline acredita que, mais do que engenheira, tornou-se um exemplo e um incentivo para que mais mulheres façam parte da área. “Minha trajetória na indústria pesqueira começou há mais de 30 anos, não apenas como uma carreira, mas como uma missão. Entendi, desde o início, que a sustentabilidade dos nossos recursos pesqueiros não dependia apenas de técnicas e processos, mas também de quem executava. Assim, percebi que as pessoas mais indicadas para essa tarefa eram, em sua maioria, mulheres”, ressaltou.
Inspiração para as mulheres na pesca
O Prêmio Mulheres das Águas não é a primeira homenagem recebida por Eveline. Em 2018, foi reconhecida pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará com uma comenda como Engenheira de Pesca do Ano. Para ela, “esse reconhecimento validou não apenas minha contribuição técnica, mas, principalmente, meu compromisso com a transformação social por meio da inclusão feminina na indústria do pescado”.
Ao longo da carreira, Eveline priorizou a contratação de mulheres nas equipes, por acreditar que elas “são mais criteriosas e apresentam maior aptidão para atividades relacionadas ao monitoramento das Boas Práticas de Fabricação (BPF), avaliação sensorial, análises laboratoriais, organização de arquivos, entre outras”.
“Ao compor equipes com mulheres, eu não estava apenas preenchendo vagas; eu estava abrindo portas, criando oportunidades de autonomia e independência financeira para dezenas de mulheres. Eu estava provando, na prática, que a inclusão feminina não era um favor, mas uma estratégia inteligente e eficaz para alcançar a excelência”, afirmou.
“Ganhar o prêmio Mulheres das Águas seria honrar não apenas a minha história, mas a de cada mulher que, ao meu lado, ajudou a construir uma indústria do pescado mais justa, mais qualificada e, acima de tudo, mais sustentável.”
Durante sua trajetória como professora, Eveline tem ministrado palestras e treinamentos para marisqueiras e mulheres de comunidades pesqueiras, com temas relacionados às boas práticas de manipulação e à responsabilidade ambiental. Ela também busca conscientizar os jovens sobre o aproveitamento sustentável da aquicultura e da pesca, com respeito ao período de defeso, ao tamanho mínimo de captura, à redução do bycatch e às boas práticas nos processos de industrialização. “Essa formação ambiental cria profissionais capazes de conciliar produtividade com responsabilidade ecológica e garantia de qualidade do pescado”, destaca.

- Eveline com os alunos em aula prática.
Sustentabilidade
Eveline defende que a sustentabilidade depende dos aspectos social e ambiental. Para ela, o compromisso com a sustentabilidade sempre foi duplo: de um lado, a implementação rigorosa de sistemas como Programas de Autocontrole e, em especial, o APPCC, garantindo segurança e qualidade do pescado; de outro, a educação de estudantes e colaboradores sobre a importância de respeitar os ciclos da natureza, como o período de defeso, o tamanho mínimo de captura e a responsabilidade com o ecossistema. “A verdadeira sustentabilidade, para mim, foi conectar esses dois mundos. Foi mostrar que as mesmas mulheres que garantiam a qualidade do produto final eram as mais dedicadas a proteger a fonte desse recurso”, completou.
Sobre o Mulheres das Águas – O prêmio foi criado em 2023 para reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na pesca e aquicultura, promovendo práticas sustentáveis e, principalmente, o empoderamento das mulheres que vivem das águas. Esta edição será realizada no dia 18 de março, no Teatro Nacional, em Brasília.
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Exportações brasileiras de soja superam 72,7 milhões de toneladas em 2026 e mantêm ritmo forte, aponta ANEC
As exportações brasileiras de grãos seguem aquecidas em 2026. Levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indica que o Brasil já embarcou 72,79 milhões de toneladas de soja entre janeiro e junho, consolidando um desempenho robusto no comércio internacional e reforçando a liderança do país como maior fornecedor global da oleaginosa.
As estimativas da entidade, baseadas na programação dos navios, mostram ainda que os embarques de farelo de soja atingem 12,85 milhões de toneladas no acumulado do ano, enquanto as exportações de milho chegam a 6,25 milhões de toneladas.
Junho mantém ritmo elevado nas exportações
Somente em junho, a previsão da ANEC aponta embarques de aproximadamente 14,05 milhões de toneladas de soja, além de 2,44 milhões de toneladas de farelo, 497,6 mil toneladas de milho e 103 mil toneladas de trigo. O volume confirma a continuidade do intenso fluxo logístico observado nos principais corredores de exportação do país.
Na semana analisada pela entidade, os maiores volumes embarcados concentraram-se nos portos de Santos, Paranaguá, São Luís/Itaqui, Barcarena, Rio Grande, São Francisco do Sul, Aratu/Cotegipe e Itacoatiara, que seguem desempenhando papel estratégico no escoamento da produção agrícola brasileira.
Soja apresenta crescimento frente a 2025
Na comparação com igual período do ano passado, os embarques de soja continuam em trajetória positiva. O crescimento ocorre principalmente entre abril e junho, refletindo uma combinação de safra volumosa, elevada competitividade do produto brasileiro e demanda internacional consistente.
O farelo de soja também registra avanço em relação ao mesmo intervalo de 2025, impulsionado pelo aumento da industrialização da oleaginosa e pela demanda de mercados consumidores voltados à produção de proteína animal.
Já o milho mantém ritmo mais moderado neste primeiro semestre, comportamento considerado sazonal em razão da concentração das exportações após o avanço da colheita da segunda safra.
China amplia liderança entre compradores da soja brasileira
A China permanece como o principal destino da soja exportada pelo Brasil. Entre janeiro e maio, o país asiático respondeu por 70% das compras do grão brasileiro, mantendo ampla vantagem sobre os demais mercados.
Na sequência aparecem Espanha (5%), Turquia (4%), Tailândia (3%), Paquistão (2%), Holanda (2%), Irã (2%), México (2%), Argélia (2%) e Bangladesh (1%). Os demais países representam conjuntamente 7% das exportações.
Mercados do milho são mais diversificados
Nas exportações de milho, o Egito lidera entre os compradores, com participação de 27%, seguido por Vietnã (22%), Irã (18%), Argélia (9%), Malásia (5%), Marrocos (3%), Arábia Saudita (3%), China (3%) e Iêmen (2%). Esse perfil demonstra uma carteira de clientes mais diversificada em comparação com a soja.
Farelo de soja atende principalmente países asiáticos
Os embarques de farelo apresentam distribuição equilibrada entre diferentes mercados. A Indonésia lidera as importações com 18%, seguida por Tailândia (12%), Irã e Holanda (9% cada), Polônia e Espanha (7%), além de Bangladesh, Coreia do Sul e França, com participações relevantes.
Perspectiva segue positiva
Os números da ANEC indicam que o Brasil mantém forte competitividade no mercado internacional de grãos em 2026. A combinação entre elevada produção, eficiência logística e demanda externa aquecida sustenta o desempenho das exportações, especialmente da soja e de seus derivados.
Com a continuidade da safra de milho e a manutenção da procura internacional por alimentos e matérias-primas para ração animal, a expectativa é de que o fluxo de embarques permaneça intenso ao longo do segundo semestre, reforçando a importância do agronegócio brasileiro para o abastecimento global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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